Free to speak: Minha experiência na Irlanda

Quando cheguei na Irlanda em 2008 logo percebi que o inglês aqui era diferente. Mas como eu também ainda precisava me adaptar e entender um pouco mais da cultura, eu decidi esperar as aulas e então checar a pronúncia dos professores para avaliar o que eu estava ouvindo. Infelizmente muitos professores estão em sala de aula somente pelo fato de serem falantes nativos da língua. Não têm formação na área de ensino e a falta de gramática é visível. No entanto, eu estava mais interessada na pronúncia e em conversação, uma vez que eu já vinha com uma boa bagagem de gramática e ensino do Brasil.

Tendo expectativas diferentes, eu não me decepcionei. Eu já havia tido uma experiência de um mês em Vancouver, no Canadá, em 2005, então já sabia que não poderia esperar (poderia, mas não exigiria) professores com qualificação ‘x’ ou ‘y’.
O inglês ‘irlandês’ é bem diferente do que eu já havia ouvido antes. Em alguns lugares assusta até, tamanha a diferença de sotaques. Dado o tamanho do país é surpreendente encontrar tantos sotaques e dialetos. Mas é exatamente aí que reside a beleza da língua.

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A língua é um código social, mas é deliberadamente democrática, inclusiva e educada (quando quer). Eu falo, eu entendo, eu posso até inventar, mas eu preciso respeitar certas normas da língua. Eu posso falar estranho e meio diferente, mas eu preciso ter em mente que se eu não me fizer entendido não há comunicação.

A pronúncia e o sotaque

Não há problemas com sotaques ou dialetos contanto que todos se entendam. Língua é um dos traços que diferenciam grupos; o mais forte eu diria. E sotaques são inerentes às línguas. E as diferenças fazem com que regras sejam revistas e repensadas quando se está inserido no contexto real de uma língua.

Quando se aprende uma língua (embora isso sirva para qualquer língua vamos nos ater ao inglês) no ambiente onde esta não é a língua nativa, pode-se incorrer nos seguintes erros: apoiar-se demasiadamente na gramática e ‘pronúncia correta’; a fazer perguntas sem cabimento querendo explicação do porquê do porquê; a acusar o inglês de não fazer sentido aqui e ali; a cobrar certa linearidade e previsibilidade; a fazer pouco da língua quando o básico já foi entendido; a complicar o que não é difícil ou não dar atenção ao que exige um pouco de cuidado; ou simplesmente a não reconhecer ou não dar valor às diferenças.

Veja o caso do ‘th’. Há tantos que se frustram por não achar sua pronúncia do‘th’ a ideal. Eu sofri disso também um dia. Sei e continuo pronunciando o ‘th’ como se tivesse a língua presa, mas relaxo quando isso não acontece. Por quê? Simplesmente porque aqui na Irlanda o pessoal pronuncia o ‘th’ como‘t’. Oh, que liberdade!! E ninguém fica perdido na mensagem. Conversando com meu cunhado há umas duas semanas falávamos sobre o Google Earth (que eu pronunciei com o ‘th’ de língua presa). Meu cunhado, porém, repetiu a palavra do jeito que ele fala numa tentativa de me fazer rever minha pronúncia. Isso porque ele está tão acostumado com o ‘th’ com som de ‘t’ que não faz sentido uma pronúncia diferente. Normal. Quantas vezes queremos defender nossa maneira de falar, não?

Meu cunhado não está errado e nem eu. Nós dois estamos certos. O fato de ele não reproduzir a pronúncia britânica não faz a dele ser errada. É o mesmo que esperar brasileiros falarem como os portugueses. Cada grupo com seu traço distintivo. E entre aprendizes no estágio inicial as diferenças são mais acentuadas. Aprendizes alemães do inglês tendem a pronunciar o‘th’ como ‘s’ (‘What are you ‘sinking’ about?’ Veja o vídeo:

Aprendizes brasileiros tendem a pronunciar o ‘th’ com som de ‘f’ (‘I ‘fink’ this is good’); aprendizes russos tendem a pronunciar o ‘th’ como ‘z’ (‘I like ‘zis’ one, but I don’t like ‘zat’ one’).

Isso deve-se ao fato de usarmos a ferramenta que temos para avançar no aprendizado: a língua materna. Os sons similares são suficientes para nossa escalada rumo ao topo. Se no início você esperar pronunciar tudo tal como é vai demorar mais para você falar (e acabar por descobrir que há quem pronuncie o ‘th’ como ‘t’!).

Para Concluir

A autora Elisabeth Smith descomplica e vai direto ao ponto. Em seus livros de como falar o básico das línguas ela repete em várias partes ‘near enough is good enough’ (algo como ‘próximo o bastante é bom o suficiente’). Pensar assim traz mais liberdade e menos condenação para o aprendiz.

Foque no progresso, não no acerto imediato. Não estou incentivando você a falar de qualquer jeito (lembre-se, a intenção é ser bem entendido). Não mesmo. Até aconselho que você receba bem correções e até peça para ser corrigido. É bom ter um padrão, um norte, um modelo. Mas liberte-se de qualquer neura ou excesso de exigências e permita-se experimentar o que antes parecia totalmente inadequado. Encare o aprendizado como uma ponte que te conduz ao outro lado, não como uma cerca ao seu redor que restringe e delimita.

Free to speak at last! What do you ‘tink’?

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Erica De Monaco Lowry

Erica De Monaco Lowry has been living in Ireland since 2008. She is a teacher, an interpreter, a translator, a tour guide and an insatiable learner. Her favorite pastimes include reading, travelling, socialising and catching up with her family.

49 comentários

  • 21/04/12  
    Renato Alves diz: 1

    Achei bem interessante e engraçado o vídeo. Bem legal! =)

  • 21/04/12  
    Fatima diz: 2

    Texto bem interessante, adorei ler.

    • 23/04/12  
      Erica Lowry diz:

      Q bom saber disso Fatima. ;-)

  • 21/04/12  
    Fabiana diz: 3

    Muito bom! Afinal, não precisamos falar como nativos, mas apenas sermos entendidos. Gostei da frase: near enough is good enough.

  • 21/04/12  
    Rafael Fernandes diz: 4

    Cool. I like it!

  • 21/04/12  
    Marlon diz: 5

    Excelente artigo! Essa liberdade só ajuda a progredir.

  • 21/04/12  
    mario diz: 6

    I would complete that motto by sayng:’near enough is good enough, as long as you are understood’.

    • 23/04/12  
      Erica Lowry diz:

      It is indeed a good complement Mario.

  • 21/04/12  
    Elizabete diz: 7

    Oi Érica, muito bom texto, realmente o som do “th” trava a gente.
    Escuto a pronúncia de texto de nativos foco minha atenção no danado do “th” e escuto algo como; ‘vis’ às vezes ‘des’ e a dúvida continua. Boa sorte nos seus exames.

    • 23/04/12  
      Erica Lowry diz:

      Obrigada Elizabete. O th da um no na cabeca mesmo. Mas saber q ha varias formas de pronunciar ajuda pelo menos a nao esquentar tanto se sair diferente do ‘padrao’.

  • 21/04/12  
    Mario Moraes diz: 8

    Ola’ Erica. Parabens pelo texto! Dou aula de ingles e confesso que me incomoda a pronuncia ‘errada’ do famigerado ‘th’. Mas admito que estou revendo minhas exigencias a partir de relatos de experiencias como as suas com o ‘th’ pronunciado na Irlanda (como ‘t’). Mas a pronuncia do ‘th’ como ‘f’ ainda me incomoda! Sucesso com seu exame! Ja’ tentei uma vez mas fui negligente e acho que o subestimei. Fiquei com 56 quando o minimo e’ 60. Pelo que estudei ate’ que fiquei satisfeito.

    • 23/04/12  
      Erica Lowry diz:

      Ola Mario. Vc nao esta sozinho nessa. Da mesmo uma coceira na nuca o th como f, mas admiro quem nao consegue pronunciar diferente e nao deixa de praticar por conta disso. Temos q tirar o chapeu p esses alunos. Obrigada pelo voto de sucesso e va em frente com seu exame, pois com esse score e quase como ter sido aprovado. Tenho certeza q na proxima vc obtem o dito cujo.

  • 22/04/12  
    Vitor diz: 9

    That was cool, Erica!

    • 23/04/12  
      Erica Lowry diz:

      tks Vitor. I’m glad you enjoyed it. ;-)

  • 22/04/12  
    Aline diz: 10

    Gostei do artigo também. Muito interessante. E o vídeo então.. rsrsrs.

  • 22/04/12  
    hiroshi diz: 11

    Só viajando para aprender. Achei o vídeo interessantíssimo! Obrigado.

    • 23/04/12  
      Erica Lowry diz:

      I’m glad you did. ;-)

  • 22/04/12  
    Flavio. diz: 12

    Very interesting point, i wonder about speaking a foreign language in that the accent is the scar of a hurt, so that one such day was healed, but the scar still is there, so no matter the way one accent is, but it is necessay to be acceptable by the speakers and listeners, so that this way there is respect for anybody’s tongue rather than trying to correct one’s accent, that can get nowhere.

    Now changing my mind, i wanna congratulate you about this brilliant topic by being enlightening people’s minds concerning to their backwards concepts in relation to their ideas, because this is exactly my point of view, you have just taken away my words out of my mouth.

    • 23/04/12  
      Erica Lowry diz:

      Great stuff Flavio! That’s it. Accents are friends and help us to understand how interesting and rich diversity is. :-)

  • 22/04/12  
    Flavia Magalhaes diz: 13

    Excelente abordagem, Erica.

    “Eu falo, eu entendo, eu posso até inventar, mas eu preciso respeitar certas normas da língua.”: Uma das coisas que aprendi aqui mesmo no EE, com usuários do fórum mais experientes que eu, foi essa questão de “respeitar certas normas da lingua”. Ha quem ainda insista que “ain’t”, “gonna” são somente “inglês informal”, mas pude notar o quanto o uso destes termos é mal visto lá fora. Uma coisa é conhecer e entender, outra é usar e colocar minha imagem em jogo. É todo um aspecto cultural e comportamental que precisa ser levado junto com o aprendizado da língua, e que, pelo menos para mim, faz ela ficar ainda mais interessante!

    • 23/04/12  
      Erica Lowry diz:

      E isso ai, Flavia. A lingua e contextual e e preciso entender os porques de certas atitudes linguisticas. E isso faz o aprendizado de lingua ser bem mais abrangente e… ilimitado. Viva as linguas!

  • 22/04/12  
    Flavia Magalhaes diz: 14

    Opa, tenho mais coisa pra falar.

    O parágrafo “Quando se aprende uma língua no ambiente onde esta não é a língua nativa, pode-se incorrer nos seguintes erros: (…)” resume muito bem os grandes erros dos estudantes de inglês. Tenho certeza que vou usar bastante este trecho para responder algumas questões de colegas que ainda não notaram estes fatores e que precisam “abrir a mente” para a língua que está sendo estudada.

    Mais uma vez, parabéns pela excelente abordagem.

    • 23/04/12  
      Erica Lowry diz:

      tanta coisa que a gente nao sabe, nao e? Delicia poder aprender. Tks dear. ;-)

  • 22/04/12  
    Alexandra diz: 15

    Olá, nada melhor do que compartilhar idéias, ainda mais quando elas nos libertam de traumas, medos e insegurança. Agradeço imensamente sua colaboração, pois em minha trajetória em inglês, encontrei muitas pedras relativas a pronúncia perfeita. Agora sei que posso usar as diferenças para somar, para construir pontes e não mais cercas. Muito obrigada! Thanks a lot ! All the best for you!

    • 23/04/12  
      Erica Lowry diz:

      Tks Alexandra. Tem sim muitos mitos que a gente tende a alimentar e qdo ve ja tomou conta e criou raiz. Mas nunca e tarde. A gente aprende toda hora. All the best for you too.

  • 22/04/12  
    Mariely Ataide diz: 16

    gostei demais, é extremamente interessante aprender através dessas experiências.

    • 23/04/12  
      Erica Lowry diz:

      Que bom q vc gostou Mariely. Experiencia compartilhada beneficia quem compartilha e quem recebe.

  • 22/04/12  
    Adenelson diz: 17

    Fantastico, a cada dia estou aprendendo grandes segredos deste brilhante idioma…

  • 23/04/12  
    Jenny diz: 18

    Nossa senhora O.o’ Some days ago, I made an oral test, and there was an word, that was just impossible to speak (well, for me) and it was “theft”,so I asked my teather to pronunce it, I tried but it was so hard…maybe because I was nervous.

    correct it,please.

  • 23/04/12  
    Moacir diz: 19

    Nossa, excelente post!

  • 24/04/12  
    Roberto diz: 20

    Erica, seus esclarecimentos foram extremamente importante pra mim, Sou um Private teacher of English, as vezes acho que corrijo demais os alunos no caso do “TH” sound, mas seu post me alivia um pouco. Estou certo?

    • 30/04/12  
      Erica Lowry diz:

      Ola Roberto. Vc faz bem em corrigi-los, mas e bom deixa-los a par das variedades e entender qdo eles nao conseguem pronunciar o th no inicio. Nao so vc, mas eles tb precisam se sentir aliviados. lol. Aprender uma segunda lingua pode trazer ansiedade e frustracao, pois muita gente tem expectativas totalmente irreiais acerca desse aprendizado. Mas voltando aos irlandeses. Nao so aqui, mas em outros locais na Europa onde o ingles e primeira lingua (na verdade a lingua oficial da Irlanda ainda e o Irish (Gaelic), mas pouquissimos sao os falantes) e comum as pessoas se ‘desculparem pelo sotaque por nao ser igual ao britanico. Isso e um preconceito deles contra eles mesmos. Eu nao me desculpo porque meu portugues e brasileiro e nao de Portugal. Eu falo a mesma lingua, so q algumas diferencas. Qdo o assunto e pronuncia as diferencas tem q ser vistas um pouco como excecao a regra e nao como erro. Abraco.

  • 25/04/12  
    Sulamita Cunha diz: 21

    Erica, sabe q sou sua fã
    “…(lembre-se, a intenção é ser bem entendido)…” nunca esqueci disso!!!
    obrigadaaaaa e parabens!

    • 30/04/12  
      Erica Lowry diz:

      Obrigada Sula! miss you! xx

  • 26/04/12  
    Lucas Romão diz: 22

    Adorei o post ,é bem interressante e podemos perceber não somos só nós brasileiros que temos problemas com “th” !
    Thanks !

  • 27/04/12  
    Levi diz: 23

    Gostei muito do artigo… Essa questão da pronúncia é bem interessante.. eu mesmo já havia comentado com meu professor de inglês a respeito, e justificando que se em vários países existem formas diferentes de se pronunciar as palavras em inglês, porquê aqui no Brasil a gente tenta se aproximar muito das formas americanas e/ou britânicas! Acredito que nós temos o inglês “brasileiro” por assim dizer… e que somos capazes de nos comunicar com a nossa pronúncia, afinal de contas o objetivo da língua é a comunicação, se fazer entendido…

    Parabéns a autora!

    • 30/04/12  
      Erica Lowry diz:

      Obrigada Levi. E sempre bom ficarmos atentos a diferenca de adequado e inadequado q, muitas vezes, e mais importante do q ‘certo’ e ‘errado’. Abraco!

  • 14/05/12  
    Should I stay or should I go? (living abroad – part I) | Dicas de Inglês diz: 24

    […] Enquanto isso, se você ainda não leu, dê uma lida nesse texto: Free to speak: Minha experiência na Irlanda. […]

  • 15/05/12  
    Rafael Fernandes diz: 25

    Adorei o post Erica, o som do TH até hoje me persegue, foi bom saber que cada um tem sua maneira de pronunciar, gosto mais do som de TH como T, fácil de falar… Beijos! C’ya!

    • 16/05/12  
      Erica diz:

      Oal Rafael. E preferivel mesmo o som de ‘t’ do q o som de ‘f’ para o th. Tb fui perseguida por isso. lol. Sucesso!

  • 15/05/12  
    Vivian Oliveira diz: 26

    Nossa! Gostei muito do artigo, a autora está de parabéns!

    • 16/05/12  
      Erica diz:

      Q bom q vc gostou Vivian. Saber q a informacao esta sendo util e muito joia. :-)

  • 16/05/12  
    antonio diz: 27

    lowry, gostei muito do artigo vc é 10

    so long

    • 16/05/12  
      Erica diz:

      Tks Antonio. It’s always good to know that people are enjoying. :-)

  • 16/05/12  
    Alan A. D. de Oliveira diz: 28

    Parabéns Erica, muito bom o artigo! Continue nos escrevendo sempre que possível!

    • 16/05/12  
      Erica diz:

      Valeu Alan. Eu vou contribuir ate onde o EE me aguentar. lol.

  • 17/05/12  
    Ana Paula diz: 29

    Adorei o artigo… me inscrevi para o programa de Au pair na Irlanda e pretendo embarcar em Outubro desse ano. Mas optei por ir com uma agência brasileira para ter a garantia de trabalho. É muito bom ler relatos do país e de experiências.
    Obrigada!

    • 18/05/12  
      Erica diz:

      Ola Ana. Vc vem p Rep. da Irlanda ou Irlanda do Norte? Ha uma seguranca em vir por agencia sim, mas vc checou referencias da agencia antes? Boa viagem! xx