Vale a pena estudar Gramática?

Existem várias definições para o termo gramática: segundo o dicionário Houaiss ela é o “conjunto de prescrições e regras que determinam o uso considerado correto da língua escrita e falada. Apenas a título de curiosidade, a gramática “das regras e dos termos técnicos” é chamada de gramática normativa. Existem ainda dois outros tipos de gramática, a descritiva (estuda e descreve a língua tal qual se fala, sem preocupações de estabelecer a linguagem padrão) e a internalizada (como o próprio nome diz, é aquela gravada na mente das pessoas). Para os propósitos deste livro, vamos nos concentrar no entendimento tradicional, gramática como conjunto de regras. Isso basta.

Quando o estudante tem seus primeiros contatos com um novo idioma, é compreensível a necessidade de se entender a sua estrutura e conceitos básicos. É comum que uma das primeiras aquisições seja uma boa gramática. A pergunta que você talvez esteja se fazendo é: será que estudar gramática é benéfico? Então vamos direto ao ponto.

O estudo de gramática, se realizado de forma adequada, tem muito a agregar. Uma leitura desatenta da frase anterior pode levar a um equívoco. Algumas pessoas negligenciam o trecho “de forma adequada” e assimilam apenas que “o estudo de gramática tem muito a agregar”. A não ser que você queira se aprofundar na língua, creio que a gramática dos livros (a normativa) deve ser usada como fonte de consulta. Da mesma forma que não lemos um dicionário por inteiro, também não devemos estudar uma gramática do início ao fim.

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Por falta de orientação, muitas pessoas perdem tempo estudando apenas gramática. Claro que, no começo, é normal e até desejável que se aprenda as principais estruturas da língua, para isso a gramática é útil. Ao começar a aprender um idioma use a gramática para aprender o básico sobre a sua estrutura:

  • A sintaxe das frases, como no caso de idiomas latinos, que seguem a seguinte estrutura: sujeito + verbo + complemento.
  • Aprenda a identificar a estrutura de perguntas;
  • Aprenda as conjugações importantes, geralmente as de primeira e segunda pessoas.

Não desperdice o seu tempo tentando decorar regras, conjugações ou listas de vocabulário. Listas e regras não oferecem algo muito importante para o aprendizado: o contexto. Sem ele a retenção das novas informações é comprometida, e cai sensivelmente.

O foco exagerado em gramática nos primeiros contatos com um novo idioma pode, ainda, ativar o efeito de monitoramento. Tal efeito é, em geral, nocivo para as pessoas introvertidas ou perfeccionistas que têm pouca tolerância ao erro e se sentem mal com a possibilidade de falhar. Nesse caso, o conhecimento consciente das regras, da distinção entre o certo e o errado, pode levar a grandes bloqueios. Infelizmente o conhecimento de regras é supervalorizado pela maioria dos cursos de idiomas. Os alunos ganham pontos e passam de nível por dominar gramática.

Quando comecei a aprender francês, logo nos primeiros dias, notei que algumas palavras possuíam dois acentos agudos, fato que gerou muita curiosidade e me fez buscar a explicação. Outro ponto que me chamou a atenção foi a quantidade de contrações. Não é preciso ficar o tempo todo buscando o porquê das coisas, tudo tem que ser dosado. Contudo, posso afirmar que o estudo da gramática “por curiosidade” é muito mais efetivo e gratificante, e evita os surgimentos dos bloqueios mentais.

Ao direcionar o foco dos estudos para as regras, estamos estudando o idioma e não o seu uso. Logo, utilize a gramática para obter as respostas para os seus questionamentos, não para gerar dúvidas que não tinha antes de estudá-la. Quando tiver que usar a língua oralmente, por exemplo, não será possível processar nenhuma regra, não haverá tempo para isso. Normalmente, usamos blocos de linguagem que já estão prontos em nossa memória.

Resumindo: use a gramática apenas como fonte de consulta, não como a base de seus estudos.

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Bons estudos!

Alessandro

Alessandro Brandão

Alessandro Brandão é coordenador caseiro do English Experts e do Fórum de idiomas. Trabalha também em projetos na área de Comércio Eletrônico e Ensino a Distância (EaD).

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