O visto honesto: Conhecendo amigos virtuais na vida real

Boa Noite!

Há algum tempo eu publiquei uma dúvida sobre vistos americanos para brasileiros. A dúvida era referente à entrevista, já que não tinha nenhuma noção de como funcionava o processo.
Agora, com meu visto em mãos, gostaria de contribuir para a comunidade com a minha experiência.

Não foi fácil. Pensei que seria negada a qualquer momento. Mas fui completamente honesta durante todo o processo.

A amizade virtual é um fenômeno cada vez mais comum com a difusão da internet. Se você é como eu, que sempre se engajou em comunidades virtuais e jogos online ou grupos de conversação no Skype, deve saber que as amizades acontecem tão inesperadamente quanto as amizades "na vida real". Se o vínculo é forte, então, a primeira oportunidade que surgir, você verá uma chance de conhecer o seu amigo "irl" (in real life). Há riscos? É claro que há riscos, mas onde na vida não corremos perigo? O fato é que, se você tiver o mínimo de intuição, saberá se está diante de um "catfish" ou de uma amizade legítima. Falo isso de uma experiência considerável. Já encontrei com pessoas que nunca imaginei que conheceria face a face, sem ter uma tela de computador ou celular como intermediação. Foram todas oportunidades que surgiram, ao acaso. Uma viagem à baixada, um festival de música, uma carona à cidade ou estado vizinho.
Sempre, é claro, deixando avisado alguém próximo a você. (seus pais, amigos, namorados, tios...)

Mas e quando a pessoa que você quer conhecer mora nos Estados Unidos, ou em algum outro país conhecido pela sua "aversão" a certas nacionalidades?

Com apenas 19 anos nas costas, ainda cursando a faculdade, dependo financeiramente dos meus pais. Após explicar todo contexto do meu repentino desejo de visitar os EUA a eles, resolvemos tirar o visto americano juntos. Pedimos dicas à toda sorte de pessoas, amigos, parentes, colegas... Inclusive lancei minha dúvida aqui na comunidade e pus em prática as dicas que me deram.

No fim, não pediram nenhum documento ou comprovação. Nada disso importava no momento em que notei a cara de espanto da entrevistadora.

"Como assim você quer visitar alguém que você nunca viu?"

As palavras me atingiram em cheio, e devo admitir, mesmo com o visto em mãos, ainda pesam no meu peito.

Só então me dei conta de que a realidade é extremamente divergente de pessoa para pessoa. Assim como existem pessoas que nunca vão entender porque um homem casaria com outro homem, há pessoas que acreditam que visitar alguém que você conheceu pela internet é impensável.

No final das contas, meu passaporte foi carimbado, acredito, porque fui honesta comigo e com todos ao meu redor. Porém a maior parcela se deve à sorte. Sorte por meus parentes e conhecidos aceitarem meu relacionamento e me apoiarem moral e financeiramente, e sorte pelos meus pais serem funcionários públicos.
Sim, aparentemente o simples fato de você ser professor ou funcionário público já lhe garante grande probabilidade de ter o passaporte carimbado.

Bom, se o fator decisivo para conseguir um visto é a sorte, como proceder?

A primeira dica que eu daria é tentar explorar novas possibilidades: no caso do visto ser negado, o que você e o seu amigo estrangeiro poderiam fazer? Considerar a possibilidade da outra pessoa vir lhe visitar aqui no Brasil primeiro é uma boa. Nesse caso o argumento "visitar alguém que você nunca viu" cai por terra.
Outra possibilidade, se os dois tiverem condições financeiras suficientes, é viajar para algum lugar em comum e se encontrarem lá. Assim há um investimento de ambas as partes.
A segunda dica é ser honesto. Consigo mesmo. Eu poderia muito bem ter dito que o motivo da minha visita a Oklahoma era meramente turístico. Mas a quem você estará enganando? Ao entrevistador ou a você mesmo? Há, além disso, o risco de cair em contradições.

Na viajem, tudo ocorreu bem e valeu muitíssimo a pena. A família dele simpática como nenhuma outra. E fizeram questão de me receber ao modo americano: com muitos presentes e comilança. Foi a melhor experiência da minha vida, poder segurar a mão da pessoa com quem estive me comunicando ao longo de um ano. Pretendo sem dúvidas voltar enquanto meu visto durar.

"Quero visitar meu namorado de longa distância"

A coragem para admitir foi construída ao longo de um ano. E valeu a pena.

Desejo a todos uma boa sorte!