Será que não dá pra viver mais devagar e mesmo assim ser competitivo? A impressão que tenho é que quanto mais informação temos a disposição, menos a “digerimos”. Considero “digerir”, o processo mental que transforma a informação em conhecimento, aquele momento em que fazemos a relação entre a informação nova com tudo aquilo que já sabemos. A cada dia nos tornamos mais leitores de títulos e subtítulos e consumimos menos conteúdo. Qual foi a última vez que você leu um texto sem aquela ansiedade de passar para o próximo ou fazer outra atividade? Você consegue se concentrar num texto por 10 minutos?
Claro que toda essa correria tem um impacto negativo no aprendizado. Num mundo do rápido, dos livros “aprenda em 21 dias” ou “aprenda em 15 minutos”, onde o efêmero é a regra, talvez não exista espaço para o sustentável e para a qualidade. Tenho sempre a impressão de que o rápido não combina com aprendizado, ao passo de que a calma e a tranquilidade, sim.
Desde o meio do ano passado, venho utilizando a seguinte filosofia de trabalho na Inovesys: “Eu prefiro fazer certo do que fazer rápido”. Um dos resultados disso foi que conseguimos fazer em 3 meses um sistema que estamos tentando tirar do papel desde 2007. Alguns de vocês já devem ter utilizado o EAD do Fórum de Idiomas. O que acontecia antes é que a afobação para fazer rápido, rápido, rápido; nos fazia ficar girando em círculos e não saía nada.
Vamos levar isso para o aprendizado de um idioma. Vou contar para vocês uma “novidade”, aprender um idioma demanda tempo, dedicação e muito esforço. Aprender é um idioma é um processo complexo que envolve, de certa forma, ensinar ao cérebro uma nova forma de pensar. Acho interessante que para matérias consideradas complexas não existem livros que vendem o rápido, ou você conhece algum livro com o título “aprenda Física Quântica em 15 minutos”? Mesmo que exista, acho que não faz muito sentido.
Veja só que informação interessante:
Os pesquisadores (Bloom (1985), Bryan & Harter (1899), Hayes (1989), Simmon & Chase (1973)) mostraram que leva cerca de 10 anos para desenvolver expertise em qualquer uma de várias áreas pesquisadas, incluindo jogar xadrez, composição musical, operação de telégrafo, pintura, tocar piano, nadar, jogar tênis e pesquisar neuropsicologia e topologia. A chave é a prática deliberativa: não apenas fazer de novo e de novo, mas se desafiar com uma tarefa que está além da sua capacidade atual, tentando, analisando sua performance durante e depois da sua execução e corrigindo seus erros. Então, repita. E repita mais uma vez. Não existem atalhos: até Mozart, que era um músico pródigo desde os 4 anos, levou mais de 13 anos até começar a produzir música clássica mundial. Fonte: Imasters
No mesmo texto li uma outra passagem interessante:
Malcolm Gladwell afirma que um estudo dos estudantes na Berlin Academy of Music comparou os primeiros alunos da classe, os medianos e os últimos, e perguntou a eles quanto haviam praticado:
Todos, de todos os grupos, começaram a tocar mais ou menos juntos – perto dos 5 anos. Nesses poucos anos, todos praticaram mais ou menos o mesmo tanto – cerca de 2 a 3 horas por semana. Mas por volta da idade de 8 anos, as diferenças reais começaram a emergir. Os estudantes que eram os melhores da classe tinham começado a praticar mais do que todos os outros: seis horas por semana aos 9 anos, 8 com 12 anos, 16 por semana com 14 anos e mais e mais, até a idade de 20 anos, em que eles estavam praticando mais de 30 horas por semana. Aos 20 anos, a elite dos apresentadores tinha um total de 10 mil horas de prática durante o curso de suas vidas. Os estudantes medianos tinham, por sua vez, 8 mil horas, e os futuros professores de música pouco mais de 4 mil horas. Fonte: Imasters
Fica a questão, o número mágico é 10 anos ou 10 mil horas? De qualquer forma acho que devemos valorizar o processo, o estudar todos os dias. Devemos sentir prazer em ter contato com o idioma, é impossível fazer algo de forma forçada por 10.000 horas.
Por favor, não vamos nos apegar aos números, se todos concordarem que a persistência é importante já terei chegado ao meu objetivo com o artigo.
Quantas horas você já somou? Quantas horas você está disposto a colocar no seu banco de horas hoje?
Bons estudos!
Referências


Comentários (35)
Pessoal,
Obrigado por todos os comentários.
Bons estudos!
Bom dia Alessandro, acompanho seu blog todos os dias, nos ultimos 3 meses, e eu gosto muito dos podcasts, tenho vários e ouço sempre que tenho tempo, e realmente a leitura e a compreensão de tudo que se está aprendendo se torna melhor quando repetimos diversas vezes. É super legal quando nessas releituras “a ficha cai”. É aí que vemos a importância de ouvir,ouvir e ouvir, ler, ler, e reler. É mesmo ótimo, como dizem outros comentários… Valeu,
Oi Adriana,
Sem dúvida ouvir é um ótimo exercício. Espero retomar os podcasts em breve aqui no EE.
Obrigado pelo comentário e sucesso nos estudos!
Os posts do Alessandro me fazem parar sempre pra ler. Realmente, já li todos os posts desse rapaz e percebo o grande conhecimento que ele possui. Parabéns, meu caro. Cada post novo seu, eu reflito, releio – é simplesmente ótimo!
Muito obrigado!
Gostei muito, principalmente de aprender coordenadamente contextualizando as informações de forma natural, é como uma árvore que no tempo certo dará o seu fruto
OBRIGADO
Tinha acabado de ler sobre isso hoje de manhã, mas o assunto era o vestibular. O post falava que todo mundo diz “vestibular é difícil”, “é muito concorrido” e criam aquela imagem toda de esforço e dificuldades relacionadas ao vestibular, mas a grande maioria que passa por esse perrengue pra passar na famigerada prova é gente que passou a vida inteira coçando o saco e o ensino médio inteiro fazendo zuação e festinha e só foi se tocar que tinha de estudar no 3º ano, daí passam (ou tentam) ficar várias horas por dia ruminando livros e assuntos que nem se lembravam, buscando métodos malucos pra tentar aprender mil coisas em 1 minuto e acabando frustrada e desmotivada pelo excesso de informação a ser estudada; Já os “nerds” que sempre estudaram desde antes da 8ª série os assuntos das matérias, de forma calma, tranquila, sem paranoias ou desesperos passam muito a frente destes sujeitos, com um conhecimento de maior qualidade e com a cabeça fria
Concordo com tudo que disse, de fato é assim que acontece. Os alunos que se saem melhor são aqueles que se dedicaram desde sempre, o conhecimento foi se consolidando aos poucos. Não existe fórmula mágica, mas sim dedicação sempre!
Alessandro, excelente texto!
Poxa, Livonor… Pegou pesado! :,( Quer dizer que não há esperança pra eu passar no vestibular??? LOL Tô brincando: você está certíssimo! Há sim esperança… mas o que poderia ser aprendido e ruminado com muito mais tranquilidade – como um jantar: entrada, prato principal e sobremesa – vai ter mesmo que ser empurrado às pressas num “fast food” por aí… :P
Muito bom mesmo esse artigo! Me fez pensar em quando eu comecei a estudar inglês. Eu queria falar e entender tudo logo nos primeiros meses de estudo! Mas aí eu percebi que de nada adiantava todo esse afobamento, porém não me dedicava diariamente ao inglês. Hoje eu estudo inglês todos os dias, sem exceção, e tenho obtido um grande êxito no meu aprendizado, pena que não fiz isso antes… E é aqui no English Experts que tenho encontrado o melhor conteúdo, dicas… Parabéns pelo ótimo trabalho!
Regards!
Olá! Amigos eu sou angolano e tenho visitado de um tempo para cá este site e no mesmo tenho encontrado várias dicas relacionadas ao estudo de um idioma e que também são aplicados em várias áreas da vida…continuem trabalhando deste modo afim de engrandecer o nível cultural de muitos.
Um grande abraço.
Oi Hermenegildo,
É bom saber que o EE é lido do outro lado do oceano.
Obrigado pelo comentário!
Olá Pessoal, estou prestes a fazer um curso intensivo com aula de segunda a sexta com 2horas de aula por dia ,são três meses , a coisas é muito puxada , fui assistir uma aula , mas e depois , será que terei como dar continuacao ao curso e sera que se aprende mesmo
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