Você gosta de inglês?

Você gosta de inglês? A minha resposta a essa pergunta sempre foi NÃO. Com o tempo descobri que não sou só eu. Muitas pessoas tentam aprender o inglês por obrigação, porque é um requisito para o mercado de trabalho. Para mim, o fato de não gostar e não estar disposta a mudar de opinião travou o aprendizado. Normalmente, eu aprendo qualquer coisa que quiser muito fácil, mas o inglês simplesmente não entrava na minha cabeça. Vou comentar um pouco sobre o que eu aprendi a gostar no inglês e porque eu acho que a maioria das pessoas não gosta do idioma.

Acho que não gostar do idioma começa quando você descobre que você TEM que aprender inglês. Porque não é um prazer ou uma escolha, mas uma obrigação. Também tem o fator dificuldade, já que a base do português é o latim e a base do inglês é o anglo-saxão (idioma similar ao norueguês antigo e ao islandês moderno). Por isso, é muito mais fácil aprender espanhol e italiano, e até um pouco de francês, que são idiomas derivados do latim também.

O método de ensino das escolas do Ensino Fundamental, principalmente das públicas, também não ajuda. Falo por experiência própria. No Ensino Fundamental os professores ensinavam palavras soltas do inglês. No fim da 8ª série, após 4 anos de estudo de inglês, tudo o que eu sabia eram as cores, algumas frutas, alguns animais, os verbos to be e to have, nomes dos familiares e alguns adjetivos básicos como beautiful. As aulas eram dadas como se fosse uma lista de palavras a serem decoradas. E convenhamos, decorar é muito chato. Nunca tive uma aula em que o professor nos ensinasse a falar ou a ouvir o inglês e não me lembro de ter lido nenhum texto em inglês nesses 4 anos. Por isso, quando mudei de escola no Ensino Médio eu senti muito a diferença. Continuei a estudar em escola pública, mas agora era uma ETE. Como a maioria dos alunos vinha de escolas particulares, o nível de inglês das aulas era intermediário. E de repente lá estava eu, com o meu básico do básico, tentando entender do que a professora estava falando. Tive que fazer um curso de inglês. No curso, o método era muito melhor. Também tinha as clássicas listas de palavras. Mas não ficava um dia só nas listas. Metade da aula era de leitura, em que aprendi, por exemplo, a ler pelas palavras que eu conhecia e pelos cognatos e tentar subentender as palavras desconhecidas. A outra metade era conversação. Embora eu fugisse dos exercícios de conversação, aprendi a ouvir o inglês. Bom, onde eu quero chegar com isso? Eu odiava o inglês porque em 4 anos de aulas não havia aprendido realmente nada. Além do What’s your name? e do How are you? eu não sabia nenhuma outra frase. Acho que como eu, muitos se sentem frustrados por ser obrigados a estudar inglês durante tanto tempo e não aprender nada útil, que possa ser usado no dia a dia.

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Outra coisa que atrapalha muito é a vergonha, mais especificamente o medo de errar. Como já disse acima, por medo de errar eu evitava fazer os exercícios das aulas de conversação. O resultado é que depois de 1 ano e meio de curso, eu não falava nada, e isso também era frustrante. Até hoje, eu falo muito pouco. Sou aquela pessoa que lê quase qualquer texto e consegue compreender pelo menos a essência. Escuto razoavelmente. Mas se precisar falar, é um tanto mais difícil.

Bom, então vou contar o que aprendi a gostar no inglês. Gosto muito de música internacional, e entender o que eu estava cantando foi uma das coisas que me motivou a continuar tentando aprender inglês. E eu descobri que o inglês é uma língua muito mais fácil de cantar do que o português. Não exige tanto da voz. É muito mais fácil cantar uma música da Celine Dion, Shania Twain ou qualquer outro cantor ou cantora sem desafinar do que cantar MPB, como Djavan, Milton Nascimento, Elis Regina e outros.

Outra coisa boa é relacionado as traduções. Traduções de filmes, de músicas e de textos nem sempre são fiéis ao original. As vezes, o sentido, o objetivo ou a força da expressão se perde na tradução. Nos filmes, saber inglês ajuda a entender a expressão exata (muitos palavrões não são traduzidos e algumas expressões são trocadas por expressões do português, porque pra quem não conhece o idioma a expressão não faria sentido), seu objetivo, fora ouvir o tom de voz do falante original. No caso dos textos, as vezes o tradutor deixa em destaque o que ele acha mais importante no texto, e não o que era mais importante para quem escreveu o texto.

Também ganhei muito em visão de mundo. Quando comecei a aprender expressões idiomáticas do inglês e a maneira de formar as sentenças, comecei a compreender a maneira de pensar do falante nativo da língua inglesa. Isso ampliou a minha visão de mundo, me mostrou que havia alternativas. É como se um mundo novo tivesse se aberto pra mim, e acredito que essa tenha sido a maior vantagem do aprendizado do inglês, até o momento.

Uma outra vantagem: se quiser aprender outro idioma, o inglês pode ajudar muito. Por exemplo, se quiser aprender alemão, diversas palavras são parecidas, como butter que tem a mesma escrita nos 2 idiomas. Se quiser aprender francês, saber português e inglês ajuda muito. Isso porque o francês também é derivado do latim, mas tem muitas palavras com escrita e significado próximos ao do inglês. Assim, há cognatos do português e do inglês.

Se eu gosto de inglês? Ainda não. Mas eu gosto muito mais de estudar inglês hoje do que no passado. Eu consigo ver tudo o que eu já aprendi e como isso mudou até mesmo a minha maneira de pensar, de ser e de agir. Eu não aprendi apenas um pouco de um idioma. Eu comecei a aprender uma nova maneira de viver.

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Sobre a Autora: Beatriz Cardoso

Alessandro

Alessandro Brandão

Alessandro Brandão é coordenador do English Experts e do Fórum de idiomas. Trabalha também em projetos na área de Ensino a Distância (EaD).

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