hostelsA ideia de albergue surgiu em 1912 na Alemanha. Com o nome de Jugendherberge (Albergue da Juventude, em alemão ou Hostel, em inglês), tinha como principal objetivo permitir que os jovens mais pobres pudessem explorar mais o país sem os gastos de uma estalagem mais cara – como hotéis, resorts e pousadas. Assim, o albergue foi criado e administrado pelos próprios jovens, que tentavam minimizar os gastos. Dessa forma, quem se hospedava, ajudava nas tarefas de limpar o albergue, lavar louças e afins. Com o passar do tempo, estrutura e a ideia inicial permaneceram, assim como alguns dos hábitos.

Cartaz de um dos primeiros albergues na Inglaterra, voltado para as mulheres que participavam da Primeira Guerra Mundial.

O que torna o albergue barato é que, além de algumas tarefas serem compartilhadas, você não tem um quarto exclusivo para seu uso, com banheiro próprio – em muitos albergues até existe essa opção, embora seja muito caro. Você hospeda em quartos compartilhados, onde há vários beliches! Há quartos apenas para homens, apenas para mulheres ou misto. Os banheiros também são compartilhados – nessa hora você vai saber bem praticar a lei do desapego – e, quando um albergue possui cozinha, são os próprios hospedes que fazem a comida e lavam as louças.

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Sabemos que o preço baixo é um dos principais atrativos na escolha desse tipo de hospedagem, além disso, eles perderam aquela cara e aspecto de lugar sujo e desleixado que se tinha há longos anos. O mundo globalizado e a facilidade que temos em nos transportar de um lugar ao outro permitiram que o albergue exercesse mais um papel, que considero o mais legal: a comunicação e interação entre pessoas de vários locais diferentes. Os hostels não são apenas frequentados pelos europeus de 100 anos atrás e sim por milhares de jovens e pessoas mais velhas de todo lugar do mundo! Viajando sozinho, a dois ou em turma, você sempre irá achar seu lugarzinho no albergue e criará um novo circulo de amizade multicultural.

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Os albergues estão super modernos, limpos e oferecem muitas opções para quem deseja viajar a pouco custo e está à procura de companhia. Ao chegar à recepção, você será sempre recebido com um caloroso olá em alguma língua diferente, pois o atendente não é do país em que o albergue está – normalmente, jovens que resolvem tirar seu “ano sabático” para viajar ao redor do mundo, trabalham nos albergues em troca de uma cama e comida de graça, então toda vez que você for àquele albergue, ele não será mais o mesmo de antes, com certeza a sua staff já mudou -, daí você vai para o quarto e tem 4, 8, 12 (e, em alguns casos bizarros, até 32) pessoas de nacionalidades diferentes em seus beliches e vão te acolher como se estivessem em casa. Logo nos encaixamos numa turminha que tem mais nosso perfil e, a partir daquele momento, somos todos BFF! É sempre assim, um caldeirão étnico! Às vezes as pessoas se dão tão bem e ficam tão próximas que achamos que são amigos de longa data, porém se conheceram cinco minutos atrás.hostel09

A vibe do albergue permite essa interação entre pessoas. Estamos todos ali, dividindo o mesmo quarto, mesmo banheiro, por que não dividir alguns causos?  No fim do dia, todo mundo se reúne em alguma área de convivência, bebe algo, ri, e cada um dá pitaco na conversa do outro, mesmo quando não está participando dela, como uma grande família. E por que considero isso tão importante? É o melhor jeito de praticar seu inglês.

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É inegável que o inglês seja a língua comum entre a maioria das pessoas, onde quer que você vá. Isso não será diferente em um albergue. E não falo apenas das estalagens fora do país, porque, para falar a verdade, hostel addict que sou, nas minhas andanças, garanto que falei mais inglês em albergues brasileiros que estrangeiros!

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Deixa-me explicar melhor ativando meu modo Forrest Gump, a contadora de histórias: hospedar em uma localização boa no Rio de Janeiro, próximo ao mar, não é nada barato. Então, quando vou passear por terras cariocas, opto por ficar em albergue, assim estou em um bom lugar e sempre acabo arrumando companhia para fazer alguma coisa! Em 2014 passei um tempo em Búzios mergulhando e fui para o Rio ficar mais um tempo, porém a grana não estava apenas curta, eu precisava de um microscópio para achar dinheiro na carteira, logo, não hesitei em ir de porta em porta atrás de um albergue que me agradasse. Encontrei um perfeito no Leblon, a um quarteirão do mar… E como não é uma grande tradição de brasileiro ficar em hostel no Brasil, eis que Dona Camila era a única brasileira em todo o albergue, em plena Semana Santa, quando o Rio estava lotado de turistas! Saí de Dona para Rainha Camila, porque lacrei, reinei absoluta no pedaço, afinal eu era a única que poderia ajudar mais de 30 gringos a pedir qualquer coisa ou resolver qualquer situação!

Foram duas semanas maravilhosas, nas quais conheci pessoas da Alemanha, Estados Unidos, Canadá, México, África do Sul, Itália e Inglaterra: acordávamos e íamos para a para a praia, almoçávamos juntos, e de noite reuníamos no bar do albergue para tocar violão e bater papo, às vezes esquecia que falava português e estava no Brasil, pois era uníssono o inglês entre todos nós. Fiquei em um quarto para quatro pessoas apenas para mulheres, onde passei bons momentos com três garotas Alemãs que viajavam pelo mundo há dois anos e me deixaram algumas lembrancinhas de presente ao se despedirem. <3

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Albergue do <3, no Leblon. A área externa era nosso ponto de encontro no fim do dia.

Outra vez fiquei em um albergue em Copacabana e fiz amizade com um francês e uma japonesa, e passávamos todas as noites batendo papo com o bartender inglês do albergue, que mais tarde virou nosso companheiro de saídas. De quebra ainda dei entrevista para um documentário sobre albergue para a TV Brasil (by the way, nunca achei essa entrevista). Mais uma vez, utilizamos apenas inglês.

Já fiquei em albergues em vários países e, independente do lugar que fosse, esse sentimento de se estar em casa é sempre o mesmo: pessoas acolhedoras, dispostas a conversar e trocar experiências. Todos que estão ali, sozinhos ou acompanhados, sabem que o albergue é mais do que um lugar para dormir, é um lugar para fazer amigos, intercâmbio de culturas e praticar algum idioma. Todos estão ávidos para mostrar o que sabem e aprenderem também!

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Outra vantagem de albergue: eu conheci Lhamas! Atrás, a estalagem simples próximo a um vulcão chileno.

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Há albergue pra todo gosto, dos mais sofisticados ao mais simples. Este que fiquei na Isla Del Sol (onde está a seta amarela) custou 7 reais a diária!

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Alguns albergues funcionam como agência de turismo, como esse que fiquei em San Pedro de Atacama.

Em uma ida à Argentina com meus quatro melhores amigos, agregamos ao grupo um vizinho de quarto, australiano maluco, que estava viajando pela América do Sul há seis meses e, como regra de etiqueta, sempre falávamos em inglês – enquanto meu amigo também aproveitava para colocar o espanhol dele em prática com outros colegas de hostel.

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Alguns albergues alugam casas e a transformam em estalagens. Esse que fiquei na Argentina com meus amigos é muito moderno, pois foi construído do zero para ser um hostel.

Quando fui à La Paz, na Bolívia, optei por um albergue famoso por festas e não me arrependi: o bar do hostel era o ponto de encontro de todos os hóspedes, onde fazíamos a festa e conversávamos em alto e bom som: pessoas do Brasil, Irlanda, França, Coréia do Sul. Optei em ficar em um quarto misto de 12 pessoas, que no fim das contas eu era a única mulher. Algum perigo nisso? No way! Meus roommates, que eram americanos, israelenses, franceses e australianos pareciam meus irmãos mais velhos cuidando de mim e me dando instruções quando queria sair sozinha para passear. Tenho certeza que todo esse carinho pode ser transmitido porque falávamos em um mesmo idioma.

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Camilinha no mundo dos migos, edição La Paz

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O amado bar do hostel em La Paz: cheio de viajantes de vários lugares do mundo!

Falando em Bolívia, já ouviram sobre os albergues e hotéis de sal? Na travessia do Salar de Uyuni (deserto de sal), hospedávamos em albergues de sal e cada noite reuníamos com pessoas diferentes.

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Todo o albergue é feito de sal: as paredes, o chão e até nossa cama é de sal! Não tente lamber as paredes, pois muitos já fizeram o mesmo ali antes de você…

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Todas as refeições do albergue de sal eram realizadas em grupos, no mesmo horário. No fim, todas as mesas já estavam interagindo com as outras!

Em uma das noites, fizemos amizade com alguns brasileiros, franceses e japoneses. Ficamos tão próximos que nos reencontramos no Chile e hospedamos todos no mesmo albergue. Bem, a gente até tentou ensaiar um bonjour com nossos companheiros, mas na real, não deu. No fim, era inglês mesmo, até entre nós brasileiros! É tanta história que Camila Forrest Gump Oliveira poderia escrever vários posts sobre cada caso.

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França, Brasil, Japão: para fazer amigos não existe fronteiras!

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Nossos roommates do Brasil e da Inglaterra + nosso motorista pelo Salar de Uyuni.

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Três noites dormindo no mesmo quarto com esses ingleses e morro saudade deles!

O motivo pelo qual resolvi escrever um pouco sobre albergue se deu por eu ter assistido essa matéria no Globo News:

Como podemos ver no vídeo, o conceito de albergue mudou muito. Não precisamos mais ter aquele medo de antes, de achar que todo albergue é sujo, ou perigoso. Precisamos apenas ser cautelosos, assim como em hotéis: pesquisar na internet referências, reservar em sites confiáveis como o Hostel World e se divertir! Hotéis, pousadas e resorts são ótimos para descansar e relaxar, mas nenhum deles poderá prover a experiência única de praticar seu inglês como o albergue faz! Afinal, o bom da viagem não é o tempo que você passa deitado na cama e sim o tempo que você passa aprendendo um pouco mais sobre aquele lugar, as pessoas que por ali moram e as pessoas que por ali estão de passagem, assim como nós! Em outubro estou indo para a República Tcheca e já reservei meus albergues. E você, está esperando o que para reservar o seu? Pode ser dentro do Brasil mesmo, aproveita pra reinar como um dos únicos brasileiros e arrasar no inglês!

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Amigos de albergue e couchsurfing nos Estados Unidos. Uma vezes juntos, sempre juntos!

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Até a próxima!

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