Saí bem cedo de casa tentando lembrar uma ideia de artigo que tive na noite passada. Eu sempre anoto esses insights, mas dessa vez eu não registrei. Não demorou muito para que o motorista da luxuosa SUV que estava à minha frente colaborasse comigo. Ao vê-lo jogando uma garrafa de água mineral pela janela do carro a lembrança veio rapidamente: eu queria falar sobre lixo, sujeira e educação.
No último final de semana aconteceu um episódio bem interessante, um sujeito (amigo de uma vizinha) estacionou o carro do passeio de minha casa, como se não bastasse, o som alto acordou meu filho que havia acabado de dormir. Eu fiquei me segurando para evitar confusão, depois de 10 minutos ele foi embora. Mais tarde eu acabei me arrependendo de não ter ido dar uma bronca no individuo, ele jogou várias latinhas de cerveja no pé da árvore que tenho na porta de casa. Importante salientar, as latinhas foram jogadas a menos de cinco metros de uma lixeira.
Teoria das Janelas Quebradas
Imediatamente eu recolhi as latinhas para evitar que outras pessoas fizessem o mesmo. Sim, eu acredito na teoria das janelas quebradas. Você não conhece a teoria? Veja só que interessante:
A Teoria das Janelas Quebradas foi formulada por dois criminologistas da Universidade de Harvard, James Wilson e George Kelling. Um artigo da dupla foi publicado no periódico The Atlantic, em março de 1982.
A teoria baseia-se em uma experiência realizada pelo psicólogo Philip Zimbardo, da Universidade de Stanford. Ele deixou um automóvel em um bairro de classe alta na Califórnia. Na primeira semana, o carro não foi danificado. O pesquisador então quebrou uma das janelas. Poucas horas depois, o carro foi completamente destroçado e roubado por grupos vândalos.
A conclusão é que caso se quebre uma janela de um edifício e não haja imediato conserto, logo todas as outras serão quebradas. Fonte: Fator W
Jogar lixo na rua é algo tão comum que raramente paramos para pensar nisso. Eu nunca vi uma pessoa jogar uma casca de banana ou uma latinha de cerveja no chão da própria sala de estar. Feche os olhos e tente imaginar isso. Se a sua visita fizer isso, qual será a sua reação?
Porque para algumas pessoas esse zelo todo acaba a poucos metros da porta de casa? Na porta da casa do outro pode? Humm, interessante isso!
Na casa do Pedrinho pode
O que seria do mundo se não pudéssemos fazer cocô na casa do Pedrinho, não é mesmo?
Limpeza e consciência não têm a ver com classe social. Tem a ver com a forma de encarar a vida em sociedade. Vamos expandir o mesmo zelo que temos com a nossa sala de estar para a nossa rua, bairro e cidade. Dissemine essa ideia.
Povo desenvolvido é povo limpo
Esse foi o slogan de uma campanha de limpeza promovida pelo governo militar. O problema da sujeira não é recente. Confira no vídeo abaixo como surgiu o termo Sujismundo. A campanha bem que poderia voltar.
Confesso que foi muito difícil escrever o texto acima sem usar a expressão “o brasileiro”, quero falar sobre isso em breve. Não é a minha intenção tornar os comentários desse artigo um lugar para reclamar do Brasil, também não quero jogar a culpa no governo. Desculpe dizer, mas acredito que nós temos os políticos que merecemos. Gostaria de verdade de “ouvir” sugestões para melhorar a nossa realidade.
O que fazer para tornar as nossas cidades mais limpas?
Eu acredito na educação e você?


Comentários (66)
Hoje, quando pegava o trem, vi o rio Pinheiros e tive um pensamento muito parecido com o seu. Quando chove, o rio fica cheio de garrafas plásticas e a população reclama que o governo não faz nada.
Existe a questão do desassoreamento do rio. Acredito que o acúmulo dos resíduos seja até um processo natural. É preciso tirar os resíduos que se depositam no fundo do rio de tempos em tempos. E aí, a população tem que cobrar do governo. Isso não temos como fazer mesmo.
Mas garrafas não é algo que se joga pela privada, certo? A população podia colaborar mais, né?
Muito legal o texto. Acrescento (se me permite) que infelizmente, quando jogamos lixo fora, achamos que “fora” é uma espécie de buraco negro em que tudo desaparece. Isso não é verdade. Nesse aspecto, até mesmo os índios são mais desenvolvidos do que nós.
Impossível não concordar com você Alessandro.
Infelizmente a falta de educação impera por terras tupiniquins, em São Paulo então, virou hábito jogar lixo pela janela. Não existe mais senso de coletividade.
Como diria mamãe: – Educação vem de berço!
Na rua em que eu moro, existe um córrego. O bairro é no centro da cidade, e é de classe média. Nada de favelas, invasões. Muito pelo contrário, há muitas casas boas! E ultimamente, toda vez que chove o córrego enche! E acreditem…vive cheio de lixo…Eu sempre imaginei que quem jogava lixo, eram pessoas que passavam pela rua, mas não! São alguns moradores (que inclusive tem suas casas inundadas toda vez que acontece isso). Quando eu vi a cena, de uma moradadora que perdeu um monte de móveis, jogando lixo lá, eu fiquei embasbacada! Como se explica isso ??? Por sorte eu moro no 1º andar, e até hoje a agua não chegou até lá! Mas eu não consigo entender, como que uma pessoa que perde seus bens, pode continuar praticando um ato de terrível pavor.
Tenho esse mesmo sentimento de indignação todos os dias ao ver alguém jogando lixo pela janela do carro ou ônibus, ou ao ver aquela pessoa que vai amassando o papelzinho na mão e finge que caiu sem que ela visse. Me pergunto: será que é tão doloroso caminhar até a lixeira mais próxima ou, melhor ainda, guardar o papelzinho na bolsa e jogar no lixo quando chegar em casa?
Fiquei feliz ao ver no jornal dessa manhã uma máteria sobre pessoas que foram presas no carnaval do Rio por fazer xixi na rua, pois começo a ver alguma fiscalização nesse sentido. Mas ao mesmo tempo me entristece saber que é necessário poder de polícia para lembrar às pessoas algo que deveríamos saber desde pequenos: “Jogar lixo e fazer xixi na rua, não pode meu filho!”
Quando eu tinha os meus 15 anos, estava eu tomando um copo de Milk Shake sentando no banquinho do ponto de ônibus. Logo que terminei de beber tudo, joguei o copo no meio da calçada (tinha uma lixeira a 2 metros de mim, mas eu não vi, e nem me preocupei em procurar). Uma menina que estava sentado do meu lado viu a minha falta de educação, ela não falou nada, simplesmente levantou, pegou o copo do meio da calçada e jogou na lixeira. Eu não preciso falar o quão constrangido fiquei, né? Pois é, essa menina não falou uma palavras, mas me deu uma lição de moral para o resto da vida. As vezes é necessário um bom exemplo, nem todos tem a oportunidade de uma boa educação.
Italo,
Muito interessante o seu comentário. Dar o exemplo é a melhor forma de educar.
Obrigado pela lição!
Acabo de ler o texto para alguns colegas de sala , no trabalho, imediatamente um deles falou “vou colocar uma nota de R$ 100 no muro e esperar que os outros passem e façam a mesma coisa no meu muro !!”
É impressionante a capacidade “empreendedora” do Brasileiro !
Muito boa a ideia. Pergunte a ele depois se funcionou.
Muito bom o texto! nesse carnaval fui em um acampamento, onde existia varias trilhas, era só ver um lixo, que outros brotavam no mesmo local, ou seja (teoria da janela quebrada) mas é só perceber que um papel, uma latinha, etc. faz toda a diferença!
Essa situação só vai melhorar, Alessandro, quando houver massiva campanha de EDUCAÇÃO DO POVO. E isso começa nas escolas. Mas como? Se o professor ganha salário de fome? Valorizar a educação começa pela valorização do profissional dessa área!
Acho o artigo muito pertinente. Apesar de não ter dicas em inglês, fala sobre educação.
Concordo com o João, só através da educação e da informação se consegue conscientizar um povo. Vivemos em um país emergente, “do futuro”, como diz a mídia (principalmente no exterior) mas a situação da educação é vergonhosa.
Fazemos parte do BRIC, uau! A única diferença é que o R(ússia), o I(ndia) e o C(hina) têm pelo menos uma universidade constando entre as melhores cem do mundo. Cadê o B nessa lista??
Artigo abaixo:
http://www1.folha.uol.com.br/saber/886508-brasil-e-o-unico-entre-os-emergentes-sem-universidades-top.shtml
Tema super importante e bem colocado. Que tal publicá-lo em inglês (e alternativamente em português) ?
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