Tradução de Abstract: TCC / Monografia

Provavelmente, em algum momento da sua vida, você precisou (ou vai precisar) escrever um Abstract. Como fazer seu Abstract em inglês? Quais regras seguir e por que não traduzimos resumos no fórum do English Experts? É o que você vai descobrir aqui.

Um Abstract não é tão fácil quanto parece

Imagine que você está caminhando pela rua e passa em frente a uma casa toda suja, cheia de folhas e mato, pichada e com a tinta descascando, como você acredita que seja o interior dela? Aposto que imaginou uma casa toda suja e bagunçada, não foi? O seu Abstract funciona da mesma maneira, pois ele é o reflexo do seu trabalho, a primeira coisa que a pessoa lê. Se ele estiver mal escrito e confuso, entende-se que seu trabalho estará da mesma maneira. Dessa forma, um Abstract “bobo”, pode afugentar o leitor e seu texto acaba sendo desvalorizado.

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Fazer um Abstract não é tão simples. São de 100 a 500 palavras (dependendo do tipo de trabalho e exigências) e há muito em jogo: desde a responsabilidade do tradutor em ser fiel ao texto original às implicações de prejudicar todo um trabalho em função de um texto mal escrito.

Alguns fatores são importantes para serem levados em conta em relação a dificuldade e responsabilidade de se traduzir um Abstract:

  • O tempo dedicado para se traduzir é alto, dificilmente gastamos apenas um dia para fazer um Abstract. Por mais que seja uma ou meia folha, a linguagem acadêmica é diferente das demais e as regras de escrita são diferentes, assim como a forma de se escrever e até mesmo o uso da vírgula. Além disso, um Abstract bem feito leva muito tempo de pesquisa por parte do tradutor.
  • Os termos do resumo são muito específicos e, normalmente, não fazem parte do nosso vocabulário cotidiano. Portanto, temos que pesquisar cada uma das palavras, expressões, abreviações e acrônimos para saber se condiz com o que é falado (lembrando que recebemos apenas o resumo, não temos o trabalho completo como contexto). O tradutor tem que se tornar especialista no assunto sem talvez nunca ter visto aquele tema antes.
  • Fazer revisão de um Abstract pronto (que foi recusado e com recomendação de ser reescrito) é mais difícil que traduzir. É mais fácil começar do zero, estudando e pesquisando termos, fazendo tudo da maneira correta. Isso acontece porque se recebemos um Abstract mal feito, temos que tentar entender o que o escritor quis dizer a partir de termos errados e tradução confusa, então o tradutor além de refazer, precisa adivinhar o que está certo e o que precisa melhorar sem prejudicar o trabalho do escritor.

Escrevendo o Abstract como um falante nativo de inglês

Os Resumos / Abstracts servem para “vender” seu trabalho. Claro, no lugar de convencer alguém a comprar um produto, o Abstract serve para convencer o leitor a “comprar” a sua ideia e continuar lendo o que escreveu. Portanto, é necessário seguir algumas dicas básicas para fazer seu resumo se destacar.

Para isso, escreva seu resumo em inglês apenas após seu artigo (TCC, Monografia etc) estiver pronto, pois o resumo é a visão geral daquilo que foi discutido ao longo do texto.

Revise e siga as regras específicas para seu trabalho, não extrapolando o número de palavras e obedecendo as regras de formatação.

Evite uma linguagem muito difícil (tanto em inglês quanto em português), leve em consideração o público que irá ler e escreva de uma forma que eles entendam. A língua portuguesa não é tão objetiva quanto a inglesa, portanto é mais fácil de cair na armadilha da “encheção de linguiça”, entretanto, o mesmo não acontece no inglês, o que poderá tornar seu Abstract bem mais menor que o resumo.

Use frases simples e evite abreviações, a não ser que elas sejam abreviações básicas, universalmente conhecidas e aceitas. Acrônimos e abreviações devem ser explicadas na primeira vez que são citadas para que depois possam ser usadas tranquilamente em seu Abstract.

O título do seu trabalho precisa condizer exatamente com o que é dito no Abstract. Ele deve explicar o máximo possível sobre o contexto e os objetivos do estudo, e em inglês o título não deve ser escrito em caixa alta.

Não copie e cole partes do seu artigo e evite ser específico demais em seu Abstract, pois ele é apenas um resumo e deve se comportar como tal. Forneça apenas as informações úteis para que o leitor saiba exatamente sobre o que você está falando.

Utilize as palavras-chave ao longo do texto, isso irá facilitar que seu trabalho seja facilmente achado por mecanismos de busca.

Seu Abstract deve ser constituído de problema, motivação, abordagem, resultado e conclusão:

  • Problema: delimite e explique qual é o problema que está tentando resolver (ou desvendar) em seu trabalho, evitando excesso de jargões.
  • Motivação: após postular o problema, explique a importância do seu trabalho, a dificuldade do assunto e o possível impacto caso seu estudo seja bem sucedido.
  • Abordagem: explique qual abordagem utilizou, quais variáveis importantes você controlou, as que ignorou e as que mediu.
  • Resultado: qual é a resposta da sua pesquisa, qual resultado encontrou. Evite expressões vagas como small, very, significant a lot.
  • Conclusão: para concluir, cite quais são as implicações do seu resultado. Indique se o resultado é generalizado, potenciamente generalizável ou se é específico para uma razão em especial.

Erros mais comuns

Os falantes não-nativos de inglês, por mais que sejam fluentes, podem cometer alguns erros comuns de quem não tem o inglês como língua mãe. Esses erros não são considerados drásticos, contudo, fazem a diferença na escrita de um Abstract.

  • Utilize a vírgula onde você perceber que é necessário fazer uma pausa para respirar. Se uma frase tiver mais de duas vírgulas, ela deve ser dividida com ponto final. O quantidade de vírgulas que é considerada normal e aceita em português, confude os falantes de inglês.
  • A letra maiúscula serve apenas para início de frases após o ponto final, para nomes próprios e formais de um local, departamento ou título.
  • Evite ao máximo usar os pronomes pessoais I / we. Utilize-os apenas quando for necessário enfatizar a natureza singular de um acontecimento que ocorreu com você. Se a sujeito não muda o fato da ação acontecer, é melhor usar a voz passiva, que enfatiza a ação em si e não quem praticou. Assim, entenderemos que a ação será a mesma para qualquer um que praticá-la.
  • Em português, para evitar repetição, omitimos o sujeito ao longo do parágrafo se ele já tiver sido mencionado anteriormente. Entretanto, em inglês é necessário continuar explicando a quem estamos nos referindo, mesmo que isso implique em repetição.
  • O that, enquanto pronome relativo, pode ser omitido após os verbos suggest, observe, find, show e das expressões it’s important, highlight.

Para saber de mais erros com vários exemplos, confira este artigo: Writing scientific articles like a native English speaker: top ten tips for Portuguese speakers.

Abstract x English Experts

Há alguns anos, decidimos aqui no English Experts que não aceitaríamos mais pedidos de tradução e revisão de Abstract. Essa decisão foi tomada em função de vários motivos:

  1. Alguns membros se cadastravam no English Experts apenas para ter seus Abstracts traduzidos e, quando conseguiam o que queriam, não voltavam mais nem mesmo para agradecer.
  2. O Fórum tem a função e tirar dúvidas de pequenos trechos e não de resolver exercícios escolares ou trabalhos acadêmicos.
  3. A ideia do Fórum é de ajuda mútua. Uma vez que somos ajudados, nossa forma de retribuir é ajudando alguém, aumentando nossa corrente de estudos e aprendizado. Se a única intenção do membro é conseguir seu Abstract traduzido e nunca mais voltar no site, a ideia do Fórum é quebrada.
  4. O mais interessante do fórum é a interação entre os membros, a discussão gerada em função de um dúvida em que todos saem aprendendo algo. Traduções longas exigem muito tempo, coisa que nem todos os membro tem de sobra. Então, no lugar de participar de vários tópicos e ajudar várias pessoas, a participação limita-se a poucas pessoas pois não são todos que puderam tirar um longo período para ler e ajudar.
  5. Todos no fórum merecem ser tratados e auxiliados da mesma forma. Se gastássemos todo o nosso tempo em apenas um Abstract, seria impossível ajudar os outros da mesma maneira.
  6. Monografias, TCC, Teses, Abstracts possuem um vocabulário muito técnico. Enquanto um tradutor gasta um certo temporada traduzir todo um resumo, algumas pessoas que não são tradutoras poderiam gastar o mesmo tempo para traduzir apenas um parágrafo.
  7. Confiamos nos membros e na reputação que eles possuem na nossa comunidade mas, infelizmente, nem sempre sabemos de tudo e geralmente fazemos a tradução mais próxima da realidade, logo, há chances da nossa tradução não atender os requisitos do Abstract.

Optamos por deixar a tradução para quem é habilitado e vive disso. Qualquer pergunta é bem-vinda no Fórum, contudo, não é necessário enviar o Abstract inteiro para tirar uma dúvida, basta mencionar o que deseja saber e informar o contexto.

Conselho de amigo

Quem nunca pediu para aquele amigo que sabe inglês pra dar aquela forcinha no Abstract ou então caiu na tentação de recorrer aos tradutores online? Contudo, tenha muita cautela, pois certamente seu Abstract faz parte de um trabalho importante, que certamente representa um momento decisivo da sua vida.

Se seu resumo não estiver traduzido corretamente, você poderá ter seu trabalho devolvido ou impedido de ser publicado. Não vale a pena arriscar economizar em uma situação tão importante assim.

Lembre-se que tradutores até conseguem se virar nos 30, mas não fazem milagres. Se eu seu resumo estiver mal escrito em português, ele certamente ficará mal escrito em inglês.

Para evitar que isso aconteça, antes de entregar seu resumo para um tradutor, tenha certeza de que ele já foi revisado inúmeras vezes por um professor, orientador ou alguém habilitado na área de português. É importante fazer aquele pente fino e só depois entregar para quem for traduzir. A obrigação do tradutor é transcrever seu texto em uma outra língua e não adivinhar o que o escritor quis dizer com um texto mal formulado.

Espero que você tenha gostado, caso ainda tenha alguma dúvida, deixe um comentário que tentarei ajudar no que for possível!

Bons estudos!

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Camila Oliveira

Camila gosta de viajar, conhecer lugares, pessoas e culturas, ouvir música, sentir aromas, degustar sabores, saborear a vida, aprender novos idiomas. Não quer criar raízes, pois sabe onde é o seu lugar: o mundo.