Uso da crase

Já vou avisando que esta é uma dica prática que não tem a pretensão de ensinar todos os usos da crase, ok?

Diferentemente do inglês, no português, a gente tem esses acentos pra diferenciar algumas palavras - que eu particularmente, sobretudo depois da internet, vivo assassinando, mas aqui vou tentar não fazer isso.

A crase (à, às) serve para indicar uma junção de duas palavrinhas (de uma letra só mas sáo palavras), isto é...

A preposição a + artigo definida a(s)

Vixi!

Quando eu digo por exemplo que vou a algum lugar... Uai, por que não tem crase?
Porque lugar é masculino, então não aceita o artigo definido a...
Então eu só vou a (preposição) tal lugar...

Complicou?

Vou à casa da minha mãe. (vou +preposição a + artigo a, porque casa é feminino).
Algo como... Vou a+a casa...

Aí vem outro caso...

Vou a Paris. (cadê a crase?)
Não se usa pois Paris (embora nome de cidade e ideia de feminino) não exige artigo.

Dica? Inverta.

Venho de Paris (não da Paris)
Vou a Paris (sem crase)

Venho da Espanha (não de Espanha, embora em Portugal talvez eles falem assim)
Vou à Espanha.

Expressões como: a cavalo, a rigor, a saber, a toque de caixa, etc... Não levam crase pois de novo não tem artigo feminino no contexto.
Já à medida que, à moda da casa, à noite, etc... Levam... Pois esta bem claro o a (artigo).

Procurem mais artigos para estudar, mas na dúvida... A crase sugere sempre um artigo feminino escondido.

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16 respostas
Ravenna 3
Com essas dicas práticas e bem explicadas, os brasileiros e estudantes de português vão cometer menos crimes gramaticais, tenho certeza hahaha
P.S. ficar dependendo do Word para correções pode ser treta! Tomem cuidado :mrgreen:
O Word (e outros revisores automáticos) fazem aquela correção, que nada mais é que um script de localizar e substituir, ou localizar e sugerir a substituição, a partir de uma lista pré-determinada.

É relativamente fácil quando se trata apenas de "corrigir" letras trocadas, invertidas, à mais ou a menos, porém quando se trata semântica (significado) e não apenas a posição da palavra ou da grafia, é mais difícil criar um script que o "ensine" se aquele porquê é substantivo, conjunção, preposição mais pronome, etc.
Muito bem explicado o uso da crase nesse tópico. A dica de inverter ficou fenomenal!
Olá,

Deem uma olhada nas sentenças abaixo sobre o uso da Crase:

Em virtude de investigações psicológicas ___ que me referi, nota-se crescente aceitação...

Analise:

1) Em virtude de investigações psicológicas a que me referi. [Neste caso, o “a” é uma preposição; e “investigações psicológicas” não aceita o artigo no plural “as” (neste caso)]

Caso eu queira pôr a crase...

2) Em virtude das investigações psicológicas às que me referi. [Neste caso, eu quis usar a crase; colocando em “investigações psicológicas” o artigo no plural “as”]

E quanto às palavras “das” e “de” ?

Se eu usei o artigo no plural [2º opção], eu devo pôr “das” antes de “investigações psicológicas” e usar a crase.

Se eu não usar o artigo [1º opção], eu não devo fazer a contração [de + as]; logo só uso o “de” antes
De “investigações psicológicas” e não usar a crase.

E NÃO devo escrever [Uso incorreto da crase]:

“Em virtude de investigações psicológicas às que me referi.”
“Em virtude das investigações psicológicas a que me referi”

Estou correta sobre esse meu pensamento?

Thanks in Advance.
Marcio_Farias 1 24 213
Lady Gaga escreveu:[...] “Em virtude de investigações psicológicas às que me referi.”
“Em virtude das investigações psicológicas a que me referi”
I like "... das investigações psicológicas a que me referi" better. You got a point there.

Anyway, you might have written, "... às quais me referi" and still maintain a point there.
Marcio, thanks for your help!

Pelo que eu entendi você quis dizer que o correto é "Em virtude das investigações psicológicas às quais me referi".

Eu acredito que também podemos escrever "Em virtude das investigações psicológicas às que me referi." [Neste caso, o "que" é pronome relativo; podemos até trocá-lo por " a qual, as quais, o qual, os quais ", não mudaria o sentido].

Ex.: "Ficou sentado junto a duas mocinhas que eu conhecera vagamente." Rubem Braga
" Ficou sentado junto a duas mocinhas as quais eu conhecera vagamente."

Minha dúvida cruel rsrsrsr, é quanto ao uso de "das" e "de".
Creio que esteja correta, dessa forma:

"Em virtude de investigações psicológicas a que me referi.” [ Não uso crase, "a" só preposição; " investigações psicológicas" não está acompanhado de artigo defino no plural, por isso não há a junção de a + a. Se "investigações psicológicas" não está acompanhado de artigo definido no plural, não há a contração de " de + as" = das ]

"Em virtude das investigações psicológicas às que me referi." [ Uso a crase, "a" preposição exigida pelo "referi" + "as" de "investigações psicológicas", que fica evidente o uso do artigo definido no plural na contração de "de + as" = "das"]

Isso que está me afligindo rsrrsrs, não estou totalmente certa; na verdade o uso de "das" e "de" nesse caso é uma dedução minha, que eu gostaria que essa dúvida seja sanada.

Desculpe se eu não fui clara.
Marcio_Farias 1 24 213
It seems to me that the usage panel would feel inclined to approve of "... Das investigações a que me referi" and "... Das investigações às quais me referi". I do not know whether it would sanction the other forms mentioned by you. Brazilian Portuguese grammarian Evanildo Bechara calls these sentences relative qu- clause sentences. What does your favorite grammarian call them?
Henry Cunha 3 18 183
Eu me referi às investigações.
Eu me referi à investigação. = Eu me referi ao documento. (substituição por 'ao')

O verbo referir exige a preposição 'a', portanto haverá crase? Assim me parece.

Me baseio em: soportugues.com
Sim... Concordo com você...

Este vídeo abaixo, é de onde veio minha terrível :o pergunta.

Vejam esse vídeo: youtube

Gostaria que fizessem um comentário; sobre essa questão, [No vídeo, até os 1:50 min.]
Marcio_Farias 1 24 213
Minha opinião:

Eu empregaria "... das investigações...", pois vejo aí investigações específicas a que/às quais, possivelmente, me referiria.

"... de investigações..." eu só empregaria se as achasse irrelevantes na frase. Ou se a elas não achasse necessário fazer referência.
Marcio_Farias 1 24 213
Henry Cunha escreveu:[...]O verbo referir exige a preposição 'a', portanto haverá crase? Assim me parece.
Henry, você está certo, ainda mais se tivermos um substantivo feminino após a preposição. De outra forma, podemos sinalizar a crase com o acento grave no a (à).
jlmmelo 12 95
Um artigo de Sabrina Vilarinho:

Em meio a tantas exceções, às vezes é mais simples você memorizar quando a crase não é utilizada do que quando é!

Então, vejamos os casos:

1. Antes de palavras, substantivos masculinos:

A) Ele veio a pé.
B) Não vendemos a prazo.
C) Vamos conhecer a fazenda a cavalo.
D) Você deve se vestir a caráter.
E) Ele foi a diferentes lugares.

2. Antes de verbo no infinitivo:

A) Começou a sorrir quando dei a notícia!
B) Ficou a pensar nela o dia todo!
C) Estava a celebrar sua vitória!

3. Diante de nomes de cidades:

A) Chegou a Belo Horizonte em segurança.
B) Quem tem boca, vai a Roma.
C) Foi a Vitória conhecer o mar.

Detalhe importante: Quando especificar a cidade, coloque a crase: Irei à Veneza dos apaixonados. Refiro-me à Inglaterra do século XVIII.

4. Em substantivos que se repetem: gota a gota, cara a cara, dia a dia, frente a frente, ponta a ponta.

5.
Diante de pronomes (pessoais, demonstrativos, de tratamento, indefinidos e relativos):

A) Solicitei a ela que tivesse calma, pois tudo daria certo!
B) Você vai sair a esta hora?
C) Comunicarei a Vossa Alteza a sua decisão!
D) Dê comida a qualquer um que tenha fome!
E) Agradeço a Deus, a quem pertence tudo que sou e tenho!

6. Antes do artigo indefinido “uma”: Ele foi a uma comunhão.

7.
Diante de palavras, substantivos no plural:

A) O prêmio foi concedido a alunos vencedores.
B) Não gosto de ficar próximo a pessoas que conversam demais!
C) Gosto de ir a praças para ler!

8.
Antes de números cardinais: Vou embora daqui a quinze minutos.

9. Antes de nomes de mulheres consideradas célebres:

A) Refiro-me a Brigitte Bardot e sua má postura!
B) Este livro faz referência a Joana D’Arc.

10. Diante da palavra “casa” quando esta não estiver especificada: Foi a casa. Voltou a casa.

Detalhe importante: Se a palavra “casa” vier determinada por adjunto adnominal, ou seja, caso esteja especificada, aceita a crase: Fui à casa de meus avós ou Voltei à casa de meus pais.

11. Diante da palavra “terra” quando significar “terra firme” e não estiver especificada: Após viajarmos muito pelos mares, voltamos a terra.
Porém, quando possuir o sentido de planeta, ocorrerá a crase. Ex: Os astronautas voltaram à Terra.
No caso de a palavra terra estiver especificada, a crase estará confirmada. Ex: Voltamos à terra de meus avós.

Observação importante:
O uso da crase é facultativo: antes de possessivo (Leve o presente à/a sua amiga); antes de nomes de mulheres que não sejam célebres (Foi à/a Ana falar de seu amor) e com “até”: Foi até à/a escola mais próxima fazer sua matrícula.

Por Sabrina Vilarinho
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola
Ref. brasilescola
Quando usar: brasilescola
Marcio_Farias 1 24 213
Pré-determinada ou predeterminada? No dicionário só encontro a segunda.
jlmmelo 12 95
Segundo o Aurélio é predeterminada.
Também concordo...

A palavra "predeterminada" é toda junta, o próprio dicionário da Academia Brasileira de Letras confirma.
Além do mais, creio que a palavra "pré-determinada" (com hífen) está de acordo com o antigo acordo ortográfico, pois podemos ver que há muitas ocorrências no Google dessa palavra, desse modo.

Uma explicação que eu encontrei sobre o uso dos prefixos pré-, pró-, pós :

Pré-, pós-, pró-: Usa-se hífen com os prefixos pré, pós, pró (tônicos e acentuados com autonomia) Ex.: pré-escolar, pré-nupcial, pós-graduação, pós-tônico, pós-cirúrgico, pró-reitor, pró-ativo, pós-auricular.

OBS.: Se os prefixos não forem autônomos, não haverá hífen: Ex.: Predeterminado, pressupor, pospor, propor.

OBS.2: Os prefixos pró-, pré-, se juntam ao segundo elemento, ainda que este inicie pelas vogais " o " ou " e ". Ex.: preenchimento, preexistir (preexistência), preestabelecer (preestabelecido), proeminente, propor.
Os textos sobre a crase são muito elucidativos e úteis. No entanto, peço licença para chamar a atenção a um certo detalhe que parece passar despercebido em tais explicações.

Embora seja na prática uma diferença pouco relevante, é importante saber diferenciar a "crase" do "acento que indica a crase", uma vez que estamos muito acostumados a falar dos dois como se fossem sinônimos. Enquanto "crase" é o nome dado à união de dois sons (que inclusive, do ponto de vista fonético-fonológico, ocorre com outros sons além de "a", caso mais comumente ensinado por ser o único marcado na escrita), o acento gráfico usado para marcar essa união se chama "acento grave".

Em outras palavras, em casos com "andar a cavalo", não ocorre crase. Primeiramente porque a palavra cavalo é masculina, exigindo um artigo masculino, que não sofre união com a preposição; em segundo lugar porque expressões como essa nem mesmo exigem um artigo, caso contrário teríamos "andar ao cavalo". Portanto, o "a" não recebe o acento grave.

Em casos como "cheguei em casa à noite", sim, ocorre a crase. Primeiramente porque para indicar o momento em que fazemos algo é preciso usar da preposição a, como em "cheguei em casa AO meio-dia", onde temos claramente a preposição em questão e o artigo "o" que acompanha "meio-dia", palavra masculina; em segundo lugar, porque temos um substantivo feminino, "noite", que exige um artigo de mesmo gênero. Assim sendo, esse único "a" ali presente, na verdade representa dois "a"s que se unem em um só. Para não escrevermos "cheguei em casa aa noite", fazemos, portanto, uso do acento grave para indicar a união desses dois "a"s: "cheguei em casa à noite".

No mais, agradeço o espaço disponibilizado.