Não Sei Falar Inglês: Quem é o Culpado?

Como coordenador e moderador de fóruns online, tive contato, nos últimos anos, com muitos estudantes, professores e outros profissionais da área de idiomas. Acabei conhecendo também muitas pessoas frustradas na sua tentativa de dominar uma segunda língua – boa parte delas em vias de desistir desse grande sonho. A história é quase sempre a mesma: várias tentativas, muitos cursos, muito dinheiro gasto e o pior de tudo, muito tempo perdido.

Se você já passou anos tentando aprender um idioma e já gastou o que tinha e o que não tinha, acredito que vale a pena reservar um tempo para rever suas estratégias. Vamos lá?

Alunos na sala de aula

Quem é o culpado?

Por trás de toda história de insucesso no aprendizado de idiomas sempre há um culpado e as desculpas se apoiam nele. Confira algumas:

  • Estudei inglês no ensino médio, mas nunca aprendi nada – o inglês de escola não presta;
  • Já passei por vários cursos, gastei rios de dinheiro e não consegui passar do intermediário – os cursos só querem o meu dinheiro;
  • É muito difícil aprender inglês no Brasil, não tenho contato com nativos para praticar – sem fazer um intercâmbio nunca vou aprender;
  • Nunca tive condições financeiras de pagar um bom curso, por isso não aprendi – sou uma vítima do sistema;
  • Minha vida é muito corrida, eu não tenho tempo para estudar – preciso parar para estudar, mas não consigo;
  • Eu não consigo aprender por nada nesse mundo, não tenho o dom – não nasci para isso.

Sugiro que faça um exercício rápido: faça uma retrospectiva de tudo que você passou até hoje com o estudo de idiomas. Pegue papel e caneta e anote todos os “vilões”, todas as suas frustrações e por que acha que ainda não fala tão bem quanto gostaria.

Anotou tudo? Agora deixe essa folha de papel aí do seu lado, daqui a pouco vamos retomá-la.

Anotar no caderno

Mapa de poder

O mapa de poder classifica a nossa vida em três áreas: zona de controle, zona de influência e meio ambiente. Entender cada uma delas poderá ajudá-lo a evitar frustrações não apenas nos idiomas, mas em qualquer área de sua vida. Explico cada uma delas a seguir:

Zona de Controle: Existem algumas coisas na vida sobre as quais o indivíduo tem total controle. Qualquer pessoa pode escolher quem serão seus amigos, com quem vai se casar, como vai gastar o seu dinheiro, qual roupa vai vestir, qual idioma quer aprender e por aí vai.

Zona de Influência: Um pai pode influenciar o filho a estudar, mas não pode obrigá-lo. Um irmão pode influenciar o outro a fazer determinado negócio, como, por exemplo, comprar uma casa em determinado local. Um marido pode tentar convencer a esposa a fazer exercícios físicos. Nessa área não temos controle total, há influência, não domínio. Aqui as coisas não são tão previsíveis.

Meio ambiente: são aquelas áreas da vida que afetam o indivíduo, porém sobre as quais ele não tem controle algum. Uma crise na Europa pode afetar os seus negócios e não há o que fazer para evitá-la, só é possível reagir ou se preparar para ela. Outro exemplo clássico é que um torcedor não tem controle algum sobre o resultado de uma partida de futebol, permanecer na frente da TV não vai alterar o resultado do jogo.

A frustração vem quando tentamos controlar coisas que não dependem exclusivamente de nós. Um pai pode influenciar um filho, mas o que ele vai fazer da vida é uma decisão dele. Um marido pode influenciar a esposa, mas ela vai fazer o que lhe é mais conveniente. Não alimente a frustração por coisas que você não pode controlar.

Pegue aquela folha de papel e risque tudo aquilo que você não tem 100% de controle e veja o que sobrou: é nisso que tem que trabalhar. Acho que já sabe onde eu quero chegar – estamos quase lá.

Quero propor que tire a carga das costas do professor, do curso e comece a assumir a responsabilidade pelo seu sucesso ou fracasso no aprendizado de idiomas. Nenhum professor é capaz de ensinar um idioma por inteiro. Assuma a responsabilidade e pare de se ver como vítima.

Sim, existem professores pouco preparados, escolas de baixa qualidade e cursos elaborados com o intuito de manter o aluno pagando por anos e anos. Esse tipo de situação, contudo, não é exclusividade da área de idiomas e nem é motivo para ficar se lamentando.

O maior responsável pelo seu aprendizado é você mesmo. Não gosta do professor, troque; não gosta do curso, escolha outro; quer aprender por conta própria, dedique-se. Na hora da entrevista de emprego o recrutador não vai se interessar em saber quem foi enganado ou é “vítima do sistema”, passa o melhor e ponto final.

Pense nisso…

Aprenda mais

Gostou desse artigo? Ele é parte integrante do ebook “Aprendendo Idiomas por Conta Própria” que está disponível na Área Premium do English Experts.

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Alessandro Brandão

Alessandro Brandão é coordenador do English Experts e do Fórum de idiomas. Trabalha também em projetos na área de Comércio Eletrônico e Ensino a Distância (EaD).

23 comentários

  • 16/09/15  
    Bruno Eric diz: 1

    Muito bom este tópico, sou novo aqui no english experts, e o conteúdo e as dicas são excelentes parabéns!

  • 18/09/15  
    Nadir Souza diz: 2

    Ótimo ! Como professora vejo que atualmente são poucos os alunos que se dedicam e se empenham em atingir suas metas, porém, acredito que as exigências atuais de mercado os façam refletir melhor e procurem administrar melhor seu tempo. Obrigada pelo artigo. Mto útil !

  • 18/09/15  
    Renata Espíndola diz: 3

    Aprendi inglês dos oito aos dezesseis anos e depois só o utilizei em leituras técnicas, uma ou outra música e perdi a fluência. Entretanto, tenho quarenta e três anos e consigo assistir a uma palestra perdendo poucas expressões ou palavras, ainda que morra de vergonha em falar.

    Há pouco tempo atrás consegui travar uma conversa básica com um filipino que veio ao país como voluntário e temo o dia que terei que fazê-lo numa entrevista de emprego. Todavia, sempre usei softwares em inglês para me forçar a ver o idioma e interagir, tento ler outras coisas que não sejam literaturas técnicas em inglês para praticar, tenho amigos de diversas partes do mundo e usamos o inglês para nos unir.

    Então acho que para aprender inglês tem que ter vontade mesmo, mudar a mentalidade que seja algo difícil (Cálculo é muito mais…rs), estar aberto a errar e se corrigir, a tentar novas abordagens, “fazer o dever de casa” sem culpar isto ou aquilo. Ninguém vai te julgar antes de você mesmo e sabemos o quanto podemos ser duros conosco sem ajuda externa… Acredite! Você é capaz!

    O English Experts é maravilhoso ao nos ofertar um aprendizado complementar e agradeço muitíssimo por isto.

    • 23/09/15  
      Antonia diz:

      Será que ainda consigo?? Infelizmente sinto que perdi muito tempo, hoje aos 46 anos, sinto muito falta de não ter me dedicado mais a aprender outro idioma. Profissionalmente me faz muita falta e perdi várias oportunidades. Gostaria de saber se há alguém que tenha começado tarde assim como eu e o que acha a respeito?

    • 16/03/16  
      Glória Gomes diz:

      Hi, girls! Lol
      Antônia e Valéria, nunca é tarde pra estudar! Tenho 53 anos e voltei a me dedicar ao inglês. Desta vez, sozinha. Há 20 anos frequentei um curso. Eram quatro aulas diárias, por quase oito meses. Foi muito bom. Aprendi muito.Mas interrompi os estudos por questões emocionais. Houve um assalto no local do curso e os alunos se tornaram reféns, inclusive eu. A partir daquele dia, não quis mais saber de inglês. Mas consegui superar o trauma e voltei a treinar. E olha o melhor: ainda arrumei um namorado canadense, que está me ajudando muito. Ele ainda não fala, nem escreve nada em português. Portanto, isso me ajuda bastante a praticar o inglês. Tô no lucro rsrs Às vezes, ainda tenho bloqueios para falar, mas não vou desistir! E vcs também não devem! Kisses and hugs.

    • 24/09/15  
      Valéria diz:

      Antonia, meu sonho desde a adolescência é falar em Inglês. Por vários motivos a realização deste sonho foi adiado. Atualmente, estou participando de um curso de Inglês e estou feliz. Tenho aprendido bastante. Minha dificuldade é o listening e speaking (porque sou tímida), mas decidi que vou aprender e não vou desistir. Estou vencendo minha timidez aos poucos, principalmente porque meus colegas de turma são jovens (entre 15 e 25 anos e eu tenho 60 anos). Eles me deixam bem à vontade. Procuro participar de todas as dinâmicas que a professora desenvolve em sala de aula e procuro estudar bastante em casa através do Internet.
      Antonia, no ano passado conclui meu curso de pós graduação. Os colegas de turma tinham idade de ser meus netos. Enquanto eles levavam as aulas na brincadeira, eu levava a sério. Com isso tirei ótimas notas. Vá em frente! Não desista! Boa sorte!

  • 18/09/15  
    Marta diz: 4

    É isso aí. Sempre passo essa mensagem para os meus alunos. Um professor pode ensinar a matéria, mas ele possui limitações. A aprendizagem realmente é algo solitário. Nenhum professor ensina se você não percorrer o caminho do estudo e da dedicação. O professor mostra o caminho. Você tem que percorrê-lo.

  • 18/09/15  
    nivaldo anisio diz: 5

    Se pela introducao gostei. Como adquirir o livro citado, morando aqui no USA e ainda tentando falar ingles? Obrigado

  • 12/10/15  
    Roniel diz: 6

    Excelente Artigo Alessandro!

    • 13/10/15  
      Alessandro Brandão diz:

      Oi Roniel,

      Obrigado pelo comentário.

  • 08/02/16  
    Rachel Maria Garcia diz: 7

    As dicas que tenho recebido são excelentes!
    O curso Englishtown é EXCELÊNCIA em metodologia, em atendimento ao aluno e em qualidades outras que só fazendo o curso para saber seu real valor.
    Aproveito a oportunidade para agradecer e parabenizar os professores que têm corrigido meus textos. Sou professora especialista em correção de textos em português, posso afirmar que tenho apreciado muito o trabalho deles. Obrigada! Rachel

  • 26/04/16  
    Lara Costa diz: 8

    Realmente! Acredito que esse tópico foi pra mim, pois confesso que acontece boa parte dessas coisas comigo. Eu nao me esforço para aprender Inglês. Queria saber tudo ligo, mas sei que não dá pra ser assim de qualquer jeito. Tem que ter dedicação e foco, mas o ser humano, às vezes, complicated muito o que era pra ser bem fácil, como eu. As desculpas são as nossas companheiras.

    • 26/04/16  
      Camila Oliveira diz:

      Hey Lara, concordo com o que disse. Acabo deixando minha ansiedade tomar conta e me fazer perder o foco nos estudos também. Ter consciência de nossas desculpas é o primeiro passo para mudar nossa mentalidade e criar novos hábitos, acredito que você já esteja no caminho certo! =)

  • 27/04/16  
    Jcoliveira Oliveira diz: 9

    Tenho 62 anos e há 3 tento, aprender. Já fiz 8 meses de Englistown, tentei sozinho uns 2 anos e agora estou num curso presencial, mas não consigo ouvir os áudio do curso sem antes ler o description. Até as frases mais comum.
    Esta semana uma filipense perguntou-me . do you speaker English? e eu só entendi a palavra speaker. Será que eu vou conseguir ir em frente? kisses and a great hug.
    José Cáudio.

    • 27/04/16  
      Camila Oliveira diz:

      Hello José Cláudio, how are you?

      Todos nós temos dificuldades em aprender uma segunda língua, eu também passei por situações parecidas. Sugiro que continue estudando, pois o sucesso vem para aqueles que não desistem!

      Além disso, sugiro que participe sempre das nossas discussões no fórum, faça uso da nossa ferramenta Meu Vocabulário (que será extremamente útil para você, em função do que relatou aqui) e também da nossa Área Premium. Confira tudo isso aqui: http://www.englishexperts.com.br/premium/ e me conte depois o que achou, pois acredito que seja o que falta para você avançar em seus estudos!

      Espero ter ajudado!

      See ya =)

  • 04/05/16  
    Cristiane Lemos diz: 10

    Estou tentando aprender inglês só para obter mais conhecimento.Etou indo devagar, sem o mínimo de preocupação.Valeu a dica!

    • 11/05/16  
      Alessandro Brandão diz:

      Cristiane,

      Ao evitar a ansiedade você melhora muito o aprendizado.

      Bons estudos!

  • 04/05/16  
    Cristiane Lemos diz: 11

    Obrigada!

  • 30/05/16  
    Juciléia Jjs diz: 12

    Muito bom esse texto!

  • 12/07/16  
    Jose Nvidi diz: 13

    Gostei do artigo, isso ai é verdade, O que nós necessitamos mesmo é sabermos o caminho e o resto é aprofundando sozinho com ajuda de algumas pessoas habilitados como você Alessandro, parabéns e obrigado por esta ajuda…

    • 12/07/16  
      arbsoft diz:

      Oi Jose,

      Obrigado pelo comentário. Volte sempre!

  • 01/09/16  
    RicardoCir diz: 14

    Gostei do artigo Alessandro. Para melhor fundamentar seus argumentos sugiro que aponha referências bibliográficas quando necessário nos vários artigos, como exemplo na citação as zonas de controle, influência e meio ambiente. Abs!

    • 01/09/16  
      Alessandro Brandão diz:

      Oi Ricardo,

      Para elaborar este artigo em me inspirei num curso que fiz sobre empreendedorismo. Na época em que escrevi o artigo, eu até procurei referências sobre as zonas de controle, influência e meio ambiente, mas não encontrei. Caso encontre fontes confiáveis compartilharei aqui.

      Muito obrigado pelo comentário. Volte sempre!

      Abraço,