
Tereza Sayeg - Perfil
O English Experts teve a honra de entrevistar Tereza Sayeg, um da mais conceituadas e experientes Intérpretes de Conferências do Brasil. Tereza já interpretou para o presidente Lula em algumas ocasiões e é muito requisitada em eventos de Informática, Engenharia, Medicina e Políticos. Na entrevista, ela conta um pouco de sua trajetória, formação e dá algumas dicas de inglês para quem está aprendendo. Tereza lança hoje o seu novo site (www.terezasayeg.com.br) e convida você, leitor do EE, para acessar.
Tereza Sayeg, fale um pouco de você como pessoa!
É difícil falar de mim. Sou tímida, por incrível que pareça. E, além disso, já estou no mundo por um certo tempo (rsrsrsrs), portanto minha história é longa. Mas vamos lá: atualmente sou tradutora simultânea. Trabalho com Português, Inglês, Francês, Italiano e Espanhol. Já fui professora de Inglês e de Tradução e Interpretação.
O que fez você se interessar por línguas, de onde veio essa paixão?
Ah, sempre foi meu hobby. Comecei a aprender Inglês e Francês com 8 anos, ainda no primário (bons e velhos tempos). E sempre gostei de saber palavras em outras línguas, desde pequena. Além disso, no começo da adolescência, descobri os Beatles. Aí sim, fiquei rendida de vez ao Inglês. Ouvia as músicas durante horas, para tirar as letras e entender o que diziam. Fui para um colégio experimental onde o ensino de línguas era muito bom no ginásio (sou antiguinha), e a paixão continuou. Ao concluir o ginásio, fui para a Europa, e o país de chegada foi a Inglaterra. Paixão fulminante! Quando voltei, matriculei-me na Cultura Inglesa, de onde saí aos 18 anos com o Cambridge Proficiency Certificate.
Você já morou no exterior? Se sim, como foi a experiência?
Sim, morei seis meses nos EUA, para complementar meu aprendizado do Inglês. Quando comecei a trabalhar, senti que meu Inglês era bastante literário e eu tinha pouca vivência do Inglês americano. Decidi ir para o Monterey Institute of International Studies, na Califórnia, onde eles tinham tradução e interpretação de Inglês, Francês e Espanhol. Infelizmente não havia Português naquela época, mas foi bom para aprofundar as outras também. Depois dos seis meses, voltei ao Brasil, onde comecei a trabalhar como intérprete. Só que depois de certo tempo, resolvi tentar a vida em Bruxelas. Portugal acabava de entrar na então Comunidade Européia (hoje União Européia) e eu ouvi dizer que eles precisavam de intérpretes de Português. Acabei vivendo lá 10 anos maravilhosos! Fiz muitos amigos de várias nacionalidades, aprendi bem outras línguas (Espanhol e Italiano), viajei muito, comi bem e bebi melhor ainda!
Qual é a sua formação, você é formada em letras? Você acredita que é necessário ter formação em letras para falar ou ensinar bem um idioma?
Não sou formada em letras e sim em Filosofia. Não creio que seja necessário ser formado em Letras para falar ou ensinar um idioma e nem para ser intérprete. Aliás, em Bruxelas, muitos dos colegas têm formação em outras áreas: são advogados, economistas, e até médicos. Mas eu até que gostaria de fazer filologia, etc. Sempre gostei, por exemplo, de gramática histórica. É interessante saber como evoluíram as línguas. É evidente que essa evolução tem tudo a ver com a história dos países. Por exemplo: o Inglês, que tem fama de ser uma língua simples, é na verdade uma língua extremamente rica, visto ter recebido inúmeras influências. A Inglaterra sofreu invasões sucessivas e isso evidentemente teve impacto sobre a língua. Depois da invasão normanda, por exemplo, a língua da corte era o Francês. Ora, palavras que nós hoje em dia achamos que são tipicamente inglesas, como budget e shop, na realidade vem do Francês.
Voltando à Filosofia, acho que me ajuda até hoje na interpretação, pois o que se faz ao traduzir é analisar constante e profundamente o texto. A interpretação simultânea, apesar da rapidez, não é “papagaiar”. Na realidade o intérprete tenta entender o tempo todo o que traduz, pois quer transmitir conceitos e não palavras. Quando se entende a idéia, as palavras vêm naturalmente no outro idioma. É raro ficar-se perdido por causa de uma palavra.
Como você se tornou intérprete? Você interpreta de quais para quais idiomas?
Tornei-me intérprete depois de quatro anos dando aula de Inglês. E tinha começado a dar aulas de Inglês pois não queria dar aulas de Filosofia, na época a única atividade possível para quem tinha feito esses estudos. Além disso, tenho um temperamento muito irriquieto, gosto de movimento e de desafios constantes e não gosto de rotina. Interpretação é ideal para esse tipo de personalidade.
Comecei com Inglês e em seguida Francês, quando comecei a interpretar era meio fraquinho, apesar de ter concluído o curso na Aliança Francesa. Também comecei a estudar Espanhol e Italiano ainda quando vivia no Brasil Quando cheguei a Bruxelas, passei no teste freelance da Comissão Européia (o órgão executivo da União) com Português ativo (a língua para a qual se traduz) e Inglês e Francês passivos (as línguas das quais se traduz). Com o tempo, acrescentei Espanhol e Italiano. E cheguei a estudar um pouco de Alemão, sem grande sucesso.
Desde que voltei ao Brasil, comecei a traduzir de e para Inglês, Francês e Espanhol. Meu Italiano é só passivo, razão pela qual faço poucos trabalhos nessa língua. É pena, pois a conheço bastante bem. Mas o mercado brasileiro é diferente do mercado institucional na Europa: no Brasil, é importante ter a “ida” e a “volta” para um idioma, ao passo que na Europa eles incentivam a pessoa a aprender muitas línguas passivas. É claro, visto que a União tem atualmente 20 línguas de trabalho, se não me engano.

Tradução consecutiva na reunião entre o Presidente Lula e o Presidente do Comité Econômico e Social Europeu, Sr. Dimitris Dimitriadis (julho de 2007)
Como foi interpretar o presidente Lula?
Já interpretei para ele duas vezes: a primeira na “inauguração” do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Brasil, em 2003, quando veio uma delegação do Comité Econômico e Social Europeu. Traduzi o Presidente do CESE, na época um sindicalista francês, Roger Briesch, em consecutiva para o Presidente Lula, vários ministros e todo o Conselho brasileiro. Eu tremi feito vara verde, mas pensei: Não posso falhar! Eles confiam em mim! Mas confesso que tomei muitas gotinhas de florais de Bach para agüentar a barra!
Depois a comitiva européia foi a uma reunião particular com o Pres. Lula. Eu traduzi o Sr. Briesch para o Português, enquanto uma colega que tinha vindo com a delegação traduzia o Pres. Lula para o Francês. Nunca fui tão fotografada na vida! Pena que os fotógrafos foram todos embora e não consegui uma única foto daquela ocasião.
A foto que se vê no meu site é de julho de 2007, quando veio outra delegação do CESE para uma reunião do Cons. de Desenvolvimento Econômico e Social do Brasil. Aí, o presidente do CESE já é outro: Dimitri Dimitriadis, grego. Aí traduzi do Inglês para o Pres. Lula e outro colega traduziu-o para o Inglês. É sempre um stress, mas para um intérprete qualquer trabalho é importante. O que queremos é garantir a boa comunicação entre as pessoas.
E nesse sentido, quanto mais “invisível” for o intérprete, melhor. É-se apenas um instrumento, um canal. Não sei explicar, mas sua personalidade não pode entrar em cena nessas horas.
Você já passou por alguma “saia justa” durante a sua carreira de intérprete?
Ah, várias! Por exemplo, se alguém fala um palavrão ou faz um comentário indecoroso (já aconteceu em reuniões no Conselho de Ministros, outro órgão da União Européia). Eu simplesmente finjo que não ouvi. Mas há colegas que se saem muito bem. Conseguem encontrar sinônimos menos ofensivos.
Há evidentemente gafes muito engraçadas, quando se entende algo completamente diferente do que é. Há o caso famoso do “frozen semen” (sêmen congelado) que algum intérprete traduziu por “frozen seamen” (marinheiros congelados). Eu também dei várias contribuições para o folclore da interpretação, sendo a mais vistosa “benign tumors” que eu traduzi por “tumores B 9). Sem comentários! Por isso, antes de abrir a boca, o intérprete tem de ligar o cérebro.
Como está o mercado de tradução e interpretação?
Há muito mais concorrência do que quando eu comecei. Mas o mercado também aumentou, dada a inserção do Brasil no mundo globalizado. Há montes de eventos em SP. SP é uma cidade forte em turismo de negócios e convenções, e espero que isso continue. Só que há mais gente falando Inglês.
Qual é a sua dica para quem quer aprender inglês?
Hoje é muito mais fácil do que quando comecei. Na minha época, não havia essa facilidade de canais de TV a cabo, etc. Mas eu recomendo que se estude gramática. Se não, a base nunca vai ser boa. Depois de adquirir uma boa base gramatical, ouvir, falar, ler e escrever. Acho muito importante a leitura, pois a leitura não é uma atividade passiva, contrariamente ao que se pode imaginar. A leitura ensina estruturas, vocabulários, expressões. E ver TV, etc. Eu, por exemplo, olho sempre o Yahoo Finance no meu computador, e ontem ouvi trechos das entrevistas do Obama e do McCain no programa 60 Minutes. Nunca se sabe. Já traduzi uma vez o debate entre o Bush e o Kerry para a TV Bandeirantes ao vivo (outro dia em que meus nervos viraram pó), e de repente pode surgir outra oportunidade. Ah, a propósito, estar “antenado” é fundamental!
Você aceita ser colaboradora do English Experts?
Claro, com muito prazer, porque também gosto de trocar ideias com outras pessoas. Acho fundamental essa troca, aprender e ensinar.
Tereza, nossos sinceros votos de sucesso. Muito obrigado pela disposição e pelas sábias palavras. Espero que você, leitor(a) do English Experts, tenha gostado da entrevista.
See you!
Pleonasmo pode ser tanto uma figura de linguagem quanto um vício de linguagem. O pleonasmo é uma redundância (proposital ou não) em uma expressão, enfatizando-a.
Complicado? Então assista ao vídeo abaixo, além de rir um pouco, você nunca mais vai esquecer o conceito.
Se você recebe as dicas por email e não conseguiu visualizar o vídeo acima clique aqui para assistir.
Take care,
Desde 1991 existe uma lei no Brasil que obriga as empresas com mais de 100 funcionários a contratarem pessoas portadoras de deficiências. A lei prevê que uma determinada quantidade de vagas, que varia de 2% a 5% do número total de funcionários, deve ser reservada para pessoas deficientes.
Com isso, um número crescente de portadores de necessidades especiais está entrando com força total no mercado de trabalho. Junto com esse fenômeno, vem também a necessidade de adquirir habilidades e conhecimentos para exercer tais funções.
Na semana passada eu recebi um email do leitor Tiago Braga. Ele relata que nasceu com deficiência auditiva (perda parcial) e que isso não o desmotivava a aprender inglês. Ele entrou em uma escola famosa (por razões óbvias não vou mencionar o nome da escola ) mas vem tendo problemas com o professor atual.
Como eu não tenho experiência no ensino de inglês para deficientes auditivos, perguntei ao Tiago se poderia publicar o email no English Experts, pois sei que milhares de professores visitam o blog regularmente e talvez alguém pudesse ajudar. Ele aprovou a idéia! Fiquei fã do Tiago (leia o texto abaixo para entender o porquê), mesmo com todas as barreiras ele não desiste da meta de aprender inglês.
Por favor, se você puder ajudá-lo com algum método, envie as sugestões via comentário.
Meu nome é Tiago Braga, sou do Rio de Janeiro, moro no subúrbio carioca Bento Ribeiro. Sou Analista de Sistemas, fazendo faculdade de informática.
Eu nasci com deficiência auditiva, perda parcial. Uso prótese nos dois ouvidos, e faço fono desde 5 anos de idade (tenho 22 anos), e falo perfeitamente, algumas vezes com língua presa (pronúncia com “s” às vezes não sai muito bem). E para eu entender uma conversa normal, eu teria que ler os lábios, que leio muito bem, e se alguém falar de costas pra mim, não entenderei nada, mesmo com um som altíssimo, a não ser que eu saiba o que vão falar.
Bom, eu entrei num curso de inglês, pois eu quero fazer uma viagem a NY, e também por causa da minha área que pedem fluência em inglês.
O curso dá aula de inglês com ênfase na conversação, o professor fala inglês desde o primeiro dia de aula. Nos dois primeiros meses, a professora era muito legal, falava explicado que eu podia entender muito bem, apesar do meu vocabulário fraco, a segunda professora também, me ajudava de vez em quando, agora a professora que tenho hoje (estou no terceiro módulo (básico III), e estou há cinco meses) não consigo entender de jeito nenhum, nem ela falando português eu consigo entender, pois a forma como ela fala não consigo entender.
E isso me desanimou, pois tentei falar com a coordenadora, e ela diz que agora não pode mudar de professora e tudo mais. Eles sabem que eu tenho deficiência auditiva e antes de eu entrar no curso, eu perguntei se já tinha dado aula de inglês para alguém com o mesmo problema que eu, eles disseram que sim, que tinha experiência e tudo mais. To vendo que não tem. Era só enganação só pra eu entrar no curso.
Então Alessandro, gostaria de saber de você se já teve experiência com aluno com uma deficiência igual a mim, ou parecida. E como foi a experiência. Para você ter uma noção, eu to aprendendo mais por conta própria do que com o próprio curso de inglês, então eu to quase desistindo do curso e ficar por conta própria mesmo.
E também gostaria de saber se existe alguma escola (on-line ou presencial) que ajuda nesse tipo de deficiência. Ou algum material, artigo, qualquer referência que possa me ajudar. Ou realmente se não tem, se existem coisas na internet que pode ajudar mais o deficiente auditivo.
Espero que você possa me ajudar, e até os colaboradores podem ajudar também, se puderem.
E estou sempre por dentro do seu blog. =D
Agradeço muitíssimo pela atenção.
A lista dos 10 mandamentos em inglês é um pedido antigo dos leitores do English Experts que hoje será atendido. Este artigo tem apenas o intuído de informar, portanto gostaria fossem evitados comentários de cunho religioso, já que com isso estaríamos saindo do nosso foco principal, que é o estudo de idiomas. Bons estudos!
1. I am the Lord your God: you shall not have strange Gods before me
Amar a Deus sobre todas as coisas
2. You shall not take the name of the Lord your God in Vain
Não tomar seu santo nome em vão
3. Remember to keep holy the Lord’s Day
Guardar domingos e festas de guarda
4. Honour your father and your mother
Honrar pai e mãe
5. You shall not kill
Não matar
6. You shall not commit adultry
Não pecar contra a castidade
7. You shall not steal
Não roubar
8. You shall not bear false witness against your neighbour
Não levantar falso testemunho
9. You shall not covet your neighbour’s wife
Não desejar a mulher do próximo
10. You shall not covet your Neighbour’s goods
Não cobiçar as coisas alheias
That’s all. God bless you!
Você já imaginou como seria incrível se você tivesse um contato no MSN que traduzisse tudo pra você? Pois é, hoje conheci o TBot, esse sujeito aí traduz tudo que você envia para ele no MSN, ele vai muito além do português->inglês e inglês->português, ele traduz em diversas outras línguas: Alemão, Coreano, Espanhol, Francês, Holandês, Italiano, Japonês, Árabe entre outras. O cara é mais que um poliglota é praticamente um troglodita (eu tinha que fazer essa piadinha!).
Brincadeiras a parte, o TBot é um serviço de tradução lançado recentemente pela Microsoft. Para utilizar é simples, basta adicionar o seguinte contato ao seu MSN: mtbot@hotmail.com
Depois disso é só enviar para ele o que você deseja traduzir, em poucos segundos, ele retorna a tradução como resposta. Achei a ferramenta incrível!
Você ainda pode incluir o TBot em suas conversas com estrangeiros. Ele traduz tudo que você digitar em Português para Inglês (ou outra língua escolhida) e de Inglês para Português o que a outra pessoa enviar.
Veja abaixo a lista de comandos disponíveis:
TBot lang - Mostrar línguas de tradução
TBot change - Selecionar línguas de tradução
TBot stop - Desligar o tradutor
TBot start - Ligar o tradutor novamente
TBot set - Selecionar sua língua preferida
TBot ? - Listar os comandos
I hope that helps!
Dica sugerida pelo leitor Ricardo Raffaele no Fórum do EE.