A procura da pronúncia perfeita

Há alguns dias um famoso produtor musical americano chamado Jack Endino, causou polêmica ao afirmar que não entendia nada das musicas em inglês cantadas por bandas brasileiras. Ele depois chegou a se desculpar, mas eu achei bem interessante o que ele falou e lembrei de muitas pessoas que, como eu, se preocupam demasiadamente com a pronuncia perfeita.

Muita gente se decepciona quando descobre que após anos de estudo não conseguem se comunicar bem. Até conseguem falar bem, mas com uma pronuncia que os fazem ter de repetir varias vezes as palavras para serem entendidos. O fato é que muitas escolas de inglês não se preocupam com a fonética da língua inglesa e sequer apresentam a seus alunos os símbolos fonéticos que ajudam e muito as pessoas que querem aprender a pronuncia correta das palavras. É claro que por mais aplicado que você seja, nunca terá uma pronuncia perfeita. Até porque o aparelho fonador, a fonética, a fonética histórica (e outros assuntos bem complicados), do português e do inglês são bem diferentes. É por isso que você ver americanos que moram a muitos anos no Brasil e ainda tem um forte sotaque. Alguns sons eles não conseguem reproduzir de forma 100% correta, assim como nós também nunca conseguiremos pronunciar o inglês 100% correto. Seja o inglês americano, britânico, canadense, australiano, sul africano, texano...(quantos "inglês" heim?) Aqui mesmo no English Experts nós ja vimos um video muito interessante com 21(!)diferentes sotaques do inglês. Além do mais, por ser uma língua falada pelo mundo todo o inglês tem recebido influência de varias outras línguas.

Então o melhor a fazer é desencanar e não procurar a pronuncia perfeita, mas procurar ser entendido. Escutar bastante, estudar, pesquisar (a internet tem centenas de sites com dicas sobre fonética).

Nesse link aí embaixo voce poderá ouvir os atores Charlie Sheen e Katheryn Winnick cantando a música Águas de Março, do Tom Jobim, em português para a trilha sonora do filme A Glimpse Inside the Mind of Charlie Swan III. Talvez eles nem saibam o que a letra quer dizer, mas ensaiaram só pra gravação e o resultado até que ficou legal (e engraçado). Se eles sem estudar português conseguiram um resultado razoável, imagina o que você pode fazer se estudar bem inglês? Que o Jack Endino te aguarde.

Charlie Sheen e Katheryn Winnick cantando a música Águas de Março

Bons estudos.

Janilson Cleber, 34 anos. Estuda inglês a 5 anos. Já fez curso em escola e hoje estuda por conta própria. Não tem blog, site ou coisa parecida é apenas um estudante do nivel intermediário que gosta muito de aprender e expôr suas ideias.
MENSAGEM PATROCINADA Aprenda dicas sobre os tempos verbais em inglês! Baixe agora o seu Guia Grátis de Tempos Verbais em Inglês. Ele contém um ótimo resumo para revisar todos os conceitos.

Clique aqui e saiba como baixar!
Avatar do usuário Alessandro 2970 3 9 71
Oi Janilson,

Eu também achava que era impossível eliminar o sotaque, mas depois de ouvir a Alison Entrekin falando português e alguns brasileiros falando inglês esse meu conceito caiu por terra. Assista ao vídeo abaixo e me diga se consegue identificar alguma resquício de sotaque.



Pasmem! Alison Entrekin é americana e foi criada na Austrália.

De qualquer forma gostei do seu tópico. Obrigado pela colaboração!
Avatar do usuário Lucas Queiroz 460 1 14
Resposta de Andre Matos na íntegra:

“Acho que, de fato, o produtor mostra uma certa ignorância em relação à cena do rock mundial, não apenas brasileira. Para ficar só em alguns exemplos, se a dica fosse seguida a risco, bandas como Scorpions, Europe, Helloween, Nightwish e outras nunca teriam feito sucesso fora de seus países de origem, que não têm o inglês como idioma oficial. E, ao sairmos do âmbito do rock pesado, o que dizer de fenômenos pop tipo Abba, A-ha, Roxette, Shakira, Celine Dion?

Tom Jobim, por exemplo, verteu todo o seu repertório visando exatamente o mercado internacional. Será que foi criticado também, por esse mesmo motivo?

Todos têm o direito de tentar se expressar em qualquer idioma, bem como em inglês – que é considerado o “esperanto” dos tempos modernos – ao visar uma carreira internacional. (Talvez daqui a algumas décadas seja necessário cantar em chinês. A questão econômica mundial também tem um papel decisivo.)

Na minha própria carreira musical, desde o início, a proposta foi tentar cantar em inglês. Saíamos do período da ditadura no Brasil e aprendíamos na marra, ouvindo música e estudando muitas vezes por conta própria. Por isso concordo com o produtor, em parte, quando diz que não entende muito do que se fala nas letras. Discordo em relação a todo o resto.

Certamente houve alguns tropeços linguísticos no início de minha carreira, mas não foram estes que impediram o sucesso internacional de minhas bandas ao longo dos anos. A prova é que até hoje nunca cantei em outro idioma que não o inglês.

Por isso, rebato a afirmação: pode-se, sim fazer sucesso tanto no exterior, quanto em seu próprio país. E, neste último caso, isto também é uma forma de difusão de cultura: quantos fãs já não nos agradeceram por ter-lhes acendido uma centelha no tocante ao idioma? “Graças a vocês, aprendi a falar inglês, através de suas músicas”.

E, para arrematar a discussão, tudo passa também por uma questão de estilo. Essa é uma discussão antiga. O rock nasceu nos EUA e foi aperfeiçoado ao extremo na Inglaterra. De fato, soa muito bem em inglês, que é uma língua mais prática que o português, para tal finalidade.

O que não quer dizer que não haja ótimas composições em nosso próprio idioma. Mas que, infelizmente, têm de se debater com o fato de não poder ser exportadas além dos poucos territórios lusofônicos. Neste aspecto, até mesmo o espanhol leva considerável vantagem numérica.

Portanto, estilisticamente, é aceitável o uso do inglês no rock, independente da nacionalidade do artista em questão.
Assim como era de praxe o uso do italiano e do alemão nas óperas até meados do século XX. (“O Guarani”. de Carlos Gomes, um de nossos maiores compositores, estreou na Europa sob o título “Il Guarany”; e apesar da temática regional baseada na obra de José de Alencar, tanto o idioma do libreto quanto o das árias não era o português!)

Defendo que devamos nos esforçar para elaborar uma obra que prime pela perfeição linguística: no meu ponto de vista, tão importante quanto o próprio acabamento musical. Mas não precisamos ignorar nossas raízes e características em função disso. Uma coisa é tornar-se inteligível; outra é soar demasiadamente forçado. Em resumo, ninguém precisa cantar com sotaque do Texas ou de Oxford para se fazer entender. Porque às vezes, nem eles mesmos se entendem entre si.

E, como última observação: nosso dileto produtor propõe sua indagação do topo de uma posição um tanto confortável. Gostaria de saber como ele se sairia, se acaso o idioma em questão fosse o português do Brasil. Será que conseguiria alcançar resultados tão ou mais satisfatórios do que os que somos capazes, ao compor e cantar em outro idioma? Fica aqui a pergunta.

Andre Matos”
Olá Alessandro, realmente fiquei impressionado com esse video que vc sugeriu, quase nenhum sotaque. Temos que ver o contexto disso, pois apesar de ser americana e ter crescido na Australia, como vc informou, ela pode ter pais brasileiros que falavam portugues em casa, ou algo desse tipo. Mesmo se esse não for o caso, o fato é que a grande maioria dos gringos, mesmo após varios anos no Brasil, guardam seu sotaque que nos fazem distigui-los facilmente. Obrigado pelo seu excelente trabalho.
Quanto ao amigo André Matos, se for o ex-Angra, todos nós conhemos a qualidade do seu inglês (e de suas musicas). Que bom seria se todas as bandas e cantores, de rock ou não, se inspirassem em vc para terem uma otima pronúncia. Concordo com os seus comentarios.