Mitos e Verdades no Aprendizado de Inglês – Parte 2 de 3

Este é o segundo artigo da série Mitos e Verdades no Aprendizado de Inglês.

MITO 2: Inglês é fácil de se aprender

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“Manolo, você já tentou aprender alemão? É muito difícil, cara… Inglês é muito mais fácil!” Muitos de nós já ouviram coisa parecida, mas não há muito fundamento linguístico para se afirmar isso. Para entendê-lo, é preciso compreender que ninguém aprende uma língua, o que aprendemos são pequenos mundos (chamados em Linguística de campos semânticos ou campos conceituais) dentro de uma língua. A isso equivale dizer que não é possível ser 100% proficiente em qualquer área de uma língua. Eu sou perfeitamente capaz de fazer uma palestra sobre a minha área em inglês, mas completamente incapaz de falar sobre moda ou mesmo de dar uma receita mais complexa em inglês, simplesmente porque não domino esses campos conceituais, nem em português, nem em inglês. As instituições que “medem” fluência em inglês, os famosos exames de proficiência, fazem, na verdade, uma avaliação do grau de competência linguística/comunicativa nos principais campos conceituais, nos mais utilizados no dia-a-dia, enfatizando vocabulário corriqueiro. Passar num exame de proficiência não quer dizer necessariamente que uma pessoa seja capaz de falar sobre mecânica, arte, filosofia, medicina ou informática em inglês.

Mas como se estabelece a “simplicidade” ou a “complexidade” de um idioma? Linguisticamente falando, nenhuma língua é mais difícil ou fácil que outra. O inglês tem um sistema de flexões verbais bastante simples, não possui subjuntivo marcado (com exceção de alguns resquícios do Middle English, como “God save the Queen”), só possui uma marcação de pessoa (o da 3ª pessoa do singular), e nem sonha com os tempos verbais latinos mirabolantes do português, como o medonho “futuro do subjuntivo” (para o qual o inglês utiliza o simple present – “Se tiver dinheiro, vou te ajudar” > “If I have the money, I’ll help you out.”) ou o hediondo “infinitivo pessoal” (“Isso é para nós fazermos”). Por outro lado, o inglês é uma língua relativamente complexa no que diz respeito ao uso de preposições (o português tem por volta de 25 preposições, enquanto o inglês tem mais de 100, se contadas as locuções preposicionais). O uso de in, on e at é motivo de insônia para muitos aprendizes de inglês.

Em 1887, o polonês Ludwik Zamenhof publicou os esboços do que seria conhecido como Esperanto, uma língua artificial, criada por ele, que tinha como escopo ser simples de se aprender (apenas 10 regras gramaticais, sem exceções) e universal. O que aconteceu? O Esperanto nunca vingou, em parte por falta de interesse político, em parte porque, sendo uma língua derivada de várias línguas europeias – germânicas, latinas e eslavas, acabou resultando num sistema tão difícil quanto o de qualquer outra língua natural.

As línguas são complexas porque a comunicação do homem é complexa, e deve possibilitar um número inacreditável de combinações, sentidos denotativos e conotativos, deve permitir que sua estrutura seja usada para produzir humor, arte, criatividade. Em suma, qualquer língua é difícil.

O que nos faz pensar que certas línguas sejam mais fáceis que outras (o que pode não passar de uma ilusão cognitiva) seja talvez a proximidade ou a exposição. Aprender espanhol é para nós, brasileiros, inegavelmente muito mais simples que para um russo. Um dinamarquês não precisa lá de muito esforço para aprender sueco ou norueguês. É relativamente fácil, para um ucraniano, aprender russo. Línguas estrutural e historicamente próximas são mais simples de se aprender. Por outro lado, a exposição ao inglês na sociedade ocidental (e agora também na oriental) é tão intensa que, por vezes, temos a impressão de já saber inglês mesmo sem estudá-lo. Segundo um levantamento empírico que fiz certa vez, um brasileiro de classe média que nunca estudou inglês na vida conhece cerca de 200 palavras em inglês (embora não as pronuncie corretamente). Obviamente será sempre mais simples aprender um idioma ao qual somos mais expostos, e no qual há material audiovisual e textual em qualquer esquina.

Amanhã vou falar sobre o mito “Posso aprender inglês em 3 meses”.

Por enquanto aguardo comentários sobre o assunto abordado hoje.

Até a próxima!

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Sobre o Autor: Rafael Lanzetti é Mestre em Linguística Aplicada/Tradução pela UFRJ, professor de cursos de gradução e pós-graduação nas áreas de Tradução, Linguística e Estudos Culturais. Trabalha com formação de professores de línguas estrangeiras há 10 anos. Nas horas vagas, é músico e produtor de trilhas para filmes e jogos.

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33 comentários

  • 21/09/10  
    Maite Tosta diz: 1

    Prezado Rafael, tenho acompanhado esta série Mitos e Verdades com muito interesse. Acho ótimos que alguns mitos caiam por terra, para o bem dos aprendizes. Parabéns pelos artigos !

  • 21/09/10  
    Aline Simão diz: 2

    Rafael, possso por experiência própria concordar contigo sobre este assunto. Embora há algum tempo atrás eu pensasse que sim, uma língua é mais difícil de aprender que outra. A questão é que a partir do momento em que nosso aprendizado vai evoluindo as coisas tornan-se mais fáceis. Um exemplo é o próprio aprendizado de Língua Portuguesa, quando começamos a aprender as inúmeras regras gramáticas elas parecem difíceis, porém ao passo que aprendemos uma, a seguinte (que é a continuidade da 1ª) torna-se mais fácil e assim sucessivamente. Enfim, gostaria de dizer que achei muito bom o teu artigo. Congratulations!!!

  • 21/09/10  
    cleonice diz: 3

    Dear Alessandro.
    Wow…. this article comes just in time. It’s what I think about learning a foreign language mainly English , my favorite.
    I couldn’t agree more. Tks again for your huge generosity by sharing interesting things with us
    B. Rgds/ Cleo.

  • 21/09/10  
    Nayla diz: 4

    Parabéns a todos que refletiram sobre o tema apresentado em todas as partes. É preciso, em qualquer aprendizagem, observar a globalidade inerente ao que se quer, ao que se faz e como estamos agindo para alcançar nosso objetivo. Aprender mais e melhor e obter sucesso significa estar atento, ficar ativo e consciente no processo. O limite de nossa consciência está na vontade e atitude positiva de conhecer mais, desenvolver muito e continuar se aprimorando.

  • 21/09/10  
    Caio Cesar diz: 5

    Realmente não existe um fator linguístico que determine tal diferença nas línguas em relação à dificuldade de aprendizado, é mais uma questão de contato e proximidade mesmo. Um artigo muito interessante, com certeza!

  • 21/09/10  
    Wilian diz: 6

    Ola Alessandro, parabéns pelo artigo muito interessante. Concordo com a parte que diz que temos mais facilidade deapredermos uma lingua a qual estamos mais expostos. Pois desde criança escuto músicas e presto a atenção nas letras das músicas e sinto certa facilidade para ouvir a lingua inglesa, porém quando o audio é o falado (coloquial) sinto uma dificuldade maior.

    Gracias

    Wilian.

  • 21/09/10  
    Thiago R. Moreira da Silva diz: 7

    Rafael, Parabéns pelo artigo cara. Muito explicativo, fico no aguardo do post de amanha. Grande Abs. Thiago.

  • 21/09/10  
    Allisson Souza diz: 8

    Perfeito Rafael!
    Estou fazendo Licenciatura em LI (Língua Inglesa) e já sabia disso, mas muitas pessoas dentro da minha facu ainda pensam q espanhol, por exemplo, é mais fácil q o inglês. Td língua tem suas especificidades, portanto, ñ se pd dizer q esta ou aquela língua é melhor ou mais fácil! Artigos como este são muito importantes!
    Thx boy

  • 21/09/10  
    thiago diz: 9

    Caro amigo, você esclareceu umas duvidas minha.
    Muito obrigado e cangratulations!!!!!!

  • 21/09/10  
    The freedomly. diz: 10

    The topics above is too much interesting.
    I always use to say, that translation from an idiom to another one, it doesn’t exist.
    What it really there is, it is an adaptation.
    Imagine that if somebody would put this into the portuguese language, example of phrasal verbs and idioms: ( i makeout double dutch, putting up with the thumbnail sketch.)
    Impossible to traslate into portuguese, but easyly to adapt into portuguese and into english its self. Meaning: i understand incomprehensive talk, tolerating with the main details.
    Of course! It is just an example, nobody would talk like that in normal dialogue day by day, unless, in learning idioms, then possibly talking to other people.

  • 21/09/10  
    Fernando diz: 11

    Grande Rafael.

    Eu virei teu fã desde aqueles vídeos respostas ao maluco aquele das tabelas de sons em inglês… Não consigo mais esquecer o buisseness dele…heeheh

    Parabéns pelo artigo…Muito bom mesmo…

    Estou acompanhando….

    Abraço,

  • 21/09/10  
    RENE DA SILVA diz: 12

    Excelente exposição. Texto claríssimo e envolvente posto que extremamente convicente. Parabéns ao professor.

  • 21/09/10  
    Gustavo Castilho diz: 13

    Muito bom o conteúdo dessa série. O mais completo e explicativo que ja vi.
    Está de parabéns Rafael.
    Abraços

  • 21/09/10  
    João B. L. Ghizoni diz: 14

    I can’t miss the opportunity of congratulating you again on your way of thinking and exposing your viewpoint, Mr. Lanzetti. Thanks a lot for sharing such good knowledge with us.

  • 21/09/10  
    Thiago Vinicius diz: 15

    obrigado por compartilhar seu conhecimento Lanzetti…tb fikei fan depois dakeles videos replicando o charlatão lá… vlw!

  • 21/09/10  
    karolus diz: 16

    Los dos artículos me parecieron muy verdaderos y oportunos. También los verbos en español, como en portugués, poseen tiempos difíciles de entender y de aplicar, inclusive para los propios nativos de la lengua!!!
    Muy importante destruir estos mitos, pues o desaniman a quienes desean estudiar, como bien se señala respecto al alemán, o los ilusionan con un estudio “fácil y cómodo”, en x días… Eso no existe!!!
    Felicitaciones !!!

  • 21/09/10  
    Francisco Vorcaro diz: 17

    Talvez falar uma língua seja mais difícil do que aprender sua escrita propriamente dita. A língua chinesa é muito fácil de aprender. O segredo consiste basicamente em reconhecer os cinco tons.

    Mas isso tudo? Sim! Porém, e daí? O português também tem alguns tóns. É e ê não se pronunciam da mesma forma, ão e ao também não.

    E eu fico muito feliz com a facilidade que o Rafael possui de nos encentivar a aprender mais, cada vez mais sempre…

    Um abraço,
    Francisco.

  • 21/09/10  
    denise diz: 18

    Tenho feito, com a ajuda do English Experts, um estudo intensivo de vocabulário. Parei de me preocupar tanto com a estrutura gramatical e parti para o vocabulário, com o qual vou construindo frases e acertando a gramática. Esse comentário sobre os estudo da língua me deixou muito mais motivada porque descobri que não é um problema meu a dificuldade que sinto de comentar assuntos diversos em inglês. Falo bem, escuto, traduzo, mas, diante de uma situação em público, sinto-me um pouco travada com o uso do vocabulário. Muito bom, vou estudar bem mais tranquila.

  • 21/09/10  
    Claudio Victor diz: 19

    Parabéns Rafael! Estou gostando muito dos mitos e verdades sobre o aprendizado do Inglês.
    @Denise O mesmo acontece comigo, Denise. Costumo saber como pronunciar as palavras, as formas gramaticais, um pouco de vocabulário, mas quando eu vou FALAR, até mesmo com meus amigos em Inglês, eu travo! :/

  • 21/09/10  
    fatima...... diz: 20

    concordo contigo…Rafael…realmente aprender um idioma vivendo mais perto desses povos…bem menos complicado, porem nunca completamente dominado….concordo plenamente em tudo que disse.

  • 22/09/10  
    Rafael Isquierdo diz: 21

    Nice article ! I totally what Rafael said. What makes the language hard to learn is how close your main language is from it.
    In Brazil for example, every place you go, everywhere you look or everything you see on the web or outdoor, you`ll certainly find something in English. I have some friends that got used to say some words in English on their daily life. Words like, more, nice, kiss, hug.
    In the end English is in everywhere when you gotta learn it and get used to it.

  • 22/09/10  
    Patricia diz: 22

    Excelente artigo, um dos melhores que já li sobre o grau de dificuldade para se aprender uma língua.

  • 23/09/10  
    Dicas de Inglês - Mitos e Verdades no Aprendizado de Inglês – Parte 3 de 3 diz: 23

    […] da parte 1 sobre o mito “para aprender inglês, preciso aprender a falar o idioma” e da parte 2 sobre o mito “inglês é fácil de se aprender” antes de ler o texto […]

  • 23/09/10  
    claudia gibrail diz: 24

    Olá. Nao li o primeiro artigo, apenas o segundo e gostei muito. Muito bem embasado, realmente um “eye opener” pra quem está no mundo de EFL.Parabéns

  • 24/09/10  
    Jane Cristina diz: 25

    Fiquei muito gratificada por seus comentários com relação a dificuldade de aprendizado de uma língua, pois por prazer, estou mais uma vez tentando aprender inglês, só que agora com ajuda de um curso convencional no Wizard e estou adorando, mas me achando extremamente limitada pela lentidão do aprendizado. É bom saber que é normal.

  • 24/09/10  
    Jonathan Costa diz: 26

    Hi Rafael, I’d like to thank you for your excellent contribution when you decided to write this series ” Miths and Truths…”. Now i understand why i’ve always thought that English was easier to learn than French or German, for example.
    Now I’m learning french and i’m having a great experience, but i’ll never leave my english estudies behind.
    Take care!

  • 25/09/10  
    Angela diz: 27

    Realmente estou encontrando muita dificuldade
    para aprender mas, estou
    ‘metendo o pé” com vontade.

  • 28/09/10  
    Dicas de Inglês - Quando o artigo THE é desnecessário diz: 28

    […] li a frase: “If I have the money, I’ll help you out.” na dica “Mitos e Verdades no Aprendizado de Inglês – Parte 2 de 3“, lembrei logo do meu amigo, ele ia dar uma boa risada (como ele sempre fez quando eu […]

  • 28/09/10  
    jitana diz: 29

    Muito interessante esse tópico. Gostei.

  • 29/09/10  
    Marcos Loureiro diz: 30

    Fantastic! It’s true that’s difficult to learn English, but is very important to learn, if you really want to study with dedication and love!

  • 29/09/10  
    Carlos diz: 31

    Estou no inicio,mas estou adorando as dicas estão de parabens.obrigado…

  • 30/09/10  
    Layse diz: 32

    Rafael, muito obrigada por abrir os caminhos para milhares de aprendizes através do EE. Sua contribuição é muito significativa a todos nós.
    Muito obrigada mesmo!

    =)

  • 14/10/10  
    Thaisa diz: 33

    Olá, estou adorando essas dicas de mitos para aprender inglês! acredito que este conteúdo contribuirá para o meu projeto de pesquisa.