Aula Particular: prós e contras para os professores

Já trabalhei em escolas de inglês no passado e por conta do baixo salário e dos inúmeros problemas existentes nelas, resolvi me arriscar e começar minha carreira como professora particular. Venho trabalhando com isso há pouco mais de 2 anos e de imediato, tenho que admitir que a questão do salário é bem melhor em relação ao que os professores geralmente ganham nas escolas de idiomas.

Mas, ao mesmo tempo que tem o lado bom do $$, há também o lado ruim: os alunos se comprometem muito menos. O trabalho acaba sendo dobrado, pois eu tenho que sempre criar atividades novas e diferentes no intuito de manter os alunos focados – e interessados – no curso. Mas mesmo assim, a rotatividade de alunos é enorme, sem contar os cancelamentos. Há alunos que as vezes ficam 2 semanas sem aulas, ou até mais. No início da minha jornada como professora particular, eu cobrava os alunos por aula, o que era terrível, porque de 8 aulas mensais, a maioria fazia 4, 5 e isso resultava em uma catástrofe nas minhas finanças, e por isso, comecei a fechar apenas pacotes mensais, cobrando dos alunos um valor X para que eles se sentissem forçados a estudar – já que iriam pagar mesmo se cancelassem, as alterações ajudaram de uma forma significante, mas mesmo assim, os cancelamentos são frequentes, e as desistências também. Sei que na maioria das escolas, não é muito diferente, há também uma grande rotatividade de alunos e sei que há muitas faltas também, a diferença é que talvez, as escolas sejam levadas mais a sério, por haver contratos, multas etc.

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Ultimamente, venho sofrendo com os alunos que trabalham demais, eles insistem em dizer que precisam do inglês pra ontem mas, nunca se empenham pra que possam evoluir, alguns deles não cancelam muitas aulas só que nunca fazem “lição de casa” (exercícios de gramática, assistir/ouvir a vídeos ou áudios que envio, etc). Tenho uma aluna que se comunica super bem mas, tem vários problemas quando precisa escrever um email, ela me pediu ajuda pra desenvolver melhor essa habilidade, porém, sempre que peço que ela faça algo, ela nunca faz (pois trabalha muito) então, ao invés de continuar pedindo, comecei a fazer as “lições de casa” em sala. Com os “workaholic“, há sempre a famosa desculpa: “ai teacher, desculpe, eu não tive tempo”, o problema é que, fazendo apenas 2 horas semanais (que é a média), as chances de adquirirem fluência na língua são quase zero, todos sabemos que pra uma evolução satisfatória, é necessário dedicação, é claro que todos trabalham, a maioria tem filhos e maridos/esposas pra cuidar, mas se as pessoas têm disposição pra assistir a 1 hora de novela, então poderiam perder 20/30 minutos dos seus dias pra fazer qualquer atividade relacionada ao inglês, certo? Mas não o fazem. E aí o que acontece? Esses alunos acabam perdendo o interesse, pois veem que não estão evoluindo como queriam e acham que o professor particular é ruim e, desistem das aulas.

O intuito do meu post é simplesmente trocar informações com outros professores, particulares ou não. Gostaria de saber se há outras pessoas que tem os mesmos problemas ou então, ter apenas algumas dicas que possam melhorar “a vida profissional” de um professor particular em relação aos tópicos citados. Por favor, enviem comentários!

Obrigada e boa semana a todos!

Sobre a Autora: Karina Zandonadi mora em São Bernardo do Campo – SP. É professora de inglês desde 2007 e dá aulas particulares desde 2009, formada em letras, procura sempre atualizar seus conhecimentos no intuito de trazer aulas de qualidade para os seus alunos.

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Autor Convidado

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83 comentários

  • 17/10/12  
    Rogéria Peterle diz: 1

    Hi, Karina,
    Parece que vc tocou num ponto que mexeu com a classe!!!
    Temos todos esse mesmo problema e sempre achamos que é algo pontual. Moro em uma cidade pequena, do Espírito Santo e tenho,sempre, que implorar aos alunos que estudem, pelo menos 15 minutos diários para alcançarem mais resultados . A desculpa é sempre a falta de tempo.
    Acham que as duas horas de aula serão suficientes para fazê-los falar fluentemente.
    Poucos são os que se dedicam e estudam em casa.

    Não fique triste, siga em frente!!!

  • 17/10/12  
    Lucas Jordão da Silva diz: 2

    Excelente texto! Sou professor de escola de idiomas. Não é novidade, então, que há similaridades quanto às situações. Já pensei em dar aulas particulares, mas até o momento não tomei a iniciativa. É bom conhecer de antemão o que significa esse desafio. Obrigado Karina, obrigado a todos os participantes e pessoal do englishexperts! All the best.

  • 17/10/12  
    Paulo Roberto da Costa diz: 3

    Deixe me falar sobre o outro lado da moeda. Eu estudei em Brisbane-AU, fazendo 12 semanas de imersão total. Concluí o pré-intermediate. Na volta para o Brasil resolvi continuar os estudos com professor particular. Até o momento não obtive o sucesso desejado. Pois os professores que até agora consegui(já estou no terceiro), atrasam, falam português durante a aula devido a dificuldade de explicar em inglês o sentido das palavras.Não tem plano de aulas e divagam muito. E não são nada baratos.

    • 18/10/12  
      Patricia diz:

      Roberto, I’m sorry to hear that, but what you’ve been through is no news! There are a lot of expensive and non-prepared English teachers. That’s why your best chance to get a very good teacher is asking your friends for some good indication. In case they have none, you can look for some special schools, like Europen and Summit for Teachers (in São Paulo). Think of that, but don’t give up on us!!!! Hugs!!!

  • 17/10/12  
    francynety tavares diz: 4

    olha ja sofri um pouquinho,mas agora peguei o jeitinho e grças a deus estou batendo minha meta,gramatica,videos,brincadeiras e sempre tento fazer uma aula diferente no intuito de segurar os alunos.mas confesso não é facil!!!

  • 18/10/12  
    Miriam Duarte de Lima diz: 5

    Prezada Karina,
    Comecei a dar aulas de inglês com 15 anos. E já são quase 25 anos de experiência.
    Moro em Brasília e trabalho no Serviço Público, mas aproveito o horário de almoço e as folgas para dar aulas de inglês, só para adultos. E que mais acontece são as reclamações com a falta de tempo para fazer as lições de casa. Sinceramente, a menos que o aluno esteja focado em algo, como: viajar para o exterior ou fazer um concurso, no qual a necessidade de falar inglês seja urgente, desista. A vida está muito corrida: filhos, afazeres domésticos, marido/esposa, trabalho, faculdade. O pouco tempo que resta a pessoa vai querer descansar, desocupar um pouco a mente. Eu sei que são só 20 minutos por dia, mas os tempos são outros… e ainda existe a internet, a televisão e muitos outros afazeres que tiram a atenção das pessoas.
    Ou seja, cabe a nós professores a tarefa de fazer com os alunos as lições de casa, em sala de aula. Infelizmente, precisamos fazer malabarismos para chamar a atenção e fazer com que a aula seja interessante. O lado positivo é que estamos sempre crescendo com isso.
    Abraços,
    Miriam Duarte de Lima

    • 18/10/12  
      Karina diz:

      Boa noite!

      Vc disse tudo, ninguém quer “desperdiçar” o pouco tempo livre que tem com estudos e etc. Só que quando eles nos procuram, eles acreditam que se limitando a duas horas de aula semanais e nada mais, conseguirão obter resultados super satisfatórios em pouco tempo, e quando se dão conta de que isso não está acontecendo, nos culpam. Eles nos cobram muito ao mesmo tempo que, não se esforçam pra conseguirem o que querem.

  • 18/10/12  
    Beatriz Ferreira diz: 6

    Olá Karina! Também sou formada em Letras como professora de inglês, me formei em 2010. E digo pra você que já passei pela mesma situação de dar aulas particulares, é realmente muito complicado! Tenho tentado arrumar emprego em escolas de idiomas e em escolas, mas não consigo. Estou pensando em desistir e partir para outra área.

  • 18/10/12  
    Patricia diz: 7

    Karina, é desanimador o quadro, não é mesmo? Eu mesma estou desistindo de dar aulas de inglês. Mas, por incrível que pareça, nos últimos meses, tenho tido bons resultados com meus dois únicos grupos particulares que tenho. Peço o valor adiantado, dou a regra para cancelamento. Se não cancelarem no prazo, perdem o valor, e eu reponho a aula perdida antes de começar o próximo mês e, consequentemente, solicitar o novo pagamento. Tem dado certo! E verifique o material que tem usado (didático – livro). Se certifique do tipo de sotaque que querem aprender, apesar de sabermos que o americano é o mais similar ao padrão, dê sempre bons feedback ao seus alunos durante a realização das atividades! Mostre que eles estão sim aprendendo! Mas lembre-se de um detalhe super importante. Não fazer lição de casa não significa que não vão adquirir fluência nunca. Isso não é verdade. Eles vão demorar muito mais para chegarem aonde querem, mas o objetivo pode sim ser alcançado. E a idéia de fazer as lições em sala ajuda tb. Tente dar só um tequinho de lição por aula e deixe algumas aulas sem. Não adianta querermos cobrar muito. Deixe sempre claro para eles que, sem práticas extras, o resultado sai, só que mais demorado. E que se eles fizerem mais aulas por semana, seria o mesmo que se estudassem uma parte em casa, já que vc aumenta a carga horária de exposição à língua. Eu cansei da postura dos alunos. Eles querem milagres e sem nenhum esforço, já que nos acostumamos com escadas rolantes, carros, telefones, internet….!!!! Um abraço!!!

    • 18/10/12  
      Karina diz:

      É desanimador sim, mas, com o passar do tempo, eu aprendi a lidar com a situação e a não me abater tanto com esses problemas, é claro que às vezes, bate aquela desmotivação e vontade de desistir de tudo. No meu caso, eu gosto muito do que faço, sei que lidar diretamente com as pessoas não é fácil, por inúmeros motivos, mas independente disso, it’s rewarding.

      Hoje em dia, ao invés de passar um milhão de lição de casa e me aborrecer com o fato de que eles não a farão, eu ajo diferente: tento identificar o estilo do grupo primeiro. Há sempre aqueles que fazem, que se dedicam e os que não se dedicarão. Aos que se importam em dedicar o tempo livre pra estudar, eu sempre preparo materiais extras, exercícios e os passo a eles, pois sei que na próxima aula, uma boa parte terá sido feita, senão tudo. Já aos que não farão, eu mudo a metodologia e aplico as lições de casa e outros exercícios extras em sala. Funciona em termos, pois eu acho que o contato diário é muito importante.

      Quanto a fazer mais aulas no intuito de ter mais contato com a língua, eu concordo com vc, isso funciona para os “preguiçosos”, porém, a maioria não tem condições pra arcar com um valor mais salgado por mês. Então, na maioria das vezes, eles não facilitiam, pois não querem estudar sozinhos e ao mesmo tempo, não querem gastar mais dinheiro pra acelerarem o aprendizado, com isso, chegamos no ponto em que vc citou: eles acreditam em milagres.

      Boa sorte!

  • 20/10/12  
    Karina Teresa Almeida diz: 8

    Infelizmente essa é a realidade, nós professores, principalmente de idiomas, tentamos ao máximo dar o melhor com aulas diferenciadas para que o aluno se envolva e se interesse mais e, no entanto, mesmo ele pagando o interesse é pouco e ainda há aqueles que culpam o professor por não conseguirem obter um bom resultado.

  • 20/10/12  
    Stan diz: 9

    Karina,
    Tb sou professora numa Escola, e todos os prôs com quem trabalho, exprimem exatamente o que vc expôs, a maioria dos alunos de hoje, são imediatistas, exigem resultados milagrosos,sem grandes esforços, e saiba que não só na disciplina Inglês, mas como em todas as outras, matemática, português, química, etc…é uma luta diária da categoria, é como tirar leite de pedra….pois, competir com a Internet, celular, Tv, e outras tecnologias no quesito “entretenimento” não é fácil e nem justo, já que utilizamos essas mesmas ferramentas para o quesitos “aprendizado”/”conhecimento”/”cultura” e não apenas “lazer”.
    grata pela sinceridade…
    Um grande abraço!!!

  • 25/10/12  
    fabiobossard diz: 10

    Olá Karina,
    Também dei aulas particulares por alguns anos e comigo acontecia o mesmo. Eu tive aluno que se recusava a fazer dever de casa e estudar gramática. E não era aluno adolescente, não. Era adulto. Eu também dei aula em empresas por alguns anos e uma das dificuldades nesse caso eram as interrupções.
    De resto era muito parecido. A maioria não fazia dever de casa. Dizia estar sempre ocupados.

  • 05/11/12  
    Junior diz: 11

    Galera, eu penso em começar dar aulas particulares de inglês também. Mas eu tenho uma dúvida: Eu quero usar o material World Link, da editora Thomson. Eu preciso pedir permissão à eles ou não? Ou a permissão tem que ser feita só se eu for reproduzir o material em alguma mídia? Obrigado desde já! :)

    • 05/11/12  
      Karina diz:

      Olá!

      Acredito que não seja necessário pedir a permissão para utilizar o material deles ou qualquer outro nas suas aulas, a não ser que sua intenção fosse alterá-lo de alguma forma para republicá-lo novamente, ou sei lá. O que não é permitida é o uso de forma indevida, como pirataria, por exemplo. Mas nesse caso, acredito que cada um deve seguir o bom senso.

      Boa sorte!

  • 13/11/12  
    William Pinheiro diz: 12

    Karina, tudo bem?

    Realmente é complicado. Dou aulas de informática, sei o quanto é frustante e complicado essa situação de depender do empenho dos alunos.

    Sempre estudei por conta, tenho um bom vocabulário, dava pouca atenção à gramática, mas cheguei em um ponto onde senti a necessidade de ajuda profissional apara alavancar meus estudos. Devida à minha experiência com aulas de informática, sei que o professor não é um mago que com um simples passe de mágica me tornará fluente no idioma, sei que a responsabilidade de adquirir o conhecimento passado é meu e cabe a mim com o auxílio do mestre descobrir a melhor forma de aprender.

    Situação complicada, mas continue firme, sucesso!

  • 10/02/16  
    Elisangela Rocha diz: 13

    Adorei esses toques, Karina! Obrigada! Eu me formei em Letras e quero começar a lecionar em domicílio para ganhar experiência. Tenho muitos livros em casa que deles posso extrair exercícios e montar apostilas para os meus alunos, mas receio que minhas aulas se tornem entediantes com o tempo. Aceito dicas pois não sei como começar…
    Obrigada! Abraços!
    Elisangela Rocha
    elisangelarocha@mail.com

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