O Fracasso do Ensino de Idiomas no Brasil

Navegando pelo site do Ricardo Schütz, o English Made in Brazil, eu li um relato muito interessante escrito por José Carlos. No texto ele faz um desabafo e conta sobre sua frustração com relação ao ensino de idiomas no Brasil. Assim como ele, acredito que muita gente nutre o mesmo sentimento com relação às escolas de idiomas tradicionais. Então vamos aprender com a experiência de quem já passou pelo processo e evitar o mesmo fim.

Leia abaixo alguns trechos do relato escrito por José Carlos

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É possível um profissional já contaminado por tantos cursos (…., ……, ….. …….. ……-…, …… …….. ……-…, ……., ….., etc.), que chega ao inicio do avançado e quando, por alguma razão, pára 6 meses, tem que recomeçar do básico? Como vocês tratam um aluno nestas condições? É um aluno-problema ou um aluno-desafio? Porque se vocês repetirem aquela de que tudo depende do aluno ou que tem que pensar em inglês (morando no Brasil), eu desisto de uma vez e não preciso de escola. Junto uma grana e um dia vou morar nos EUA. Na verdade o que eu quero saber é se é possível me comunicar em inglês vivendo no Brasil e, claro, se vocês conseguem realizar tal façanha.

Já cheguei uma vez a acreditar no método de inglês “aprenda dormindo, sem esforço”. Achava uma proposta fantástica. Já não tinha muito tempo mesmo e um método daqueles era tudo que eu precisava. No início tive muita insônia com aquele troço no ouvido, tentando entender como dormindo o inglês entraria no meu imaginário. Com o tempo meu sono passou a ser normal, inclusive meu desempenho em inglês, ou seja, nenhum avanço. Naquela época (anos 70) não havia o PROCON para reclamar de propaganda enganosa.

Não obstante seja graduado em análise de sistemas, pós-graduado em comércio exterior e graduando de direito (7º semestre) e tenha feito uns 35 cursos de aperfeiçoamento, já tive algumas oportunidades profissionais perdidas pelo fato de não ter fluência em inglês. É desesperador. Você tem experiência e conhecimento muito mais do que outros candidatos, e o cara te diz que embora teu currículo seja excelente, é preciso ter um certificado TOEFL, Cambridge, etc. e o teu background vai todo pro lixo. Vale dizer que minha trajetória acadêmica foi toda errada. Primeiro eu deveria ter aprendido inglês, de verdade, e depois partir prá outra coisa. Desculpe, tomar o tempo de vocês. Mas quem sabe há uma esperança. Um dia vocês se reúnem e chegam à conclusão de que o caso do José Carlos é até muito comum no Brasil e ele não está sozinho nesta situação.

A resposta dada foi a seguinte:

É inegável o fato de que a qualidade do ensino de línguas em geral no Brasil poderia ser muito melhor). O que a ciência da lingüística aplicada preconiza há mais de 10 anos, e o que o mundo globalizado de hoje exige, raramente está presente aqui, tanto nos populares cursinhos de língua estrangeira, como em programas universitários que se propõe a formar professores de línguas; e muito menos na escola secundária.

A preocupação maior de parte dos cursinhos tem sido padronizar para poder disseminar e controlar. A aderência a pacotes didáticos pré-determinados facilita a proliferação do negócio através de redes de franquia, uma vez que abre mão parcialmente do requisito de qualificação do franqueado. Ao invés de se apoiarem em profissionais competentes e permitir-lhes autonomia, padronizam e apoiam-se em marcas que são sustentadas comercialmente por vultosas verbas publicitárias. A ênfase no material (Livro 1, 2, 3), por outro lado, facilita o controle sobre a receita financeira do franqueado.

Em paralelo a isso, o ensino de línguas estrangeiras é uma área de atividade muito vulnerável ao comércio inescrupuloso e amador por ser um serviço cuja qualidade é difícil de ser avaliada pelo cliente. A ele é vendido como se pão quente fosse; e só depois de anos, como você, vai dar-se conta de que não produziu o efeito esperado.

São esses fatos que nos permitem levantar a hipótese de que a receita pedagógica predominante, ou é ineficiente por incapacidade de seus autores, ou tem um objetivo mais comercial do que educacional. (É sempre injusto, entretanto generalizar, pois é inquestionável também o fato de que existem alguns institutos e muitos instrutores indiscutivelmente sérios e competentes.)

O exemplo por você citado do “aprender dormindo” é um bom exemplo que vem a confirmar nossa hipótese sobre a desenfreada priorização do comercial sobre o acadêmico no ensino de línguas no Brasil.

Quanto ao seu histórico no estudo de inglês, nosso diagnóstico é de que houve de parte de seus instrutores excessiva preocupação com language learning (estudo convencional, acúmulo de informações a respeito da estrutura do idioma) e poucas atividades que lhe possibilitassem language acquisition. Veja Language Learning x Language Acquisition e Retrospectiva do Aprendizado de Línguas sobre esse assunto.

Outro fato a considerar é que esses cursos, uma vez que atrelados a um plano didático único, também estabelecem um ritmo único. Isto é, são calibrados para pessoas normais, com ritmo de aprendizado normal, não respeitando o ritmo de assimilação daqueles que precisam de mais tempo, nem explorando o talento dos mais rápidos. Num programa desses, é comum o aluno lento (essa lentidão às vezes é temporária) ser passado ao nível seguinte mesmo sem ter mostrado o desenvolvimento necessário, simplesmente porque tudo é padronizado, correspondendo cada grupo a um nível, e fazer o aluno rodar seria perder um cliente. Talvez isso tenha ocorrido com você, o que explicaria o fato de ter alcançado um nível avançado num curso e ser avaliado como iniciante em outro. É possível também que devido à acirrada concorrência entre estes cursos em rede, seu desenvolvimento não seja reconhecido por ser resultado da receita de um concorrente.

Sua constatação de que no mercado de trabalho e no mundo de hoje inglês tornou-se uma qualificação básica tão indispensável a ponto de comprometer toda uma formação acadêmica e profissional, é uma verdade incontestável. É verdadeira e perspicaz também sua opinião de que talvez devêssemos nos preocupar com essas qualificações básicas durante nossos anos de escola primária e secundária, antes de iniciarmos nossa trajetória acadêmica, mesmo porque domínio sobre o idioma da comunidade global é hoje indispensável como instrumento acadêmico e ferramenta profissional.

I hope that helps!

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Alessandro Brandão

Alessandro Brandão é coordenador do English Experts e do Fórum de idiomas. Trabalha também em projetos na área de Comércio Eletrônico e Ensino a Distância (EaD).

11 comentários

  • 15/05/07  
    Anonymous diz: 1

    E infelizmente nessa semana terei que fazer uma campanha publicitária para uma dessas terríveis escolas “felizmente não sou um profissional exemplar “.

  • 15/05/07  
    Glória Larangeira diz: 2

    Também sinto esta mesma frustração do José Carlos, estudo inglês há 15 anos, compro livros, CDS, participo de aulas de músicas que meu curso oferece, entre outras atividades autodidatas que busco; mas ontem (14/05) tive prova de listening no curso, e nem tenho como explicar a minha incapacidade de entender o que os personagens do CD falavam como responder as questões diretas, verdadeiro e falso, entre outras se não conseguia entender o diálogo completo? Me senti uma idiota e até mesmo me perguntei por que estava perdendo meu tempo estudando um idioma que não consigo entender mesmo me dedicando tantos anos a este estudo, e posso afirmar que me dedico muito mesmo (eu amo poder falar inglês!!!), de acordo com a prova de nivelamento que fiz, entrei no Advanced 2. Mas aí mora a diferença: quando leio em inglês, entendo tudo (perco uma ou outra palavra), mas quando ouço…. Quando escrevo em inglês é muito mais fácil que quando falo (acho que no ato de escrever tenho tempo para pensar, mas quando tenho que falar…). O diálogo deve ser automático, como em português, não precisamos pensar no que estamos falando… é natural!
    Essa dificuldade tem me desanimado bastante, meu sonho de ter um lugar onde as pessoas vivenciem o inglês só não está completo porque não consigo ser fluente e precisaria de outras pessoas (fluentes) para dar continuidade ao projeto… E isso já dura 8 anos, quando serei apta a colocá-lo em prática? Acho que nunca se as coisas continuarem como estão. Já pensei em morar por uns tempos fora a fim de me tornar fluente, mas isso já envolve outros problemas de ordem pessoal. De verdade gostaria muito de achar uma forma de desenvolver listening/speaking. Acho sensacionais os grupos de inglês onde podemos trocar informações, dúvidas, piadas, além de conhecer pessoas, mas estes também nos limitam ao desenvolvimento da escrita, da gramática, mesmo assim, são melhores que os cursinhos padrões que temos por aí.

    Glória Larangeira

  • 15/05/07  
    Paulo Leal Machado diz: 3

    Acho que o artigo está muito bem focalizado. Acredito também, apesar de não ser professor e nem empresário de qualquer tipo de escola, que conhecimento é uma mercadoria como qualquer outra: a gente adquire e também vende. É claro que num aspecto é diferente: a gente vende, entrega e permanece com ela. Com isso quero dizer que é de responsabilidade de quem compra fazer pesquisa e procurar saber qual dessas escolas é a mais confiável, qual é a que tem melhores professores, há quanto tempo está no ramo e, principalmente, qual tem o preço mais justo.

    Há um tempo fiz uma pesquisa para comprar meu computador pessoal e choveram propostas. Na maioria delas, em caso de alguma coisa acontecer com a máquina, eu teria que pô-la em baixo do sovaco e levar na loja, para eles mandarem à assistência técnica. Moral da história, optei por uma que manda alguém em minha casa fazer o serviço, e aí nesse caso, o o preço já não era tão relevante.

    Resumindo, acho que agora essa “bola está rolando” e seria bom que alguém mais desse sua opinião.

    Um abraço,

  • 16/05/07  
    Paulo Sidney diz: 4

    Estimados,

    achei bem interessante do post de hoje e devo concordar que a maioria das pessoas que estudam inglês passam ou já passaram por essa frustação e muitos, como já foi dito, acabam desistindo.
    Eu realmente as vezes me pergunto se uma prova de listening é suficiente para medir quão fluente se é no idioma em relação ao nível que o aluno se encontra(aliás, o que é ser fluente?). Acho que deveria haver uma maior preocupação no sentido de que o Inglês fosse de fato a segunda lingua e que a aplicação nas escolas fosse mais efetiva…mas alguém deve falar que isso abrange toda um infra-estrutura educacional da qual infelizmente nosso país é carente. O artigo do Ricardo da EMB é sem dúvida, de muita propriedade assim como a sensibilidade o Alessandro em tê-lo postado aqui.
    As escolas hoje em dia são verdadeiros caças-níqueis, poucas tem a preocupação de fazer com o que o aluno saia de fato falando Inglês, talvez melhorasse se as escolas incluissem nos seus métodos o item “motivação”, alguém que dissesse ao aluno: você pode, você consegue, etc…
    O tema é extenso, fico por aqui por enquanto.

    Paulo Sidney
    http://www.englishcaffe.blogspot.com

  • 28/09/07  
    adeval carvalho diz: 5

    Em um mundo globalizado o ensino do idioma tem que ser eficiente via “on line”. Eu mesmo, estou interessado nos idiomas frances e alemão.- Existe um método confiável?

  • 21/01/08  
    Prof. Jorge Galarce diz: 6

    Olá Amigo(a)s do English Experts:
    Após mais de 20 anos ensinando inglês na escola pública brasileira percebi alguns problemas que resultam em baixo desempenho de ensino-aprendizagem:
    1- Falta de Políticas Públicas para o ensino de Línguas Estrangeiras;
    2- Falta de uma Política Eficiente para Formação de Professores;
    3- Estrutura Pedagógica das Escolas;
    4-Carência de bons materiais didáticos;
    5-Ensino voltado para aprendizagem e não para a aquisição lingüística;
    6-Ensino de língua estrangeira semelhante à língua materna
    7-Separação dos alunos por série e não por nível de conhecimento;
    8-Exposição à lngua alvo;
    9-Conhecimento do porque se estuda inglês – objetivos;
    10- Tempo de dedicação ao estudo e oportunidades de praticar o idioma.

  • 21/01/08  
    Alessandro diz: 7

    Prof. Jorge,

    Excelente comentário. Concordo plentamente com suas palavras.

    Abraço,

  • 27/07/09  
    Marcio diz: 8

    Ola, pessoal.
    Gostaria de contribuir com minha opiniao.
    Moro nos Estados Unidos ha cinco anos e estudei durante muitos anos ingles no Brazil.
    Nao consegui terminar o curso, mas cursei ate o ultimo semestre do intermediario.
    Estando aqui ha cinco anos ficou bem claro para mim que: ingles se aprende onde se fala ingles.
    Segundo meu ponto de vista escola de ingles abre horizontes, no sentido de experienciar a lingua, mas aprender a falar, se comunicar mesmo…de verdade. Pessoal… tem que estar aqui.
    Cheguei aqui achando que falava ingles…hoje digo que ainda estou aprendendo.
    Um abraco pessoal.
    O conselho e esse vem estudar aqui.

  • 28/07/09  
    Lourival diz: 9

    Pessoal,
    Boa tarde, sempre acompanho as postagens do EE, gostaria de elogiar mais esta matéria e pedir uma orientação a vocês, pois bem, estudo em um curso de idiomas no Rio de Janeiro, um dos “dito” muito bons (pelo menos caro é) e eu realmente gosto das aulas me sinto motivado e estou gostando de estudar ingês, porém como foi escrito acima e eu concordo, o aluno de um curso de idiomas só sabe se o curso é bom depois de alguns anos ou quando precisa usar. A orientação é no seguinte sentido, eu estou no modulo avançado deste curso que frequento e pretendo realizar uma viagem para a Nova Zelandia em outubro gostaria de saber se vocês acopnselham esta viagem e se eu corro o risco de não me sair bem. Na verdade sei que é díficil opinarem sem conversarmos em inglês mas gostaria de saber sua opinião de forma geral.
    Grato!

  • 11/02/10  
    Andre diz: 10

    Pessoal tenho uma dica pra quem quer praticar

    http://www.livemocha.com – ferramenta grátis onde vc ensina o seu idioma e aprende o que quiser, gostei muito da didática, vale à pena, ha 4 meses tenho utilizado estou com bons resultados, pra falar a verdade eu baixei o material e ouço quando estou indo trabalhar, isso me custou 5 dólares ou seja 10 reais,
    se fosse comprar um material desse numa escola não sairia por menos de 150 $

    http://www.couchsourfing.org é uma rede de relacionamentos do tipo orkut, facebook
    onde vc pode disponibilizar um sofá para alguém passar uns dias, muitos “Gringos” viajam o mundo através desta ferramenta.

    mas o que interessa é que semanalmente ha reuniões onde todos os CSs se encontram pra bater um papo,

    aqui em são paulo tem um bar chamado lone star, reduto deles, sempre vou la para praticar,

    utilizo esses dois sites pra aprender, não vou pagar nenhuma escola de idiomas

    estou tendo um ótimo resultado
    abraços

  • 06/04/10  
    Silvana Espeschit Amaral diz: 11

    Hello people,

    The most English language teachers in our country are not well prepared to teach. In fact a significant number of my peers at public schools were unable even to open an e-mail and things like orkut for example were a taboo for them. I am graduated in Letras Inglês-Português, I also have a Cambridge Proficiency Certificate and I am studying at UFMG(Universidade Federal de Minas Gerais) in a post graduation course, precisely ESPECIALIZAÇÃO EM ENSINO DE INGLÊS. I do not think you must live in a foreign country to speak English, and it has been already prooved. I have never been abroad but I talk to people from Canada, London, United States and even with a Frenchfriend who visits me and we only talk in English; I do not speak French and he does not speak Portuguese. Well all this foreign people I talk to say my fluence is ok and the Canadian one asked me where I learned English. It depends on where you want to go in learning. Of course, if you can afford living in an English speech country good for you, but if things are difficult for you as they have been for me I hope this comments may cheer you up.

    Warm regards,
    Silvana