Ensino de inglês para deficientes auditivos

Desde 1991 existe uma lei no Brasil que obriga as empresas com mais de 100 funcionários a contratarem pessoas portadoras de deficiências. A lei prevê que uma determinada quantidade de vagas, que varia de 2% a 5% do número total de funcionários, deve ser reservada para pessoas deficientes.

Com isso, um número crescente de portadores de necessidades especiais está entrando com força total no mercado de trabalho. Junto com esse fenômeno, vem também a necessidade de adquirir habilidades e conhecimentos para exercer tais funções.

Eu recebi um e-mail do leitor Tiago Braga. Ele relata que nasceu com deficiência auditiva (perda parcial) e que isso não o desmotivava a aprender inglês. Ele entrou em uma escola famosa (por razões óbvias não vou mencionar o nome da escola ) mas vem tendo problemas com o professor atual.

Uma possível alternativa para que um deficiente auditivo possa treinar a pronúncia é através dos símbolos fonéticos (IPA). Temos inclusive um módulo inteiro de nosso curso de inglês onde trato sobre o assunto em mais detalhes. Mesmo assim, perguntei ao Tiago se poderia publicar o e-mail no English Experts, pois sei que milhares de professores visitam o blog regularmente e talvez alguém pudesse ajudar. Ele aprovou a ideia! Fiquei fã do Tiago (leia o texto abaixo para entender o porquê), mesmo com todas as barreiras ele não desiste da meta de aprender inglês.

Por favor, se você puder ajudá-lo com algum método, envie as sugestões via comentário.

Meu nome é Tiago Braga, sou do Rio de Janeiro, moro no subúrbio carioca Bento Ribeiro. Sou Analista de Sistemas, fazendo faculdade de informática.

Eu nasci com deficiência auditiva, perda parcial. Uso prótese nos dois ouvidos, e faço fono desde 5 anos de idade (tenho 22 anos), e falo perfeitamente, algumas vezes com língua presa (pronúncia com “s” às vezes não sai muito bem). E para eu entender uma conversa normal, eu teria que ler os lábios, que leio muito bem, e se alguém falar de costas pra mim, não entenderei nada, mesmo com um som altíssimo, a não ser que eu saiba o que vão falar.

Bom, eu entrei num curso de inglês, pois eu quero fazer uma viagem a NY, e também por causa da minha área que pedem fluência em inglês.

O curso dá aula de inglês com ênfase na conversação, o professor fala inglês desde o primeiro dia de aula. Nos dois primeiros meses, a professora era muito legal, falava explicado que eu podia entender muito bem, apesar do meu vocabulário fraco, a segunda professora também, me ajudava de vez em quando, agora a professora que tenho hoje (estou no terceiro módulo (básico III), e estou há cinco meses) não consigo entender de jeito nenhum, nem ela falando português eu consigo entender, pois a forma como ela fala não consigo entender.

E isso me desanimou, pois tentei falar com a coordenadora, e ela diz que agora não pode mudar de professora e tudo mais. Eles sabem que eu tenho deficiência auditiva e antes de eu entrar no curso, eu perguntei se já tinha dado aula de inglês para alguém com o mesmo problema que eu, eles disseram que sim, que tinha experiência e tudo mais. To vendo que não tem. Era só enganação só pra eu entrar no curso.

Então Alessandro, gostaria de saber de você se já teve experiência com aluno com uma deficiência igual a mim, ou parecida. E como foi a experiência. Para você ter uma noção, eu to aprendendo mais por conta própria do que com o próprio curso de inglês, então eu to quase desistindo do curso e ficar por conta própria mesmo.

E também gostaria de saber se existe alguma escola (on-line ou presencial) que ajuda nesse tipo de deficiência. Ou algum material, artigo, qualquer referência que possa me ajudar. Ou realmente se não tem, se existem coisas na internet que pode ajudar mais o deficiente auditivo.

Espero que você possa me ajudar, e até os colaboradores podem ajudar também, se puderem.

E estou sempre por dentro do seu blog. =D

Agradeço muitíssimo pela atenção.

Alessandro

Alessandro Brandão

Alessandro Brandão é coordenador do English Experts e do Fórum de idiomas. Trabalha também em projetos na área de Ensino a Distância (EaD).

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