Gramática: enfrentando o gigante

O GiganteApós várias ameaças feitas por Golias, o gigante filisteu, ao povo de Israel, aparece Davi em cena, ainda um garoto, apresentando-se ao rei Saul afirmando poder enfrentar o grandalhão. Ao explicar seus grandes feitos como pastor de ovelhas ao rei, Davi ganha a oportunidade de tentar sua sorte com o gigante, embora o rei não se mostrasse muito entusiasmado com a ideia. Mas, claro, estamos falando de um gigante que nunca havia sido derrotado, com fama de cruel. E Davi, um menino.

Davi, seu louco, fuja!

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Quando o gigante se instala

A gramática é ainda apresentada com muita frequência como um gigante, que deve ser temido e cujas diretrizes devem ser seguidas à risca. Se você não andar na linha (gramatical), bem…como você ousa desafiar algo que foi estabelecido há tantos anos, tão tradicional? Que petulância essa sua, hein!?

Como você ousa discordar do compêndio gramatical que eu tenho em casa? Meu professor afirma de pés juntos que você não pode falar assim ou assado. E se você escrever do jeito que fala, então, ai…de que buraco você saiu, hein?!

A gramática bem entendida

A gramática não é um problema; o que alguns fazem dela é (mesmo porque existem alguns tipos de gramática – continue lendo que você vai entender). Vamos falar aqui o que a maioria entende como gramática, a do tipo prescritiva*.

A gramática é posterior à língua. Veio depois para ordenar os elementos da sentença, dar nome aos bois. Mas parece que muita gente trata a gramática como ditadura. Como quem manda e desmanda e, por conta de tradição, a gramática se tornou o Fidel Castro da língua. (Leia um pouquinho mais sobre isso no artigo “Confessions of the English language“)

Veja, eu não quero criticar a gramática, fazer pouco dela. Não, não. Eu tenho livros de dicas gramaticais e compêndios. Conhecimento é sempre bem-vindo; é necessário. No entanto, sem saber, eu passei anos adorando a gramática.

Hoje sei que o ‘barato’ não é saber toda a gramática, mesmo porque ela é limitada e você pode muito bem saber tudo que precisa se tiver o material adequado.

Super gramática ativar ?!

Há vários anos fui a uma entrevista em uma escola muito respeitada no ensino de língua inglesa no Brasil. A fama do estabelecimento e o possível título de professora da escola fizeram com que eu me candidatasse a uma vaga lá. Passei no teste escrito (com alguns pequenos erros, confesso) e então marcaram uma conversa com uma coordenadora em outra filial da escola. E lá fui eu.

Ao chegar à recepção fomos a um sofá e essa senhora olhou para mim de uma maneira estranha e pediu detalhes de minha experiência. Então me disse que estavam procurando alguém com muito, mas muito (mas demasiado mesmo), conhecimento de gramática, pois era o que os alunos queriam e esperavam dos professores.

Antes que eu respondesse ela me disse, com uma cara desconfiada e já me despachando, que realmente teria que ser alguém com muuuuuuuuuita gramática para preencher a vaga. Meus poucos anos como professora e os erros no teste escrito para ela significavam que eu simplesmente não tinha o nível gramatical adequado. Pensei comigo enquanto ela falava: “Eu posso muito bem pedir a ela uma oportunidade de dar uma aula para o avançado e ela então poderá me avaliará melhor e decidir se eu tenho os super poderes aos quais ela se refere”.

Mas logo também pensei que eu não era a pessoa certa para a vaga. Eu já gostava naquela época de uma prática menos gramatiqueira. Não era nem um pouco a proposta da escola. E também imaginei que se aquela criatura me ouvisse usando o get mais de uma vez numa mesma conversa ela me entregaria para sacrifício vivo.

Zelo extremo por gramática faz do aluno que comete erros gramaticais um leproso na sala. E faz do meu conhecimento um altar sagrado. Nada a ver com ensino.

Agradeci o tempo dela comigo e saí daquele lugar direto tomar um suco e pensar em como mudar um mundo tão cheio de gramatiquice.

Em busca da liberdade

Ainda há muita gramatiquice por ai, pois aprender gramática é a ideia que muitos tem do que é aprender uma língua. A desilusão vem depois de alguns anos, infelizmente.

Espero que aquela coordenadora não esteja mais nessa de achar que ela realmente precisa ter professores que se alimentam de gramática cinco vezes ao dia para chamá-los de bons professores. E manter fama por causa de gramática não deveria ser o alvo. Poxa vida, uma escola de línguas devia explorar mais a língua!

Mas isso tudo, como vocês podem imaginar, não foi suficiente para me desligar da gramática. Continuo muito aí para você, minha querida amiga dos concursos e elaboração de aulas e provas nos finais de semana. Só que você sabe, hoje nosso relacionamento é diferente. Você não me domina mais. Eu, conhecendo você do jeito que te conheço, lido com você e sei o seu lugar. A minha outra amiga, a linguística, me ensinou a ser livre e buscar o equilíbrio em meu aprendizado e ensino.

Derrotando o gigante

Eu entendo que saber gramática é muito bom. Se você é aluno é o que te dá um norte. Se você é professor é uma necessidade. Dá um gostinho de vitória aplicá-la e escrever bonitinho. Mas muitas vezes a busca por ‘dominar a gramática’ pode parecer mais ser ‘dominado por ela’. Não se engane, a gramática pode até fazê-lo sentir-se seguro, mas se você apostar tudo nela, você nunca vai saborear a língua.

Dê à gramática – do tipo descritiva** – muito valor, mas não se deixe dominar por imposições da gramática prescritiva que não fazem sentido no dia-a-dia; não arrisque seu belo aprendizado com práticas que engessam seu modo de expressão. Comece uma revolução – faca da língua o Che Guevara do seu aprendizado.

Liberte-se, antes que o gigante tome conta.

E por falar em gigante, lembra do menino Davi? Então, ele derrotou Golias com apenas uma pedrinha. Para você ver que tamanho e idade (ou tradição e fama) nem sempre ditam as regras. Fique com a convicção de que a língua está em constante mutação e que a gramática, como aliada, deve estar em constante revisão. Golias morreu e Davi tornou-se rei. Quem disse que o gigante venceria?

* Gramática prescritiva (ou normativa): dita as regras, o que é “certo”.
** Gramática descritiva: descreve, considera os fenômenos da língua; o modo como os falantes usam a gramática é levado em consideração.
Existe ainda a gramática internalizada, que é a que todos tem, ou seja, mesmo sem ir a escola, sabemos como formar sentenças, pois (segundo a teoria de Chomsky) nascemos com um aparato linguístico pronto para qualquer língua.

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Erica De Monaco Lowry

Erica De Monaco Lowry has been living in Ireland since 2008. She is a teacher, an interpreter, a translator, a tour guide and an insatiable learner. Her favorite pastimes include reading, travelling, socialising and catching up with her family.

65 comentários

  • 04/06/13  
    Emerson Jose diz: 1

    Very Good !

    • 04/06/13  
      Erica Lowry diz:

      I’m glad you enjoyed it. Thanks, Emerson!

  • 04/06/13  
    Isabeli diz: 2

    Adooreei, a gramática me faz sofrer mesmo, mas estou em constante aprendizado.

    • 04/06/13  
      Erica Lowry diz:

      Todos nos estamos, Isabeli. Que bom, nao e? xx

  • 04/06/13  
    Vilma Gomes diz: 3

    Ótimo texto, muito esclarecedor.
    Penso que a gramática é importante, mas não essencial no aprendizado de qualquer idioma.
    Muito obrigada por suas palavras, e que sigamos o exemplo de Davi, que venceu o gigante mesmo parecendo uma missão impossível.
    Um grande abraço a todos.

    • 04/06/13  
      Erica Lowry diz:

      Obrigada, Vilma. Tudo bem dosado, feliz aprendizado! Abraco!

  • 04/06/13  
    Feliphe diz: 4

    Erica always with amazing posts and tips. o/

    • 04/06/13  
      Erica Lowry diz:

      Thanks, Feliphe! I have amazing readers, that’s why. ;-)

  • 04/06/13  
    jonata diz: 5

    Otimo texto Erica!antes eu achava que gramatica era tudo pois foi isso que aprendi na escola(publica)mas dpois que comecei a seguir o EE e o ingles online vi q nao e bem assim q o mais importante e ouvir,observar e obsorver o idioma aos poucos sem falar que estudar assim e bem mais divertido ne!!!thank guys!take care!

    • 04/06/13  
      Erica Lowry diz:

      Tambem acho mais divertido (e util) aprender sem achar que gramatica vai resolver tudo, Jonata. Mesmo porque nao resolve. Ser observador e ‘absorvedor’ – gostei. :-)

  • 04/06/13  
    Lucio diz: 6

    Faz sentido.. quando comecei a aprender inglês, desde criança, só tinha um dicionário. A gramática veio depois. Esqueci daqueles tempos. Como o Frank Florida disse uma regra gramatical por dia tá ótimo!

    • 04/06/13  
      Erica Lowry diz:

      Pois e, Lucio. As regras sao melhores quando sao apresentadas em contexto e nao impostas para exercicios de ‘siga o modelo’. So assim fazem sentido. ;-)

  • 04/06/13  
    Clederson Valim Cardoso diz: 7

    Erica, Parabéns !
    Você simplesmente foi no foco do assunto, quantos “profissionais” desprezam um talento por falta de visão….
    Foi surpreendente a analogia que você fez da vitória de Davi sobre o grande temeroso Elias… para assim termos coragem e perseverança em nossos estudos e objetivos da vida!!!

    Abraços e sucesso pra ti !!!

    Clederson Valim Cardoso

    • 05/06/13  
      Erica Lowry diz:

      Oi, Clederson. Obrigada pelo seu comentario! Mas sabe, no meu caso foi bom eu nao ter tido uma chance naquela escola. Acabei por descobrir outros interesses e isso me levou a campos diferentes. Eu correria o risco de perder meu tempo e desperdicar o dos outros naquela escola. Nada e por acaso. O ruim mesmo nao e a quantidade de pessoas que sao rejeitadas (pode ser um alivio para elas!), mas a falta de visao, como voce mencionou, que poe a instituicao e os clientes em perigo. Sou contra perda de tempo. Um abraco e sucesso para voce tambem.

  • 04/06/13  
    Joyce diz: 8

    Parabéns pelo texto, Erica! Supah! :)
    Que ótimo ver por aí uma visão não reducionista sobre as coisas!
    Que ótimo ver o questionamento das regras pré-estabelecidas!
    E viva a era de aquário! :)
    Grande abraço e muitas felicidade pra vc aí na Irlanda!

    • 05/06/13  
      Erica Lowry diz:

      Obrigada, Joyce. Alguem disse que a cabeca e redonda para permitir ao pensamento mudar de direcao. E eu concordo. Alias, e bom abrir a mente mesmo antes de tomar uma direcao. Qualquer aprendizado e afetado por isso e faz a jornada bem mais interessante. Um abraco para voce tambem. Dias lindos de sol no momento. O que me faz lembrar do filme ‘Curtindo a vida adoidado’. Sol, seu lindo! lol :-)

  • 04/06/13  
    falar inglês diz: 9

    Algumas reflexões interessantes. Destacar a importância de saber gramática básica de uma linguagem fundamental para aprender essa língua. Saudações.

    • 05/06/13  
      Erica Lowry diz:

      Obrigada pelo seu comentario. Sim, gramatica e parte da lingua, entao nao e algo optativo no aprendizado. So deve ser dosada para nao roubar a naturalidade e ‘tranquilidade’ necessarias para aprender. :-)

  • 05/06/13  
    Elaine diz: 10

    Que coisa boa esse texto. Além de bem escrito, super dicas.
    Mas Erica, esses dias estava pensando que a minha maior dificuldade no estudo da língua é writing, você tem algumas dicas de como estudar e o que fazer pra melhorar?

    • 05/06/13  
      Erica Lowry diz:

      Oi, Elaine. Obrigada pelo seu comentario. E bom saber que os textos estao ajudando. Se voce quer melhorar sua escrita, entao e bom praticar escrevendo pequenas sentencas e ligando uma a outra, ate voce ter um pequeno texto. Aprender a escrever um paragrafo nao e bolinho, nao. Mas e so ter um bom esboco e organizar as ideias que tudo acaba bem no final. :-) Eu escrevi sobre escrita aqui antes. De uma olhada nos meus outros artigos (link ‘mais artigos’ acima, apos meu nome). Quero escrever mais sobre o assunto, entao fique de olho. :-)

  • 05/06/13  
    Henry diz: 11

    I recall we had a good discussion of the topic at http://www.englishexperts.com.br/forum/discussao-a-gramatica-nao-te-levara-a-terra-prometida-t19203.html

    It’s curious how we seem to resort to biblical imagery for something as mundane as grammar. Must be something in the water…

    • 05/06/13  
      Erica Lowry diz:

      Hi, Henry. So much care was (and is) involved in writing/translating the Bible. Good grammar is absolutely essential.
      Definitely something in the water. The crossing of the Red Sea maybe? lol. Bible examples show real people with real problems. That’s why they make great analogies, I suppose. By the way, I love your analogy using gold-geologist. Brilliant. :-)

  • 05/06/13  
    David Lago diz: 12

    Parabéns pelo artigo, Érica. Possui bons argumentos, é objetivo, fácil de entender, atiça o leitor e cobre os itens importantes.
    Porém, você foi vítima do seu próprio texto. É possível verificar alguns pequenos problemas com o seu texto em português, principalmente nas acentuações. Por exemplo:
    – No tópico “Super gramática ativar”, temos “título” sem acento.
    – No tópico “Derrotando o gigante”, temos logo na segunda frase um “dá” sem acento, e mais abaixo temos um “práticas” sem acento. Logo após, temos um “está” com o mesmo problema.
    – Ao exemplo do tópico “Quando o gigante se instala”, pode perceber em alguns outro momentos do texto, o uso divergente em relação às reticências.
    Estes são os erros que mais à vista, os que incomodam o leitor. Os outros problemas são itens mais técnicos, porém desejáveis, não essenciais. No entanto, se tratando de uma publicação, a verificação gramatical é uma prática que não se pode deixar de fora.
    Durante bastante tempo eu evitei usar o “F7” do Word – para corrigir e apontar meus erros – por puro orgulho. Entretanto, é uma ferramenta bastante útil para quem possui consciência dos problemas com acentuação ou digitação.
    Deixo também um comentário para demais leitores: É preciso levar em consideração que, antes de aprender a falar e escrever bem em um segundo idioma, é essencial que o seu idioma nativo seja dominado com perfeição.
    Desculpe se fui indelicado em alguma colocação. Eu realmente possuo um olho meio torto para estas coisas.

    • 05/06/13  
      Alessandro Brandão diz:

      David,

      O problema nos acentos foi o seguinte. A colaboradora Érica enviou o texto sem acentos já que o seu computador estava com o teclado desconfigurado. Eu fiquei com a tarefa de incluí-los e alguns passaram, mesmo eu tendo lido várias vezes. Acontece né? Dessa forma, a crítica à autora não é válida. Artigo é igual monografia ou TCC, toda vez que a gente lê descobre algo que pode ser melhorado.

      Sobre a citação
      “É preciso levar em consideração que, antes de aprender a falar e escrever bem em um segundo idioma, é essencial que o seu idioma nativo seja dominado com perfeição.”

      Toda vez que alguém identifica algum erro fala isso, mesmo nos casos de “typo”, como foi o caso desse artigo. Olha, eu não concordo, nós nunca vamos falar a língua nativa com perfeição, nunca mesmo. Se isso for levado em consideração ninguém pode estudar uma segunda língua a não ser os Pasquales da vida. Que tal aprender e evoluir em vários idiomas ao mesmo tempo?

      Você não foi indelicado. Opinião é opinião e cada um tem a sua.

      Obrigado pelo comentário.

      Bons estudos!

    • 05/06/13  
      Erica Lowry diz:

      Ola, Davi. Obrigada pelo seu comentario. Mas tambem tenho que discordar de voce quando diz que antes de aprender um segundo idioma ha que se dominar o primeiro. Nao conheco ninguem bilingue ou poliglota que se encaixe nisso. Justamente por nao quererem ser ‘perfeitos’ e que se aventuraram em outras linguas. Do contrario, corre-se o risco de virar um vigia de uma lingua em vez de aprendiz e admirador dela(s). E a definicao do que e certo e errado tem outra dimensao quando o assunto e lingua. Por isso mencionei a gramatica descritiva. Como voce deve estar percebendo agora (e em outros comentarios), meu teclado nao tem acentuacao. Se eu copiar e colar cada acento antes de escrever, nem faco nada. Ate pedi para o Alessandro corrigir e eu sei que ele fez o que pode (valeu, Alessandro!). Mas edicao e correcao sao atividades um tanto chatinhas. A gente sempre deixa passar algo. Nao da para passar a vida corrigindo tudo. Uma hora tem se que deixar o texto quieto. Eu prefiro escrever artigos em ingles, mas esse veio em portugues, com experiencia contada ocorrida no Brasil. Talvez eu traga um teclado com acentuacao na minha proxima viagem a Brasil. Ai quem sabe eu escrevo mais em portugues e fico mais atenta.
      Eu nao fui vitima do meu artigo, fui exemplo dele. Eu prego a liberdade na lingua, sou inclusiva. Voce nao foi indelicado. Eu ja fui um pouco assim, entao eu te entendo. :-)

    • 05/06/13  
      Jeff diz:

      Vítima do próprio texto? Penso que não. Interessante sua opinião Davi Lago, mas tenho que discordar (Desculpe-me se serei indelicado em alguma colocação). Tive uma professora de português há bastante tempo que sempre dizia algo assim (não me lembro as palavras exatas que ela usava): “Todo falante de uma língua tem o direito de se comunicar com liberdade, desde que seja entendido. O objetivo primordial da língua é proporcionar a comunicação entre os indivíduos. O ambiente ou grupo social em que se dá o diálogo podem exigir diferentes variações, entretanto, estas são apenas convenções sociais, e seria muita soberba achar que uns poucos tem o direito de determinar regras para uma construção coletiva”. Tendo esta citação como base, me pergunto: o que seria essa tal “perfeição” no domínio do idioma nativo? Acho que compreender e ser compreendido é perfeito.
      “As certezas são piores que as mentiras”, elas nos tiram o direito de ir mais longe, de aprender mais e de mudar de mente.

    • 06/06/13  
      Daniella Borges de Brito diz:

      Vítima da gramática detect

    • 06/06/13  
      Erica diz:

      Ola, Jeff. Eu tambem penso que o objetivo primordial da lingua e a comunicacao. Sua professora estava certissima. Ela deve ter ajudado algumas mentes a se libertarem de conceitos errados. Creio que varios alunos delas seguiram aprendendo outras linguas e cobrando menos de si mesmos.
      Muita certeza e de se desconfiar mesmo.
      Quem ja leu meus artigos anteriores viu que eu tento zelar pela gramatica aqui, pois estou escrevendo para um website no qual a maioria dos visitantes esta aprendendo ingles. Mas no meu dia-a-dia sou bem ‘susse’. :-) Quando aprendemos a relaxar um pouco, cobramos menos dos outros e ficamos mais a vontade com os desvios gramaticais. Minha falta de acentuacao nao foi algo bom (desculpe, David), mas se eu fui perdoada pela maioria, entao fico feliz, pois o texto acima cumpriu seu papel. :-)

  • 05/06/13  
    Tuka diz: 13

    Erica;

    parabéns, seu texto é fantástico! só um mestre pensa assim…

    • 05/06/13  
      Erica Lowry diz:

      Obrigada, Tuka. Que bom que voce gostou do texto! :-)

  • 05/06/13  
    TATIANE diz: 14

    Essa teacher é o cara..parabéns pelo texto e tbem pelo seu conhecimento.

    Morro de inveja…rs…rs..(uma inveja do bem tá)

    Tati

    • 05/06/13  
      Erica Lowry diz:

      Gente, Tatiane, que isso, assim eu fico vermelha. Que bom que voce gostou do texto. Obrigada pelo seu comentario. :-)

  • 05/06/13  
    Jean diz: 15

    Muito interessante a dica…

    • 05/06/13  
      Erica Lowry diz:

      Obrigada, Jean!

  • 05/06/13  
    Beroaldo Juninho diz: 16

    Muito obrigado!! Realmente otimo e bastante convincetee!! Eu confesso que estava precisando ler isso para levantar o meu astral de estudar Ingles.. visto que estou um pouco desanimado por achar que nunca irei conseguir falar Ingles na minha vida, por causa da gramatica!! :( Mas isso me ajudou a pensar de um modo diferente!!! :D e eu agradeço a voce e principalmente ao blog que tambem me ajuda muito!! Valew mesmo! :)

    • 05/06/13  
      Erica Lowry diz:

      Beroaldo, que animador seu comentario! Sempre ha tempo para mudar. E isso mesmo, arrisque-se a sair de qualquer formato. Mas saiba que isso acontece muito, e comum, voce nao esta sozinho. Nao se culpe. Nos buscamos um norte e muitas vezes achamos que esse norte e um pacote fechado e muitas vezes e exatamente o que nos e oferecido. Continue se aventurando na lingua. Happy learning!

  • 05/06/13  
    João B. L. Ghizoni diz: 17

    Mais um ótimo texto da Érica. Pena que ela foi traída pelo teclado! Quanto ao assunto em si, o ponto mais importante é o equilíbrio! Como, aliás, em tudo na vida. Usamos a gramática o tempo todo, ainda que inconscientemente. Ninguém diz “dois ontem gatos comprei” porque temos internalizada a estrutura da nossa língua (alguns mais, alguns menos corretamente, claro!), que diz que a ordem natural é sujeito + verbo + objeto + advérbios (grosso modo). Repito: o mais importante é o equilíbrio. Nem gramática de mais, nem empirismo de mais. Tudo que é de mais não presta. Bons estudos a todos!

    • 05/06/13  
      Alessandro Brandão diz:

      Oi João,

      O texto veio sem acentos, eu que deixei de colocar alguns. A culpa foi do editor distraído! rsrs

      Obrigado pelo comentário!

    • 05/06/13  
      Erica Lowry diz:

      Ola, Joao. E isso mesmo, equilibrio. Principalmente no inicio do aprendizado e se voce estiver morando em pais onde a lingua inglesa nao e falada no dia-a-dia. Caso contrario, como eu, voce nao se preocupa tanto, pois tudo vem sem muito esforco quando voce convive com falantes nativos e interage com eles. Eu nao fui traida pelo teclado nao. Eu sei de falta de acentos, mas quis escrever um texto em portugues. Gerou um pouco de polemica, mas esta sendo bom checar as diferentes opinioes dos leitores. So me deu ideias para o futuro.

  • 05/06/13  
    maria do ceu diz: 18

    Parabéns por este texto maravilhoso…se a maioria dos educadores pensassem como vc os alunos não se sentiriam tão frustados…passam anos nas escolas de idiomas e nas escolas regulares e não aprendem a se comunicar.

    • 05/06/13  
      Erica Lowry diz:

      Ola, Maria. Obrigada pelo seu comentario! Ha varios professores que tambem foram enredados em gramatiquice. E sair de um molde nao e facil. Ha que primeiro reconhecer isso, permitir-se checar o que pode ser feito e abracar a mudanca. Muitos que ensinam tambem estao frustrados. Frustracao gera frustracao. Ha que se lutar para mudar o quadro. Aos pouquinhos todos vao acordando.

  • 05/06/13  
    Lucas diz: 19

    Muito BOM! Nem preciso acrescentar mais nada.

    • 05/06/13  
      Erica Lowry diz:

      Obrigada, Lucas!

  • 05/06/13  
    Cristiana Santos diz: 20

    Adorei o desapego à gramática, mas em contrapartida, não devemos estar livres dela. Tenho formação em letras vernáculas. Já viram, né? Quatro anos de puro português e… gramática. A Normativa é fascinante, porém difícil. A linguística de fato veio para quebrar paradigmas.
    O desapego da gramática normativa deve existir, sim, quando em uma conversa onde o que importa é em como a comunicação chega ao interlocutor, mas para a escrita, essa deve ser rigorosa, principalmente para quem ensina. Creio que em inglês deva ser da mesma forma, pois quem orienta deve ter vasto conhecimento para não ficar de saia justa.
    O texto é expressivo e interessante.
    Abraços,

    • 05/06/13  
      Erica Lowry diz:

      Ola, Cristiana. Concordo contigo sobre o conhecimento. E a gramatica faz parte da lingua, nao e optativa. Eu ja fui bem apaixonada por gramatica. Ate que tive que escolher menos dela para aprender outras linguas e assuntos (o tal do equilibrio que o Joao menciona acima). Mas ainda tem muito ensino baseado em gramatica que, a meu ver, as vezes tende mais a denunciar falta de conhecimento e discernimento em sala. Isso tanto para fala e escrita. Como assim? Eu posso saber regras e exigir a aplicacao delas, mas naturalidade nao vem em gramaticas. Do contrario eu paro para corrigir o tempo todo e nao paro para aplaudir e encorajar o que ja esta correto ou a ideia e intencao que esta adequada. Quando o aluno esta mais autonomo e confiante ele entao deve optar por mais disso ou daquilo. Mas e necessario informar que gramatica nao deve ser uma muleta que te faz sentir seguro contanto que voce a tenha. Se for assim, o aluno tem um pseudo-aprendizado. Obrigada pelo seu comentario. :-)

  • 05/06/13  
    Margarete diz: 21

    Muito bom!! Seu texto é bem uma realidade.

    • 06/06/13  
      Erica diz:

      Obrigada, Margarete!

  • 05/06/13  
    Nilza diz: 22

    eta mundo! é necessário um escrever o que todos deveriam saber pra defender uma coisa que todo mundo já sabe rsrsrs sim, senhores, como será que aprendemos Português e o aplicamos depois?? primeiro o baby de 1 aninho de indade nem sonhava com gramática e continuou não sonhando por muitos anos. derepente o baby começou falar só de ouvir todo mundo ao redor dele; quem falou em gramática aqui?? rsrsrs
    é só enfiar a cara e falar Ingles, vá falando o que ouve, va respondendo do jeito que ouviu outro responder, vá errando mas não pare, fale mais ainda. o baby dentro de você não sumiu não, ele cresceu e continuou fazendo isso por isso que aprendeu a língua do país dele. assim vc também aprenderá qualquer língua. Perdi muito tempo me “gramaticando” aí no Brasil. depois que vim morar nos Estados Unidos só aprendi a língua ouvindo e repetindo, pensando muito eu não aprendia não srsrs se bem que fiz isso no começo e não adiantava nada. comecei foi ler bastante e commo aprendi com isso!! ali estava a realidade da língua, era igualzinha a realidade do meu Português que comecei com 1 ano de vida, oras!
    se alguém quiser trucos loucos pra aprender mais rapidamente, eu posso ajudar pois fiz cada loucura engraçada que nossssa!! rsrs

    • 06/06/13  
      Erica diz:

      Oi, Nilza. Acho que todos aqui gostariam de saber mais sobre suas experiencias. Sim, o que voce relatou e a tal da gramatica internalizada, que todos nos temos, caso contrario nao conseguiriamos nos comunicar. Abraco.

  • 06/06/13  
    Lázaro Silva diz: 23

    Parabéns pelo belíssimo artigo Erica, no meu ponto de vista o fato de muitas pessoas encararem a gramatica como vilã da história se deve pelo fato de não aprenderem inglês estudando apenas gramatica e o pior é que nas escolas o que mais se ensina é isto (talvez de proposito rs).

    Acredito que fazer uma linguagem o Che Guevara que principal emente atenda nossas necessidades (trabalho e lazer) é a melhor coisa a se fazer!

    • 06/06/13  
      Erica diz:

      Ola, Lazaro. Obrigada pelo seu comentario. Eu acredito que ha mais de um tipo de aprendiz que pode ver a gramatica como vila: aquele que confiou muito nela para aprender lingua e mais tarde viu que podia ter sido diferente, quem nao gosta de estuda-la e quem, como voce disse, aprendeu sem estuda-la. Ha quem foi obrigado durante um tempo a ser gramatiqueiro e isso tambem pode ter trazido uma certa ‘magoa’. A gramatica bem usada e uma grande aliada. :-)

  • 06/06/13  
    Icaro Gibran diz: 24

    Parabéns, Érica! Me ajudou muito mesmo. Comecei a estudar inglês em 1991, uma época em que você passava quatro anos estudando gramática para depois poder falar. Claro que existem professores e “PROFESSORES”. Alguns passavam todo o semestre passando exrcícios e passávamos toda a aula em silêncio fingindo que estávamos aprendendo enquanto o professor lia revistas em sua mesa, isso em curso tradicional no Recife. Claro que por outro lado, encontrávamos sempre algum Davi. Professor Paulo Coimbra é um Davi, a quem devo o meu interesse pelo idioma e o que eu sei até hoje.

    • 06/06/13  
      Erica diz:

      Ola, Icaro. No tempo do tecnicismo (principalmente decada de 80) o ensino tinha outra cara. Felizmente as coisas foram mudando. Muitos ja abracaram mudanca. Mas e necessario gostar do que faz e querer ver aprendizes autonomos para dar o seu melhor quando estiver facilitando o ensino. Que joia ter tido um ‘Davi’ na sua vida. Voce pode olhar para tras e ter a certeza que foi ajudado e sabe como e possivel fazer diferente. :-)

  • 06/06/13  
    solange diz: 25

    Olá !
    Amei o seu texto ,vc disse td que penso sobre o assunto.
    Sou professora e ja tive experiencia que mts vezes a gramatica trava o aluno,como disse,temos que reconhecer sua importancia ,mas nao viver em função dela.
    Gostaria de ler mais textos seus .
    See you.

    • 06/06/13  
      Erica diz:

      Ola, Solange. Obrigada pelo seu comentario. Como professora voce sabe bem como os alunos precisam de ajuda e que so gramatica pode distancia-lo da lingua, o que e uma grande pena. De uma olhada nos textos anteriores (clique em ‘mais artigos’ abaixo do meu nome). Ha um artigo cujo titulo e ‘Confessions of the English language’ no qual eu falo um pouco sobre gramatica tambem. :-)

  • 06/06/13  
    Caio Rossi diz: 26

    “Dê à gramática – do tipo descritiva** – muito valor, mas não se deixe dominar por imposições da gramática prescritiva que não fazem sentido no dia-a-dia; não arrisque seu belo aprendizado com práticas que engessam seu modo de expressão. ”

    Isso não faz sentido. A gramática descritiva é, para nós, não-nativos, na prática, a gramática a ser estudada e praticada, seja como professores ou alunos. Noves fora, voltamos à gramática.

    E a gramática tem como sua principal função exatamente a de desengessar o seu modo de expressão, permitindo que você expresse exatamente o que quer (aliada, é claro, ao vocabulário, etc.).

    • 07/06/13  
      Erica Lowry diz:

      Ola, Caio. Acho que voce nao entendeu o paragrafo. E exatamente a gramatica descritiva que eu apoio e enfatizo. Ao ler o seu comentario: “Isso não faz sentido. A gramática descritiva é, para nós, não-nativos, na prática, a gramática a ser estudada e praticada, seja como professores ou alunos (…)” eu percebo que voce nao leu o artigo todo. Eu sou professora, nao seria irresponsavel de descartar gramatica.
      Eu enfatizo dar ‘muito valor’ a gramatica descritiva. Talvez voce quis ter digitado ‘prescritiva’? A gramatica prescritiva deve ser bem entendida pelo professor sim, nao discuto isso. Mas para ambos, professores e alunos, ela deve ser muito bem dosada e usada, caso contrario temos um aprendizado engessado, nada livre nem produtivo. Espero ter esclarecido.

    • 07/06/13  
      Caio Rossi diz:

      Não sei exatamente como responder à Erica, já que não aparece opção de responder abaixo da resposta dela, mas lá vai:

      Olá Erica,

      Obrigado pela resposta, mas creio que vc não se deu conta das implicações lógicas do que vc disse e, talvez por isso, tenha achado que eu me confundi.

      Veja: se vc é um falante de português que vai à escola e tem aulas de português, há quem, [1] defenda a tradicional ênfase na gramática normativa/prescritiva, [2] quem, como Marcos Bagno, defenda que não se deva enfatizar essa gramática, pois isso seria um preconceito linguístico e [3] há aqueles que defendem uma posição intermediária, que seria a de valorizar o que o aluno traz de casa mas ensinar que, em determinados contexto mais formais ou acadêmicos, se deve utilizar isso ou aquilo.

      Parece-me que você está adotando a postura 2 ou 3, mas o que eu estou dizendo é que nenhuma dessas opções se aplica quando falamos da aquisição de uma língua estrangeira. Isso ocorre pq o aluno, nesse caso, não traz uma gramática “real” da língua a ser adquirida e que é socialmente reforçada, mm que não coincida totalmente com a norma culta. Vc está transferindo reflexões, ou problematizações, que só se justificam no caso do ensino da L1, para o ensino da L2.

      Não se pode fazer essa sua comparação pq as situações são incomparáveis. Um aluno brasileiro que esteja aprendendo inglês não leva, via de regra, uma gramática “real” (a parole do Saussure) de um inglês que aprendeu com a família e amigos, utilizada e confirmada pela comunidade linguística a que ele pertence, para a sala de aula. Nesse caso, vc tem de ensinar ao aluno quase que “from scratch” – supondo um real beginner – a língua com uma determinada gramática, seja de acordo com a norma culta ou não.

      Se vc quiser ensinar o inglês dos negros de Porgy & Bess, vai ter de ensinar “You is” como ensinaria “You are”, fazê-lo praticar, etc. Em ambos os casos, a forma “You am”, por exemplo, seria não-gramatical e teria de ser corrigida de qq forma.

      A gramática descritiva também é um padrão que não pode ser quebrado. Igualmente, se eu fosse dar um curso de “português popular para estrangeiros” eu teria de ensinar “A gente vai” ou “A gente vamos”, por exemplo, mas corrigir o “A gente vou”, já que não é uma variável gramatical que ocorra de forma estatisticamente relevante na gramática descritiva.

      Foi por isso que eu disse que, noves fora, ensinando a gramática prescritiva/normativa ou descritiva, vc tem de ensinar padrões gramaticais. O que vc disse só faz sentido sequer ser refletido e problematizado (1, 2 ou 3 acima?) para o caso do ensino da língua vernacular.

      Abraço,

    • 08/06/13  
      Erica Lowry diz:

      “Não sei exatamente como responder à Erica, já que não aparece opção de responder abaixo da resposta dela, mas lá vai:”
      Para me responder e so clicar em ‘responder’ abaixo do seu comentario, pois e um ‘thread’.
      Caio, antes de te responder preciso te dizer algo. Quando lemos um texto precisamos saber algo do autor se nos dispomos a criticar sua visao. O que falo nao vem de livros somente. Vem de experiencia. Quando estudei linguistica escolhi a enfase na aquisicao de L2. Investiguei o uso das preposicoes ‘in’ and ‘on’ por alunos brasileiros. Fiquei muito feliz ao descobrir que varios dos alunos (de faculdade de letras) que se prestaram a me ajudar na pesquisa de campo usavam mais sua intuicao do que gramatica para responderem a exercicios simples. Isso mudou ainda mais minha abordagem gramatical.
      A lingua nao e logica. Se fosse matematica eu teria padroes e ordem bem definidos. Nao e o caso.
      Minha experiencia nao me diz que devo escolher entre 1, 2 ou 3. Todos as abordagens sao importantes em determinados momentos do ensino/aprendizagem. Existem outros pontos a serem considerados que, em um artigo somente, nao ha como cobrir, como, por exemplo, aquisicao x aprendizagem (extremamente importante), interlingua etc. Meu texto tem a intencao de trazer um pouco de luz quanto a enfase em gramatica apenas.
      Eu adoto varias posturas, pois aposto no que funciona e pessoas sao diferentes.
      Minhas reflexoes sao aplicaveis tanto ao ensino de L2 quanto L1. A L1 e a unica ferramenta que os aprendizes de L2 tem (muita traducao no inicio, por exemplo), logo e parte integrante do ensino de L2. Ensino de gramatica prescritiva pura do portugues e ingles e otimo so para quem esta mais avancado na lingua e quer mais conhecimento gramatical. Eu tenho um livro do Bechara e mantenho devida distancia. Tenho uma vida para viver. E tive acesso a um grosso compendio de gramatica inglesa que usei ha uns 10 anos para pesquisa. Quando precisar vou ate a biblioteca para consultar.
      Porque gramatica do portugues pode ser uma pedra no sapato para falantes nativos dessa lingua tambem, pois faz o aluno pensar que nao sabe falar so pelo fato de usar ‘a gente’ em vez de ‘nos’. A sociolinguistica vem socorrer esses coitados, entao e necessaria. A gramatica descritiva auxilia a separar o que ele deve usar no concurso do INSS ou em uma reuniao de negocios e o que ele pode usar no boteco, no onibus, em qualquer outro lugar. A prescritiva e a de concurso. Hoje em dia, a maioria das gramaticas que se prestam a ensinar o aluno tendem a ser descritivas. Desde o inicio, sim, Caio.
      Se voce e militante de prescritiva desde ‘day 1’ eu discordo de voce.
      Mas e sua pratica, voce responde por ela.
      Sim, claro que o ‘zero beginner’ nao tem o aparato do dia-a-dia que o falante nativo tem, mas quando o assunto e lingua inglesa ele ja traz muito e e cercado por muito conteudo. Isso tudo precisa de ajuda para ser comunicado de forma adequada.
      A abordagem ‘drill-like’ nao funciona para aquisicao, mas e amplamente usada para aprendizado e tem resultados somente se aliada a praticas comunicativas reais. O mesmo com a L1!

      “Isso ocorre pq o aluno, nesse caso, não traz uma gramática “real” da língua a ser adquirida e que é socialmente reforçada, mm que não coincida totalmente com a norma culta.” => mais um motivo para dosar a norma culta.

      O aluno leva sim para sala de aula o que ele ouve ao redor e o que registra do ambiente onde vive. E por isso que essas reflexoes existem, para considerarem o conhecimento previo e entender a melhor maneira de lidar com eles.

      “Nesse caso, vc tem de ensinar ao aluno quase que “from scratch” – supondo um real beginner – a língua com uma determinada gramática, seja de acordo com a norma culta ou não.” => E claro que precisa ensinar gramatica, Caio. Onde aqui voce leu o contrario aqui? Mas o ‘from scratch’ nao significa prescrever, significa expor.
      “Se vc quiser ensinar o inglês dos negros de Porgy & Bess, vai ter de ensinar “You is” como ensinaria “You are”, fazê-lo praticar, etc. Em ambos os casos, a forma “You am”, por exemplo, seria não-gramatical e teria de ser corrigida de qq forma.” =>
      Obvio, e isso mesmo. Mas o corrigir aqui nao significa anular o que e diferente da norma. Alguem aqui me perguntou se era uma boa ideia aprender ingles atraves de musicas do Eminem. Nao. Porem, ele pode ouvir e curtir o que gosta sabendo que o Eminem nao e analfabeto. Se o aluno quer sem bem entendido por todos os grupos ele precisa de um meio termo, que seria um ingles academico a principio e aos poucos mais natural.

      “A gramática descritiva também é um padrão que não pode ser quebrado. Igualmente, se eu fosse dar um curso de “português popular para estrangeiros” eu teria de ensinar “A gente vai” ou “A gente vamos”, por exemplo, mas corrigir o “A gente vou”, já que não é uma variável gramatical que ocorra de forma estatisticamente relevante na gramática descritiva.”

      Sim, e e assim no ingles tambem como voce ja mencionou acima. E que eu concordo.

      “Foi por isso que eu disse que, noves fora, ensinando a gramática prescritiva/normativa ou descritiva, vc tem de ensinar padrões gramaticais.”

      E eu tambem concordo nisso. Sem problemas. O texto nao diz o contrario. Eu nao concordo e em ensinar terminologia gramatical, gramatica de exame para pessoas que querem falar uma lingua. Ensinar a diferenca entre ‘however’ e ‘although’, por exemplo, pode mais atrapalhar o entendimento do que mostrar um video com pessoas reais usando sentencas com essas palavras e entao dar espaco ao aluno para produzir outras sentencas usando esssas mesmas palavras (e tambem, claro, oferecer sinonimos, outras formas de dizer o mesmo), baseando-se no que viram e ouviram.. E ouvindo e reproduzindo que aprendemos a L1 e e assim que se adquire L2 e de maneira proxima aprende-se L2 com sucesso.
      Talvez voce nunca tenha ouvido essas consideracoes sendo feitas antes usando os tipos de gramatica para falar de L2, mas e comum tratar dos mesmos assuntos em L2 (com outros nomes : corrective feedback, focus-on-form approach, intensive and extensive grammar etc.). E dou enfase a interlingua, que e uma lingua provisoria do aluno enquanto ele aprende. Isso traz um olhar bem diferente ao ensino de gramatica.
      Nao ha problema nas reflexoes acima em relacao a L2. Preconceito linguistico, variacoes linguisticas e normas existem em todas as linguas.
      Mas dizer que nao faz sentido, isso e e que nao faz sentido.
      Se voce ainda discorda, entao ‘we agree to disagree’. ;-)

    • 10/06/13  
      Caio Rossi diz:

      Olá Érica,

      Eu preparei uma resposta ponto a ponto mas decidi não entrar naquelas discussões intermináveis no que parece ser o seu ponto central. Eu havia dito:

      Foi por isso que eu disse que, noves fora, ensinando a gramática prescritiva/normativa ou descritiva, vc tem de ensinar padrões gramaticais.”

      Você comentou:

      “E eu tambem concordo nisso. Sem problemas. O texto nao diz o contrario. Eu nao concordo e em ensinar terminologia gramatical, gramatica de exame para pessoas que querem falar uma lingua.”

      Mas ensinar gramática não implica em ensinar terminologia gramatical, seja ela gramática prescritiva ou descritiva. Por exemplo, em “Nós vamos”, “nós” é pronome e “vamos” é verbo. Em “Nóis vai”, “nóis” é pronome e “vai” é verbo. No entanto, somente a primeira está de acordo com a norma culta. Eu posso ensinar “Nós vamos” ou “Nós vai” usando a terminologia gramatical ou não. Do contrário, e é o que se depreende do que você disse, ensinar “Nós vamos” como padrão, sem usar a terminologia, seria ensinar gramática descritiva, e ensinar “Nóis vai” apelando para a terminologia seria ensinar gramática normativa.

      ” Ensinar a diferenca entre ‘however’ e ‘although’, por exemplo, pode mais atrapalhar o entendimento do que mostrar um video com pessoas reais usando sentencas com essas palavras e entao dar espaco ao aluno para produzir outras sentencas usando esssas mesmas palavras”

      Mas isso é ensinar gramática normativa, oras, mas só que de forma comunicativa! Isso já se faz há muito tempo e é o que mais se recomenda.

      Então a sua questão é, de fato, e diferente do que você aponta no artigo, que se deve ensinar inglês de forma comunicativa, sem “gramatiquês”. Isso é bem diferente de ser contra o ensino de gramática ou mesmo da questão da gramática normativa vs. descritiva.

      Abraço,

      Caio

  • 08/06/13  
    Adriana diz: 27

    Muito pertinente esse comentário, porque é assim, sem deixar a gramática, mas dando importância à língua, que aprendemos na Faculdade. Mas infelizmente as pessoas não entendem isso, e dão mais importância à gramatiquice. Isso eu falo em relação ao Português. No Inglês não deve ser diferente.

    • 10/06/13  
      Erica Lowry diz:

      Oi, Adriana. Obrigada pelo seu comentario. E importante mesmo dosar a gramatica. Voce encontra mais aprendizes do ingles dando muita enfase a gramatica, pois alguns nativos da lingua ate reclamam que nao tem/tiveram muita gramatica na escola. Mas se param para pensar, veem que foi ate melhor, pois tiveram que pensar mais nos textos lidos. E nao ficaram para tras em nada no que diz respeito a comunicacao. Outro ponto interessante: alguns grupos africanos, por exemplo, falando ingles aqui tem gramatica impecavel, mas naturalidade zero. Os nativos sentem-se ouvindo outra lingua ate. Quando isso e levado em conta, outro argumento contra excesso de gramatica entra em jogo. Vivendo e aprendendo. :-)

  • 19/06/13  
    Nancy diz: 28

    Contratulations! I liked of your explanation about grammar.
    Thank you so much.

  • 26/06/13  
    Renilton Santos diz: 29

    Boa Tarde gostaria de adquirir o livro Girias e expressoes no Ingles,

    como funciona.

    See you later