A Força de Vontade: essa coisa imprevisível

Eu passei um bom tempo tentando incluir na minha rotina diária uma caminhada de pelo menos uma hora, mesmo morando próximo a uma pista de cooper, nunca havia conseguido fazer disso uma rotina. Depois que aprendi como os hábitos funcionam, tudo mudou. Consegui estabelecer um ritmo consistente, hoje caminho pelo menos quatro vezes por semana.

Antes de dizer como consegui fazer essa mudança, vou contar uma breve história. Eu sempre sou muito exigente comigo mesmo, gosto de estabelecer metas desafiadoras, só que às vezes exagero. No caso da caminhada, a minha meta sempre foi chegar a competir. Há alguns anos, tentei me preparar para uma corrida de 12 km – detalhe – partindo do zero. Eu queria fazer isso em apenas quatro meses. Logo na primeira semana eu já estava cronometrando em quanto tempo eu conseguia correr cinco quilômetros. Não preciso nem dizer que o resultado foi um desastre. Tive um problema no joelho e uma dor no pé que me obrigaram a parar a atividade física e procurar um médico.

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Metas muito ambiciosas

Veja bem, eu tive força de vontade para sair da inércia, porém estabeleci uma meta que ia muito além das minhas condições. Tenho que confessar que já cometi o mesmo erro com o aprendizado de idiomas. Não tenho problema em assumir isso, todo autodidata errou muito antes de encontrar o caminho certo, faz parte do processo.

Durante uma fase da minha vida eu cheguei a estudar inglês por quatro ou cinco horas ao dia. Já usei as férias do trabalho para fazer um intensivo de inglês por conta própria, nessa época eu não tinha Internet em casa e passava horas estudando gramáticas e ouvindo os áudios de CDs (aqueles das revistas). Como você pode presumir, quando as férias acabavam ou a agenda apertava na faculdade, os meus estudos reduziam drasticamente a ponto de gerar frustração. Aquela velha desculpa vinha à mente: “não tenho tempo para estudar, eu desisto”. Após alguns dias afastado dos estudos, eu acabava voltando. Não foi um tempo perdido, de forma alguma, mas hoje eu faria tudo diferente.

Metas muito ambiciosas e agendas insustentáveis podem atrapalhar bastante. É o que acontece quando a força de vontade vem com tudo e não sabemos lidar com ela de forma sensata e organizada. A força de vontade é um “recurso escasso”, não é toda hora que ela está conosco.

Não sei se estou sendo claro, o que quero dizer é que se o seu estudo de idiomas é movido apenas pela força de vontade quando ela diminuir você também irá parar de estudar. O ideal é aproveitar a força de vontade não para ir direto para a ação final (no nosso caso estudar), o ideal é usá-la para planejar e adotar um novo hábito. Geralmente, a força de vontade está ligada à empolgação emocional. Já o hábito é mais resistente e não depende da força de vontade.

Use a força de vontade para criar bons hábitos!

Apenas para concluir a história sobre a minha caminhada diária. Eu desisti de competir. Em vez de me concentrar na caminhada, retomei as atividades com foco na criação do hábito de caminhar. Não terei tantos benefícios físicos no começo, mas vou definir desafios maiores quando o hábito já estiver implantado definitivamente na minha vida. Quero resultados em médio e longo prazo. Tem funcionado bem!

Conclusão

Está empolgado para aprender um novo idioma? Primeiro faça um bom planejamento e use a força de vontade para criar um hábito que te mantenha em contato constante com esse novo idioma. A força de vontade pode até ir embora, mas, quando isso acontecer, o bom hábito manterá você no caminho certo. Se você se interessa pelo tema, indico o livro O Poder do Hábito de Charles Guhigg. Vale a pena a leitura!

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Agora que você sabe sobre o poder do hábito, espero poder te ajudar a adquirir os bons hábitos que te levarão ao domínio da língua inglesa.

Para os comentários

Você tem algum hábito que te ajuda a manter em contato com o idioma inglês? Se sim, como fez para desenvolver esse hábito?

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Alessandro

Alessandro Brandão

Alessandro Brandão é coordenador do English Experts e do Fórum de idiomas. Trabalha também em projetos na área de Ensino a Distância (EaD).

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