Expressões e palavras traiçoeiras na língua portuguesa

Existem muitas palavras e expressões na língua portuguesa que são bastante traiçoeiras, sobretudo, porque são muito (incorretamente) utilizadas, causando a falsa impressão de serem corretas. Algumas podem ser consideradas 'muletas linguisticas', que, como observa Anabela Gradim, em seu Manual de Jornalismo, não servem a nenhum propósito:
(...) Na maioria dos casos, tais expressões são simplesmente supérfluas, e se eliminadas do texto verifica-se que não fazem lá falta alguma, nem alteram o seu sentido.
Não são necessariamente erros gramaticais, mas como o próprio termo "muletas" sugere, são expressões em que o interlocutor se escora ou se pendura, seja por falta de melhor argumento, pela falsa impressão de "estilo", por modismo, porque ouviu e achou bonito, enfim...

Um dos clássicos das muletas linguísticas do Português, é o "a nível de".

Se você é um estudante novato da língua portuguesa, a respeito dessa expressão, tenha apenas uma coisa em mente: Ignore-a.

É o melhor tratamento que ela pode ter.

Se no entanto você é um curioso ou quer saber mais, veja os exemplos abaixo e perceba uma sutil diferença:
1. Ao Nível de (do, dos, da, das) - usamos apenas com o significado de [à mesma altura]:
● Era um solo baixo, quase ao nível do mar.
● Certos vícios rebaixam o homem ao nível dos brutos.
● Ele quer colocar-se ao nível dos diretores.

2. Em nível de - recomenda-se evitar a expressão. Mesmo nos casos em que é cabível como, por exemplo, no sentido de [no mesmo nível]:
● Isso só ocorre em nível estadual. (só nos estados)
● O encontro será em nível de professores. (só de professores)

3. A nível de - não use nunca.

Veja alguns casos em que a locução a nível de aparece e como evitá-la:

● O assunto deve ser tratado em família. (não: a nível de família)
● O clube está fazendo contratações para o futuro. (não: a nível de futuro)
● Isso possibilita pensar em múltiplos caminhos e soluções. (jamais a nível de multiplos)
● Pude avaliar o técnico como uma pessoa pública. (nunca a nível de pessoa)
● Respeita os valores sociais que atuam nos sujeitos. (não: a nível de sujeitos)

fonte: http://recantodasletras.uol.com.br/gramatica/878696

Em suma, fuja do a nível de, como vampiro foge de estaca... ;-)

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18 respostas
Marcio_Farias 1 23 214
Have the forum users ever mentioned the expression "frente a"? Well, speech makers and possibly the media throw it around a lot. The overwhelming majority of Portuguese language dictionaries do not list it. Unwary speakers, however, continue to use it in place of vernacular "diante de" or "em face de."

Do you know of an online resource that categorically lists all the fixed expressions? How about posting and discussing in a non-ad nauseam manner all the "treacherous" expressions one at a time (or each at its turn)? We surely would learn a lot from them.

Your turn now.
É dificil encontrar uma lista completa pois, infelizmente esses termos pipocam pela net, pela tv, revistas, etc, sobretudo pelos conteúdos livres (sem revisão) com blogs e fóruns.

Mas acredito que este tópico, pode ser utilizado para listar algumas expressões e ter um bom resultado nas buscas...

Frente a

é mais um caso.

ele não vai aparecer em dicionários, pois não é uma forma oficial da lingua portuguesa, a não ser nos casos:

Fazer frente à
decisão da maioria. (onde tem valor de substantivo e está bem colocado na frente do verbo fazer; na dúvida poderia ser substituido por fazer oposição, por exemplo)

ou

Em frente ao cinema / na frente do cinema

em frente à multidão

e jamais frente a multidão ou frente ao problema ou frente a seja lá o que for.


essa forma frente a é um barbarismo fraseológico ou estrangeirismo (no caso, castelhanismo) isto é, a influencia de uma forma utilizada em outro idioma, sendo digamos "adaptada" ao portugues...

por exemplo: Frente a los actuales desafios en su gobierno...

é uma construção correta no espanhol (castelhano) mas não é correta em português.

Poderíamos comparar aqui com Português em Ingles, (que eu já vi ser mencionado em foruns) quando por exemplo dizemos foot fingers, em vez de toes.

Com a diferença de que essas expressões (estrangeirismos) são aquelas que acabam por ter uma certa aceitação e uso pelos falantes da lingua original, podendo ao longo do tempo serem incorporadas, mas até que isso se torne oficial, ainda são uma forma errada de falar ou escrever.
Marcio_Farias 1 23 214
mnkslv escreveu:["frente a"] é uma construção correta no espanhol (castelhano)[...]
mnkslv, thank you for letting me know it stemmed from Spanish.

On with the expressions.

"Não houve frutas, tão pouco doces"

This one says, "tão pouco." It should have said, "tampouco." I don't know how often scholars and speakers make this mistake, but they throw it around a lot, too. Shouldn't they search words in the dictionary before (any attempt at) committing them to paper?!

Just another one. Writing "benvindo" while the dictionary lists "bem-vindo." Thereby hangs a tale, or rather, a rationale for which I can offer no plausible explanation. Nor on how or why speakers continue to write "benvindo" and never give "bem-vindo" a worry.
-------------------------
tão pouco = muito pouco

nunca choveu tão pouco.

tampouco = muito menos, menos ainda, não mesmo

não choveu a semana passada, tampouco essa semana.

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Benvido = Nome próprio.

Benvindo Sequeira (Carangola, 27 de julho de 1947) é um ator, humorista, autor e diretor de teatro, cinema e televisão brasileiro. (Wikipedia)

bem-vindo - welcome (não estou nem pensando em ingles, mas nao lembro de nenhum sinonimo... rs)
Ravenna 3
mnkslv escreveu:Em suma, fuja do a nível de, como vampiro foge de estaca...
Ótimo post, Monica, obrigado por compartilhar! Nosso idioma merece *respeito* e estudos mais sérios! :D
Marcio_Farias 1 23 214
Here goes one more attempt at describing in English some more common (treacherous) Portuguese language grammar mistakes.

"Entrar dentro" as in "Raul entrou dentro da igreja" :( Incorrect
"Raul entrou na igreja" :) Correct

"Sair pra fora" as in "Raul saiu pra fora da igreja" :( Incorrect
"Raul saiu da igreja" :) Correct

"Preferir ... do que ..." as in "Rebeco preferiu estudar tailandês do que inglês" :( Incorrect
"Rebeco preferiu estudar tailandês a inglês" :) Correct

"O resultado do jogo, não o abateu" :( Incorrect. Here an uninvited comma separates the subject from the verb. It shouldn't.
"O resultado do jogo não o abateu" :) Correct

-x-x-x-

Do language students who have a good command of Portuguese eventually acquire a good command of (and focus better on) a foreign language just as easily?
Ravenna 3
Marcio_Farias escreveu:"Preferir ... do que ..." as in "Rebeco preferiu estudar tailandês do que inglês" :( Incorrect
"Rebeco preferiu estudar tailandês a inglês" :) Correct
Esse nome "Rebeco" existe? LOL nunca tinha ouvido antes. ;) :mrgreen:
Marcio_Farias 1 23 214
No, I made it up. Well, I guess you can make names up just as easily. :) :lol:
eu gosto muito de divulgar este video, não só pq é engraçado, mas elucida muito bem o problema dos pleonasmos, das redundâncias, etc.
se um estrangeiro quer saber tudo que "não deve falar em portugues", é só acompanhar...
pena nao ter legendas em ingles.
Ravenna 3
Para 'refrescar' a memória, a definição de pleonasmo
-----> redundância de termos no âmbito das palavras, mas de emprego legítimo em certos casos, pois confere maior vigor ao que está sendo expresso (p.ex.: ele via tudo com seus próprios olhos) -Dic. Houaiss

C-ya!
Ravenna escreveu:Para 'refrescar' a memória, a definição de pleonasmo
-----> redundância de termos no âmbito das palavras, mas de emprego legítimo em certos casos, pois confere maior vigor ao que está sendo expresso (p.ex.: ele via tudo com seus próprios olhos) -Dic. Houaiss

C-ya!


Sempre vale ressaltar que a diferença entre estilo e erro, só conhece realmente o autor da frase, isto é, se ele fez de próposito ou sem querer.

O Pleonasmo tanto pode ser figura de linguagem, como vício de linguagem.

O Pleonasmo literário (que pode ser visto como a famosa "licença poética") é o que, como disse a nossa colega Ravenna, enfatiza o que está sendo dito:

por exemplo:
"Assim que o dia amanheceu lá no mar alto da paixão, dava pra ver o tempo ruir..." (Djavan - Oceano)

Ou o Pleonasmo vicioso, que ao contrário, denota desconhecimento do idioma e insegurança, além de um texto pesado e desinteressante, que pode estar em apenas um termo ou até numa sentença inteira:

"O desconhecido anônimo que ninguém sabia quem era nem como se chamava não se identificou em nenhum momento, mantendo sigilosa sua identidade". ( essa frase é minha, mas, diga que não pensou que era um texto de artigo policial?)

E vale lembrar, que nem toda letra de música, necessariamente está usando uma licença poética ou um pleonasmo literário... embora essa seja a desculpa da moda mas...

"Ah esse coqueiro que da coco... aonde amarro a minha rede... nas noites claras de luar..." (quem se atreveria a questionar essa sumidade que compôs Aquarela do Brasil, um dos sambas mais cultuados da MPB, o senhor, Ary Barroso?)

"O que é imortal não morre no final..." (well... quem acredita que a Sandy da dupla Sandy e Junior estava sendo poética nessa "versão" livre da canção dos Bee Gees com Celine Dion?)

neste caso, fica ao critério do leitor/ouvinte, mas continua sendo pleonasmo... rs
Ravenna 3
Engraçado como o a poesia pode enganar qualquer um... :lol:
Ontem, estava meio distraído e acabei pensando em algo que pode confundir um estrangeiro numa boa. Aliás, poderia até confundir a gente se não tivéssemos contato com o Português todo dia.
A confusão está na palavra calça e calçado. Se fôssemos seguir a lógica, calça é a parte do vestiário que usamos para cobrir as pernas, então naturalmente vesti-la seria o ato de "calçar". Contudo, por mais estranho que pareça, pouca gente usa "calçar" no sentido de por calças - pelo menos, eu nunca ouvi. Usamos para colocar sapatos - daí calçados, é claro. E também para colocar luvas.
Talvez não seja nem um erro. Pode ser que ao longo do tempo, as pessoas perderam o costume de usar o verbo no sentido de vestir calças. De qualquer jeito, chamou minha atenção, e um estrangeiro desacostumado com o português do Brasil pode ficar meio desorientado com isso.
Adriano Japan 2 20
Ravenna escreveu:
Marcio_Farias escreveu:"Preferir ... do que ..." as in "Rebeco preferiu estudar tailandês do que inglês" :( Incorrect
"Rebeco preferiu estudar tailandês a inglês" :) Correct
Esse nome "Rebeco" existe? LOL nunca tinha ouvido antes. ;) :mrgreen:
Ravenna, minha família é italiana, por pouco não me chamo Adriani :? :cry: :oops:
Ravenna 3
:D heheh - tenho um primo que chama Danielle!

p.s. alguns nomes italianos terminados com 'e' não tem conotação feminina - como Danielle, Simone, Gabrielle, etc.

Alex Nunes escreveu: Talvez não seja nem um erro. Pode ser que ao longo do tempo, as pessoas perderam o costume de usar o verbo no sentido de vestir calças. De qualquer jeito, chamou minha atenção, e um estrangeiro desacostumado com o português do Brasil pode ficar meio desorientado com isso.

imagine entao a possivel confusao ante a seguinte situação:

"o vento está fazendo aquela porta bater, precisamos de alguma coisa para calçar a porta"

o que o coitado do estrangeiro vai pensar????

rs
Marcio_Farias 1 23 214
moni_si escreveu:imagine [...] a possivel confusao ante a seguinte situação:

"o vento está fazendo aquela porta bater, precisamos de alguma coisa para calçar a porta"

o que o coitado do estrangeiro vai pensar?
Vai pensar que o vento tem mãos e que a porta anda de sapato. Simples. ;)
adorei, Marcio!

rs