Homeschooling: uma prática americana que vem ganhando adeptos no Brasil

Hey you, how are you doing?
Você sabia que nos Estados Unidos e alguns países da Europa, frequentar a escola não é obrigatório? Já ouviu falar no homeschooling? Então coloca sua roupa rosa (because on Wednesdays we wear pink #meangirls), escreva o nome das inimigas no Livro do Arraso, para de falar “barro” porque essa gíria não vai pegar, começa a ensaiar Jingle Bell Rock e VEM COMIGO!

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Recentemente, por indicação de uma leitora do English Experts, assisti a esse e esse vídeo sobre homeschooling. E foi aí que me lembrei de um filme que se encaixa perfeitamente no assunto.

Você já viu o filme Meninas Malvadas (Mean Girls, em inglês, com a Lindsay Lohan, Rachel McAdams, Tina Fey <3 e Amanda Seyfried)? Se nunca viu, deixa eu te explicar, pra entender o contexto do homeschooling: Cady Heron é uma garota americana que passou toda a infância e parte da adolescência na África e, por isso, estudou em casa por toda a vida. Ao retornar com os pais para os EUA, decide largar o estudo doméstico e entrar em uma escola pública.

Entretanto, com uma nova realidade no ar, Cady se vê envolvida em meio a fofocas e destilando muito veneno entre as meninas populares, prejudicando, dessa maneira, verdadeiras amizades. Gostar do garoto errado e ser reprovada em Matemática estão entre as duras realidades que enfrentou na escola. Seus pais já não sabem mais como reagir à nova Cady e até pensam em tirá-la da escola e voltar a estudar em casa, mas ela dá a volta por cima e aprende a lição.

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Esse filme, apesar de ser uma comédia, levanta alguns pontos defendidos pelos pais que aderem ao homeschooling com os quais acho interessante discutir sobre eles nesse artigo.

O que é homeschooling?

Homeschooling, conhecido como Ensino Doméstico em português, é uma prática secular nos Estados Unidos e alguns países da Europa, no qual substitui-se o ensino formal das escolas por estudar em casa, seja da pré-escola ao ensino fundamental, seja até o ensino médio.

Nos séculos XVIII e XIX, o hábito de ensinar em casa no lugar de ir às escolas – ou liceus – se dava através de professores particulares ou tutores, e era comum apenas entre as classes mais abastadas da sociedade.  Contudo, a partir do século XX, a prática se tornou comum também a qualquer classe social, passando essa função de ensinar não somente a pessoas oficialmente habilitadas, mas também aos pais e responsáveis.

Por que as famílias ainda optam pelo homeschooling, se o acesso às escolas formais hoje é tão fácil?

Se antigamente o homeschooling era comum em função do difícil acesso das crianças e jovens às escolas, atualmente o homeschooling é disseminado entre pais, professores e educadores como uma alternativa à educação formal oferecida nas escolas regulares.

As famílias adeptas ao homeschooling costumam optar por este tipo de ensino quando acreditam que a educação formal das escolas regulares não atende as necessidades educacionais dos filhos, uma vez que as escolas, pelo grande número de alunos em sala de aula, tornam-se deficitárias no ensino individual de qualidade, não respeitando o tempo e capacidade de aprendizado de cada aluno.

Assim, desde pequenos, quando os pais começam a educar os filhos em casa – a ler e escrever, por exemplo – e percebem que eles estão muito à frente em relação à série em que deveriam estar, os pais podem optar em mantê-los em casa, no lugar de matricular na escola e, dessa forma, garantem que o aprendizado do filho continue efetivo e de qualidade. Além disso, quando os filhos apresentam algum quadro de deficiência educacional – seja cognitiva, psíquica ou até física –, alguns pais também optam pelo homeschooling, para dar assistência integral ao filho e ajuda-lo a se desenvolver em seu tempo, sem se preocupar com situações como bullying ou dificuldade de acompanhar o resto dos colegas – o que normalmente costuma acarretar em um desencorajamento da criança e baixa autoestima.

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Há outros motivos pelos quais impulsionam os pais a educarem seus filhos em casa, como, por exemplo, quando desejam que eles tenham uma educação moral e religiosa que não existe nas escolas ou quando os pais são de culturas diferentes e gostariam que os filhos fossem educados nos dois idiomas – ou nos dois hábitos culturais. Ademais, quando os pais estão desacreditados nas instituições de ensino regulares, por acharem que estas influenciam de maneira negativa o comportamento dos filhos – pois no ambiente escolar podem estar suscetíveis à delinquência juvenil, uso de drogas lícitas e ilícitas, alvo de bullying, segregação cultural / racial / gênero / identidade sexual – é comum adotar o homeschooling. No caso do filme Mean Girls, a personagem Cady Heron sofreu uma má influência dos colegas “populares” da escola, e ela acabou modificando seu comportamento. Por fim, jovens atletas, modelos, atores, cantores que vivem viajando e ficam impossibilitados frequentar uma escola regular, costumam recorrer a estudos em casa com tutores.

Existe um método para homeschooling?

Não existe uma metodologia própria para o homeschooling, contudo os pais não vão dando aula na louca e seja o que Deus quiser! Há várias vertentes educacionais convencionais – Montessori, Waldorf, Educação Clássica, Trívio, Quadrívio – que os pais seguem, inclusive uma recente e bem interessante: unschooling. A metodologia unschooling, ou desescolarização em português, defende que chegar ao sucesso não precisa ser através de uma escola formal ou ensino convencional, então as crianças e jovens são livres para escolher o que desejam estudar, baseando em suas afinidades e a capacidade de aprendizado natural de cada ser humano.

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Independente da metodologia escolhida pelos pais, ela será sempre adaptada ao ambiente em que a criança ou jovem estuda, respeitando suas limitações ou expandindo até onde será capaz. Desse modo, o jovem consegue êxito nos estudos assim como os alunos de uma escola formal.

Quais são as vantagens e desvantagens do homeschooling?

Segundo os defensores da escola formal, o homeschooling seria ruim para as crianças e jovens, pois acreditam que os estudos em casa são limitados, tendo em vista que alguns pais não estão preparados para ensinar e aprofundar nas matérias, já que não são professores habilitados. Além disso, acreditam que essas crianças e jovens se tornarão antissociais quando adultos, em função da baixa interação social e do pouco convívio com outras pessoas da sua idade. Por fim, não estariam hábeis a lidar com desafios, pois o ambiente familiar não é hostil, e assim não obteriam êxito no ingresso da universidade e mercado de trabalho.

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Por outro lado, os defensores do homeschooling alegam que o ensino doméstico é extremamente saudável para os filhos, longe de situações que os coloquem em risco – más influências e bullying –, pois fortalece os laços familiares e aumenta-se o respeito na relação pai-filho. Os homeschoolers afirmam que os estudos em casa não são limitados, ao contrário, por seguir o ritmo do filho, ele poderá sempre estar à frente comparadas às crianças da mesma idade em escolas formais, pois recebem assistência constante e, caso o conhecimento se aprofunde a um ponto que nem o pai dê conta, tutores ou professores particulares são contratados para dar continuidade.

Os homeschoolers ainda defendem que seus filhos possuem alta interação social e que são capazes de dialogar com pessoas de diferentes idades, uma vez que convivem constantemente com outros jovens – visto que nas comunidades, famílias homeschoolers se juntam periodicamente para atividades conjuntas, viagens e estudos de campo – e com adultos também. Por fim, os homeschoolers comprovam que seus filhos são tão hábeis a ingressar em uma universidade quanto os alunos de escolas formais e, para completar, são mais focados, organizados e sabem lidar com situações cotidianas.

O assunto divide muitas opiniões. Lembra-se da história da Cady Heron? Os homeschoolers falariam:

“Tá vendo? Se a Cady tivesse ficado estudando em casa, nada disso teria acontecido.”

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Ao passo que os defensores da escola formal diriam:

“Mas se ela tivesse ficado o tempo todo em casa, nunca aprenderia a lição e diferenciar as pessoas boas das ruins!”

Como os homeschoolers comprovam que estão formados no ensino primário e secundário?

Enquanto alunos, as crianças e jovens realizam tarefas, exercícios e provas em casa com os pais e assim seguem os anos. Eles possuem férias, da mesma forma que os alunos de escolas formais, e no final do ensino médio são obrigados a prestar uma prova de admissão de curso superior, conhecida como SAT. O SAT funciona como o ENEM no Brasil e através dos pontos que se obtém na prova, o aluno estará hábil a pleitear uma vaga na universidade que deseja. Além disso, o SAT – assim como o ENEM – tem valor de comprovação de conclusão de Ensino Médio, logo, não é necessário passar por qualquer escola, apenas alcançar a pontuação mínima necessária para obter o certificado de conclusão de Ensino Médio.

Gostei da ideia… Posso fazer homeschooling com meu filho no Brasil?

O Homeschooling é proibido no Brasil, pois a lei brasileira postula que as crianças são obrigadas a estarem matriculadas em uma escola de ensino regular dos 4 aos 17 anos, caso contrário os pais podem ser processados por crime de abandono intelectual. Contudo, há um caso no Paraná e um em Serra Negra de pais que conseguiram ganhar na justiça o direito à educação domiciliar, por outro lado, uma família de Minas Gerais que tirou seus filhos da escola para serem homeschoolers foram condenados por crime de abandono intelectual.

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Já nos EUA a prática é totalmente livre em alguns estados, ou seja, os pais quem decidem que currículo escolar seguir; em outros estados, a prática é regulamentada, no qual o próprio governo estabelece um currículo educacional a ser seguido pelas famílias.

Participe nos Comentários

O homeschooling não é um hábito recente, mas ainda é pouco conhecido no Brasil. E você, o que acha sobre o homeschooling? Você é a favor ou contra? Seria capaz de tirar seus filhos da escola e dedicar boa parte do seu tempo para dar aulas a eles? Deixe seu comentário que estou curiosa para saber sua opinião!

That’s all!

Até a próxima.

Fontes:

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Camila Oliveira

Camila gosta de viajar, conhecer lugares, pessoas e culturas, ouvir música, sentir aromas, degustar sabores, saborear a vida, aprender novos idiomas. Não quer criar raízes, pois sabe onde é o seu lugar: o mundo.

12 comentários

  • 07/10/15  
    Gabriel diz: 1

    Pra variar o Brasil não teria suporte para tal adaptação, em muitos aspectos (MUITOS) o pais é muito retrógrado comparado ao EUA. E por aqui acho que não seria uma boa pois muitos iriam usar essa desculpa para não ir mais a escola pois o bullying pode abalar uma criança/adolescente e não teriam disposição (nem os pais e muito menos os filhos) de estudar em casa… Visto que professores particulares seriam caro e a maioria dos pais saem de manhã para trabalhar e chegam apenas a noite e dificilmente tem uma rotina com o filho…

  • 07/10/15  
    Rose diz: 2

    Eu sou a favor do homescholling.Porque aqui no Brasil em certas escolas o professor é pouco formado.Como exemplo as escolas públicas.Eu estudaria com meu filho sim.

  • 08/10/15  
    Elieder Ventura diz: 3

    Achei bem interessante o assunto. Mas penso numa “homeschooling” diferente. Em vez de os pais darem aulas para os filhos (o que no Brasil, de forma geral, seria um desastre. Sad but true!) seria interessante os pais terem a opção de professores darem aula em domicílio. Penso que as más influências nas escolas não “ensinam” tanto a ponto de valer a pena o risco que as crianças e jovens são expostos. Talvez diga-se que ficaria caro poder pagar professores particulares, mas creio que com a ajuda do governo e, talvez, alternando entre a homeschooling e uma escola formal (frequentando uns dias da semana a escola formal) seria possível alcançar essa modalidade. Isso possibilitaria que se incrementasse o aprendizado com aulas opcionais, como música, idiomas, ect… dando aos pais opções do que querem que os filhos aprendam. No meu caso, por exemplo, (opinião pessoal) acho perda de tempo estudar coisas como filosofia e inglês (pelo menos na forma como é feito nas escolas, pois acaba sendo necessário pagar uma escola de idiomas de qualquer forma). Sem sombra de dúvida o ensino individual é mais eficiente do que o coletivo. É uma pena nosso país não prover um ensino de alta qualidade e ainda proibir os pais de tentarem dar a seus filhos uma forma alternativa de educação acadêmica. De qualquer forma, isso não impede que os pais deem mais atenção aos filhos nesse aspecto. Nas escolas muito se reclama da falta de participação dos pais nas atividades escolares dos filhos, além de não apoiarem os educadores no processo de educação. Isso deixa claro que, na forma como foi explicado o homeschooling nesse post, não seria viável tal modalidade no nosso pais, afinal, se nem na forma atual os pais se envolvem na educação dos filhos, que dizer se precisassem ensinar-los por conta própria?!
    Parabéns pela matéria!!!

    • 08/10/15  
      Camila Oliveira diz:

      Wow, concordo plenamente com você!
      Fiquei até sem palavras, uma vez que nem tenho o que acrescentar ou discordar. Excelente colocação!

  • 12/10/15  
    SAUL BERDICHEVSKI diz: 4

    O problema social no brasil impede que este metodo de ensino seja possivel; os pais precisam trabalhar fora para manter as necessidades de bens de consumo nos seus lares. a renda do casal nao permite esta possibilidade . os pais nao tem formaçao cultural para transmitir para seus filhos os conhecimentos necessarios para a formaçao basica deles que os possibilitem a se habilitarem ja nas provas do enem. hoje os pais que possuem poder economico ja oferecem um estudo pararelo para que seus filhos tenham um aprendizado que melhor os capacitem para ingressarem num ensino superior. em sintese , nao temos cultura para uso deste aprendizado domiciar, unicamente!

  • 14/10/15  
    Adalton Roosevelt diz: 5

    Eu gosto muito da ideia. Um dos meus sonhos é educar meu filho, em casa, da melhor maneira possível. Não é uma prática fácil, visto que é necessário preparo e dedicação. Mas se os pais possuem a habilidade e são comprometidos, porque não?

    • 14/10/15  
      Alessandro Brandão diz:

      Oi Adalton,

      Eu também gosto da ideia. Não sei se existe aqui no brasil, mas nos EUA eles têm material didático para este fim e grupos de pais que educam seus filhos em casa. Assim fica mais fácil.

      Obrigado pelo comentário!

  • 21/10/15  
    Guilherme diz: 6

    Nossa quanto pensamento negativo… é fato que nosso contexto cultural e social isso parece difícil, mas não é impossível. Eu defendi a modalidade junto com o Adalton e o Alessandro, pois estou me formando em engenharia e me dei muito bem como autodidata. Creio que ensinarei meu filho e arrumadeira tempo e disposição sem inventar desculpas sociais ou culturais. Apesar de concordar que isso não seria adequado a todos.

    • 21/10/15  
      Alessandro Brandão diz:

      É isso aí Guilherme. Cada caso é um caso.

      Abs,

  • 04/11/15  
    Aldeni diz: 7

    Acho excelente, e conheco uma Familia muito proxima minha, que fez homeschooling com sua filha e hoje ja terminou ate a faculdade

  • 16/06/16  
    Glaucia Jardim-Marr diz: 8

    Eu sou completamente a favor, moro nos EUA, meu filho está aprendendo Português e Inglês, e eu acho fundamental ele aprender Português desde gramática a conversação. E se ele estudar em tempo integral numa escola americana dificultaria o aprendizado em língua portuguesa.
    Eu espero, sinceramente, que o Brasil um dia seja evoluído o bastante pra adotar esse método de ensino.

    • 20/06/16  
      Camila Oliveira diz:

      Hey Glaucia, how are you?
      Muito legal a sua iniciativa de querer preservar ambas as línguas para seu filho, tenho certeza que está fazendo um ótimo trabalho e uma sábia decisão!
      Acredito que somos evoluídos aqui no Brasil, o que falta é uma evolução política, que por sua vez, irá mudar o cenário da educação do Brasil! =)